Tá
com a Razão mas vai Preso – Ultimato de uma
Discussão
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Em artigo publicado em
vários sítios, na última quinta-feira, dia 12,
Roberta Muriel ( leia-se Carta Consulta – Editau
) publicou o artigo (
) que faltava para esconjurar as recentes medidas
de avaliação propostas vias transversas para
a avaliação das IES: Avaliação ? Contratem Um
Cérebro, Urgentemente !!!. Recomendo sua leitura,
também urgentemente, porque tem-se pela frente
uma safra de avaliações in loco, calendarizadas.
E mais, dar um “print” no texto para distribuir
a todos os colaboradores de direção das IES.
Fala nos diversos enroscos e “imbróglios” que
sujeitam daqui pra frente a saúde das escolas
superiores, à mercê e à deriva dos sistemas
normativos, sem nexos de causa e de caso. Coisa
do tipo “vamos ver no que dá”.
É dela também a afirmativa de muita propriedade
que os problemas são inúmeros e a possibilidade
de, mesmo seguindo os instrumentos, estarmos
em falta com o atendimento à legislação é enorme.
E a conseqüência já se sabe: não fez nada mas
vai preso do mesmo jeito.
Com
a saúde abalada pelos transtornos anteriores
da prova fraudada, do vazamento de dados pessoais
e mais agora com a questão da impressão das
provas do Enem, o INEP está fervendo com graus
além da ebulição. Alguma dúvida que há conspiração,
sabotagem e demais lá dentro ? Senão isso, como
explicar, incompetência, inabilidade, não são
do ramo, desdém com milhares de instituições
e milhões de alunos ? Bons tempos os de profa.
Maria Helena Guimarães.
A irresponsabilidade do órgão é muita e chegou
no fim da linha, a se cobrar do Ministério Público
medidas saneadoras do ensandecimento regulatório
ali dominante.
Como bem diz a autora, não se trata de aceitar
ou não as mudanças, embora seja uma constante
no setor. Até porque, como regra de vida, nada
é mais certo do que as mudanças.
Mas, o jogo começou dia 2 último, o semestre
está em curso com tudo locado e alocado.
E agora, especialmente quanto ao corpo docente,
dispensa e contrata outros ?
Pode ser um jogo semântico: houve mudança, transformação,
substituição, reposição ou modificação nos últimos
dispositivos, principalmente o Ofício Circular
048, Ofício Circular 067, o Parecer Conaes 04
e o Projeto de Resolução nº 01, este último
tratando do Núcleo Docente Estruturante (NDE)?
As milhares de IES pelo território estão sem
ação ainda que interessadíssimas no atendimento
das novas posturas, mas sem um amparo de assessoramento
jurídico-educacional estarão todas sujeitas
a apedrejadas, à moda iraniana.
As novas disposições mostram-se ardilosas até
pela incúria na manutenção técnica do site do
MEC, que insere o novo mas não retira o velho,
deixando o consulente com expressão de ué !
Em boa oportunidade a CONSAE ( ), de Belo Horizonte,
está programando com experts o seminário Regulação,
Supervisão e Avaliação: aspectos jurídicos.
Quem sabe aí estará a oportunidade para desembaçar
o vidro, sem o que, com certeza, vai bater de
frente. E vai machucar muito.
Fim
dos Professores
(autoria
desconhecida)
Está trafegando na internet o texto abaixo,
do qual me aproprio.
O e-mail que me chegou trazia no final as indicações:
Participação: Luciano Zanelli (Copacabana –
Rio de Janeiro)
Formatação: Rosa Ro rosa-ro@uol.com.br
O
ano é 2.109 D.C. - ou seja, daqui a cem anos
- e uma conversa entre avô e neto
tem início a partir da seguinte interpelação:
– Vovô, por que o mundo está acabando?
A calma da pergunta revela a inocência da alma
infante. E no mesmo tom, vem a resposta:
– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
– Professores? Mas o que é isso? O que fazia
um professor?
O velho responde, então, que professores eram
homens e mulheres elegantes e dedicados, que
se expressavam sempre de maneira muito culta
e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos
e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever,
se comportar, localizar-se no mundo e na história,
entre muitas outras coisas. Principalmente,
ensinavam as pessoas a pensar.
– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios.
Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam
outros professores, e eram amados pelos alunos
– E como foi que eles desapareceram, vovô?
– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial,
que foi executado aos poucos por alguns vilões
da sociedade. O vovô não se lembra direito do
que veio primeiro, mas, sem dúvida, os políticos
ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas
de avaliação dos alunos, apenas para mostrar
estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou
não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados.
Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas
os alunos mais interessados conseguiam aprender
alguma coisa.
Depois, muitas famílias estimularam a falta
de respeito pelos professores, que passaram
a ser vistos como empregados de seus filhos.
Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando
e você tem que me ensinar”, ou “para quê estudar
se meu pai não estudou e ganha muito mais do
que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada
do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios
pais gritar com os professores nas escolas.
Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas
públicas e particulares, estas, mais interessadas
nas mensalidades que na qualidade do ensino,
quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam
os professores, dizendo que eles não estavam
conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”.
O professores eram vítimas da violência – física,
verbal e moral – que lhes era destinada por
pobres e ricos.
Viraram saco de pancadas de todo mundo.
Além disso, qualquer proposta de ensino sério
e inovador sempre esbarrava na obsessão dos
pais com a aprovação do filho no vestibular,
para qualquer faculdade que fosse.
“Ah, eu quero saber se isso que vocês estão
ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”,
diziam os pais nas reuniões com as escolas.
E assim, praticamente todo o ensino foi orientado
para os alunos passarem no vestibular. Lá se
foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões
de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas.
Com a Internet, os trabalhos escolares e as
fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca
mais ninguém precisou ir à escola para estudar
a sério.
Em seguida, os professores foram desmoralizados.
Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos
e ninguém mais queria se dedicar à profissão.
Quando alguém criticava a qualidade do ensino,
sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era
do professor.
As pessoas também se tornaram descrentes da
educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas”
eram políticos e empresários que os financiavam,
modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas
da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas
sem nenhuma formação ou contribuição real para
a sociedade.
Ah, mas teve um fator chave nessa história toda.
Teve uma época longa chamada ditadura, quando
os milicos colocaram os professores na alça
de mira e quase acabaram com eles, que foram
perseguidos, aposentados, expulsos do país,
em nome do combate aos subversivos e à instalação
de uma república sindical no país. Eles fracassaram,
porque a tal da república sindical se instalou,
os tais subversivos tomaram o poder, implantaram
uma tal de “educação libertadora” que ninguém
nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática
dos alunos com apoio dos políticos... Foi o
tiro de misericórdia nos professores..
Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais
dos subversivos.
– Não conheço essa palavra. O que é um milico,
vovô?
– Era, meu filho, era, não é. Também não existem
mais...
Participação: Luciano Zanelli (Copacabana –
Rio de Janeiro)
Formatação: Rosa Ro
rosa-ro@uol.com.br
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APROVA
ou REPROVA — Avaliação sob julgamento
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Inicia-se
um novo semestre letivo. Estarão nas salas de aula
os rematriculados e os novos ingressantes dos seletivos.
Os primeiros talvez tenham sido promovidos com aprovação
total no semestre anterior ou carreguem alguma(s)
dependência(s). Os segundos, muitos com mínima qualificação
e capacitação para a carreira universitária, mesmo
assim lograram ingresso. Outros deles atravessaram
o vestíbulo da universidade carregando aprovações
automáticas da educação básica. (Aliás, o candidato
ao governo de São Paulo Aloísio Mercadante tem posição
firmada, declarando que acabará com a aprovação
automática nas escolas paulistas, se for eleito,
mas não promoverá uma política de repetência dos
estudantes da rede pública.)
Ambos os alunos (rematriculados e ingressantes)
se sujeitaram a provas para a continuidade dos estudos.
Mas, suas avaliações terão ocorrido com eficácia
ou as aprovações decorreram de muita tolerância
avaliativa, prevalecendo outros interesses do avaliador?
O que está subjacente à avaliação do educando na
escola é o conhecimento disponibilizado pelo educador,
portanto, ela se impõe aos dois. É essa constatação
que explica o medo instalado hoje nas salas de aula
em dias de provas/exames, aterrorizando docente
e discente e levando à indagação: para que o conhecimento
se ele não é testado e avaliado? Qual a validade
do teórico se não é posto em prática? Dúvida de
ambos. O primeiro quer testar e o segundo quer a
nota.
A inexorabilidade da substituição, do upgrade do
conhecimento – do que até neste minuto era atual
e ficou obsoleto – mostra que os ciclos tecnológicos
com respectivas rupturas são apavorantes. Imagine-se
o conhecimento obtido no início de um curso e que,
ao final dele, não terá a menor importância e valor
porque ficou velho.
Assim será (ou já é?) a sociedade do conhecimento,
que interioriza a sociedade avaliativa – ou valoradora,
ou avaliadora – sem distinguir, com efeito, onde
começa a informação e onde termina o conhecimento.
E se uma ou outro leva ao saber, evitando-se a chamada
“indústria da cultura inútil”.
Eis uma situação típica de imbricação do conhecimento/informação,
quando o conhecimento passa a ser o maior, o único
tesouro e principal bem de consumo, conforme Peter
Drucker (o guru do marketing), para quem é imperativa
a necessidade de mantê-lo permanentemente atualizado.
Mas, se a informação leva ao conhecimento e se transforma
em saber, que se consolida e estratifica pela sua
validação/constatação utilitária e consumerista,
que papel tem aquele que aprova, avalia, dá certificação
e validade ao conhecimento? O próprio detentor do
conhecimento, na sua utilização ou não, assim como
o avaliador que imprime o seu passed e o utilizador
final (sociedade) são os degustadores desse produto
e, portanto, também responsáveis por sua aprovação.
Se a sociedade está disposta a abrir mão de qualidade
garantida, em qualquer campo da atividade humana,
avalizada/avaliada, é direito próprio, mas não do
avaliador. A tarefa responsável, portanto, está
antes no avaliador, no agente do processo que visará
como fim aos resultados.
Então, o que é possível verificar sobre avaliação
educacional, estabelecendo uma diagnose nos processos
cognitivos dos estudantes, na avaliação do aprendizado?
Até pouco tempo, um Plano de Ensino de disciplina
era elaborado visando integrar um currículo de curso
com algumas premissas: ementa, objetivos, conteúdos
programáticos, metodologia, avaliação e bibliografias
(básica e complementar). Tudo permeado com trans
e interdisciplinaridades. Em algumas instituições,
inclusive o Plano de Aulas.
Com algumas discussões na "semana de planejamento
pedagógico", sempre antes do início do ano
letivo, consideravam-se o público-alvo, o mercado
de trabalho, as mudanças e alterações do cenário
sociopolítico e econômico, etc. Com o surgimento
das Novas Diretrizes Curriculares, cujo propósito
é contemplar o entorno das disciplinas ou ir além
delas, com o estabelecimento de competências e habilidades
sob impregnância no educando, a tarefa de avaliar
o nível e grau de aquisição de conhecimentos dele
tornou-se perigosa. Deixa o professor/avaliador
em duas situações bastante incômodas: a de refém
ou de cúmplice do aluno nessa avaliação. Mas a avaliação
responsável e isenta do avaliador, com ele próprio,
com o aluno e com a sociedade, não permite dúvidas
e fragilidades.
Avaliação
equivocada ocorre porque o conhecimento proposto
era um equívoco, de forma e conteúdo, e suspeito
é o avaliador que se coloca ambiguamente, ao desdém
do que deve(ia) ser ensinado, porque precisa ser
aprendido. Não é mais possível o uso do velho clichê
"o aluno será capaz de..." e completar
a frase com qualquer verbo no infinitivo. Pode ser
o coração, mas não é a alma do que deve estar contido
nos objetivos e justificativa da disciplina.
Sabendo que o ensino e o aprendizado devem ser conduzidos
para estimular, provocar no educando uma consciência
de construção, interatividade e crítica, visando
descobrir e mergulhar em habilidades e competências
pessoais, conduzindo a alguma capacitação, o educador
sempre levará em conta os resultados impostos e
a se obter do processo, ou nas palavras de T. Kellaghan,
“a busca por resultados responsáveis”. Cresce significativamente
tal responsabilidade na medida em que os currículos
mínimos e plenos deixaram de ser a sustentação basilar
na formação profissional do aluno. Há muito mais
situações e acontecimentos sendo aplicados no ensino
atual, impensáveis há dez anos.
Aplicação,
essa é a palavra do momento no ensino, aliás, a
volta dela. A agenda reformista da educação é sempre
dominada pelos modismos, por algum tempo. É preciso,
a qualquer custo, ampliar o potencial de uso e aperfeiçoamento
das capacidades de avaliação dos professores com
relação aos alunos. Nisso reside, no mínimo, o acerto
da escolha. Não deve ser a busca da aprovação na
“coitadice” nem a reprovação na “vitimez” do avaliado.
O emprego adequado de um "molde de avaliação"
, sem extremos e exageros, torna-se um facilitador
nessa tarefa tão difícil. Afora poder colocar em
sacrifício absoluto o futuro de um jovem, sobretudo
o que está em desencanto com o ambiente atual e
dele foge, se rebela e se angustia pela aparente
falta de perspectivas socioprofissionais.
Essa
moldura, entretanto, não é fórmula, padrão ou gabarito
estabelecido. É antes um método pessoal, pelas singularidades
do avaliador e do avaliado. Deve-se caracterizar
como ato de neutralidade, sem a rixa ou acidez inquisitória.
Não deve mostrar-se como esgrima rancorosa, desafiadora
de quem, não obtendo resposta satisfatória, desabafe
"...eu sabia que você não sabia" ou "...tinha
certeza de que você não responderia".
As habilidades e competências podem dar sinais indicativos
apropriados na elaboração de um momento de avaliação.
Por consequência, na construção de uma vida profissional
mais realizada. Adequada às aspirações pessoais,
grandes ou pequenas porém autênticas.
Desse
modo, aqueles objetivos da disciplina têm de ser
repensados, refeitos para outras realidades e dimensões:
a das competências e habilidades, fulcro do ENADE.
Não é tarefa simples para quem não está inserido
nos mercados e desconhece perfis. Só por esse aspecto,
hoje, o PDI ganha importância fundamental na montagem
de um curso, e deve estar sob a batuta de um competente
coordenador.
A
juventude atual tem forte razão para a recusa em
ser avaliada, de fora para dentro, à moda antiga.
É simples, certo ou errado, possível ou não. O jovem
admite ser avaliado, porém, de dentro para fora.
Não admite ser questionado pelo avaliador sobre
o que ele não sabe, mas deveria saber, e o avaliador
insiste em saber o que ele não sabe. Será que o
avaliador não sabe que não adianta querer saber
o que o avaliado não sabe? A questão central é por
que o aluno não sabe? Por incrível, a resposta todos
sabemos.
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