Roney Signorini Roney Signorini FIlho Tereza Loffredo Bilton Bianca Signorini Antadi Ana Tereza Pinto Oliveira Educomunicação consultoria e assessoria educacional
2009
SETEMBRO

Bomba, Bomba !
Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Embora com 64 anos de idade, e não entenda nada de armas nem de munições, começo a pensar na possibilidade de fazer um curso sobre esses artefatos, tiro ao alvo, defesa pessoal, e comprar revistas especializadas. Quem sabe iniciar por estágios em “paint ball”. O mais perto que chego sobre algo contundente é o velho estilingue e nunca consegui sequer acertar um pardal, na infância.

Mas, cá pra nós, o futuro se avizinha em escuridão, preto total, de onde precisarmos todos nos tornar Senhor da Guerra ou Senhor das Armas.
Essa foi minha percepção ao ler notícia no site www.notícias.r7.com sobre as declarações do candidato do PSOL à presidência nas próximas eleições,Plínio de Arruda Sampaio, mais um que começa a dar tiros pra todo lado, nas quais ele “defende o fim das escolas privadas”, querendo tornar o sistema educacional totalmente público. Valha me Deus ! É o que faltava para uma festança, tipo farra do boi educacional.

O candidato está senil para ocupar o cargo pretendido ou antes da entrevista se entregou a Baco. Por mais razões que ele tenha ( ? ) com tal afirmação/proposta, com certeza, não ganhou nem mais um voto. Seja pelo tresloucado e disparate, não quanto à idéia mas quanto a realidade numérica e estatística que se mostra.

Os números falam por si quanto ao universo de alunos no básico e no superior, ao volume de escolas, cursos, e sobretudo valores. O SEMESP — www.semesp.org.br — abriga tais informações, senão também o MEC-INEP.

O candidato sabe quanto custa um aluno em escola particular e o mesmo aluno na pública ?
Nas públicas, em alguns deles, 2 ou 3 vezes mais, em outros, 4 a 5 vezes mais.

O patrimônio/investimento das particulares ronda aos bilhões de reais.
Mas, vamos à crítica construtiva sobre as afirmações do candidato, ainda que com ironia, por força de estilo:

1-)Com a medida ele pretende o fim das escolas particulares evitando a desigualdade social no país. É mesmo por aí ?;

2-)Os imóveis dessas escolas devem ser desapropriados para que o acesso ao centro (?) se torne universal e cita o Colégio Santa Cruz, de São Paulo. O candidato não conhece o patrimônio das demais escolas, básicas ou superiores ! ;

3-)Duvidando da meritocracia, os professores devem receber o mesmo salário. Com todo o respeito, o candidato sabe do investimento pessoal de um professor do Piauí e de São Paulo ou Rio de Janeiro ?;

4-)Ao se referir ao ProUni afirma que é preciso dar mais atenção ao ensino básico, antes de investir muito no universitário. Prezado candidato, com todo o respeito, novamente, recomendo ler uma crônica do Stanislaw Ponte Preta que relata a saga de uma madre dirigindo uma Lambretta pela Ponte da Amizade, em eventual contrabando de algo.

5-)Ao se referir às cotas ele diz que “de certo modo é um mal necessário e que na verdade não deveria ser racial, deveria ser de pobreza. Comé que é ? Certa feita meu motorista se apresentou pedindo aumento de salário porque a mulher dele estava grávida, sem que eu tivesse feito sexo com ela. Eu deveria pagar pelo “bem bom de alguém” ? Pode ?

6-)Quanto à educação no campo é enaltecida a ação do MST, cujos expedientes seriam a redenção. Um momento, vamos organizar o galinheiro. Solução educativa para qual fim? Ocupar/invadir terras de outrem sem que a Lei admita ? É negar o Poder Legislativo! ;

7-)Quanto à religião, deveriam fornecer curso de pensamento religioso e os estudantes obrigados a participar da escolha. Os pais dos alunos deveriam ter o direito de escolher a religião do professor. Quer dizer, a comunidade é quem escolhe as habilidades e competências do docente, não importando suas propriedades profissionais e formativas mas só em função da prática religiosa ?

Nesse quesito, questionado se a religião poderia tornar-se um tema de segregação entre o povo brasileiro o candidato admitiu que o risco existe,. “mas também existe o intercâmbio de cultura”. Ah! existe mas qual a solução e efetividade dos resultados?

Desculpe os contraditos no foco ideológico. Deram-se por razão de deferência ao septuagenário, a quem credito respeito pela cultura e Inteligência.
Sem bola de cristal na minha frente, não vai dar certo, não mesmo, embora adote o bordão latino “traditiones mores majorum”.

Em Tempo, recomendo a leitura de excelente artigo/considerações sobre o Ensino Privado, Benefício Público, autoria de Luiz Roberto Liza Curi
( www.amanhã.com.br ), de 28/07/2010, replicado no blog
www.abmeseduca.com




Um tesouro chamado EGRESSO

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Em outras oportunidades já destaquei a imensa importância que as IES deveriam atribuir aos egressos de seus cursos, voltando-se com políticas atraentes para a manutenção da relação deles com a escola (se é que ela existiu desde o ingresso, como manda o figurino), como quem cuida de um cliente cativo, reputando o MKT da fidelidade.
Afinal, o maior tesouro de uma escola é o aluno. Podem existir prédios, corpos docente e administrativo, bibliotecas e laboratórios, mas sem o aluno a escola padece, perece e desaparece.
São poucas as IES que dão atenção ao seu egresso e pouco se sabe deles após a solenidade de formatura.
Sequer podem se cadastrar numa AEA – associação de ex-alunos – por esta inexistir ou ex-alunos não se prestarem a alvo de pesquisas, por exemplo, a ser feita pela CPA da instituição.

Assim, com bom motivo, razão e propriedade, a Carta Consulta, de Belo Horizonte, vai promover em agosto
um curso sobre a Política de Egressos — coisa nova por aqui —, contando com palestrantes americanos que sabem das coisas, três grandes nomes da gestão universitária americana. E que trajetória profissional eles têm, incríveis e inusitadas.

O relacionamento com alunos egressos é uma das mais importantes questões para a gestão universitária brasileira, lamentavelmente, insisto, quase inexistente no setor. Os egressos podem auxiliar no recrutamento e na retenção de alunos porque são os principais "opinion makers" do produto ensino, que consumiram. Assim, depoimentos e testemunhos autênticos consolidam uma boa imagem de serviços obtidos. Podem constituir uma base de empregadores potenciais, se mantiverem um longo vínculo com a IES. Mas não, até o foco da educação continuada é relegado, pois não se abre a eventual pós-graduação. Este relacionamento, muitas vezes, é ignorado como um recurso e não faz parte do plano estratégico da instituição.

Mas como pensar e estabelecer uma política de egressos capaz de gerar recursos humanos e financeiros para o nosso sistema educacional? Como usar o máximo do potencial dos egressos? Um caminho pode ser trilhado pela análise de políticas de sucesso, implantadas e desenvolvidas por instituições que prosperam em mercados altamente competitivos. Está aí uma oportunidade para quem nunca ouviu falar do assunto.

EGRESSOS EM CAPTAÇÃO DE ESTUDANTES

Muitas escolas subestimam a importância de terem os egressos envolvidos em seu plano de captação de alunos. Os egressos desempenham um papel fundamental em ajudar sua “alma mater”. A questão é se todos os bons alunos com alto nível de empregabilidade se disporiam a dar seus testemunhos. Quem arrisca a resposta?

Um dos palestrantes da Carta Consulta, o professor Trent Argo (Georgetown College – Oklahoma Baptist University), foi Diretor de Captação, Retenção, Seleção e Desenvolvimento de alunos da Oklahoma, bem como, na mesma função, da Campbellsville University. Aí desenvolveu planos de marketing e Estratégia para Crescimento dessas universidades com aumento de 198% para os projetos de captação e retenção. Foi presidente da Associação Americana dos Diretores de Captação de Estudantes das universidades americanas. Ou seja, cá pra nós, nunca ouvimos falar que isso existe(ia).

PARTICIPAÇÃO ATIVA DE EGRESSOS NA IES

Os egressos são o maior recurso que as Instituições de Ensino têm e, sem a participação ativa deles, as IES não podem alcançar seu melhor potencial. Um pequeno perfil da professora Libba Andrews, outra participante do seminário: nos últimos 20 anos, ela atuou em uma série de funções na Universidade Estadual do Mississipi (MSU) e atualmente detém o título de Diretora de Relações com os Egressos, gerenciando um universo de mais de 115 mil ex-alunos. Com esta capacidade, ela tem sido responsável por elaborar o plano estratégico da Associação dos Egressos.

RELACIONAMENTO COM OS EGRESSOS

O tema relações com egressos é um dos assuntos mais críticos para as instituições de ensino hoje. Relações saudáveis com os egressos reforçam a base de apoio das instituições de ensino nas áreas de captação de novos alunos, retenção dos alunos atuais e sustentabilidade financeira dessas instituições. Quem argumenta com bases sólidas e profundos conhecimentos sobre a matéria é o professor J. Robert Gaddis, também da Campbellsville University. Com um currículo bem diferenciado, o Dr. Gaddis tem o bacharelado em Música e Mestrado em Educação pela Universidade do Kentucky. O foco de sua atuação é na direção de programas de música com espantoso crescimento de 25 programas de graduação para os atuais 160, entre graduação e pós-graduação.

Fato é que a desatenção aos egressos vai além da desídia institucional, negligência e descaso, porque não é interpretada como um dos canais mais vivos de interação e comunicação com a coletividade, que se avoluma a cada formatura, podendo atingir números muito significativos, decorrentes de alguns anos na oferta de cursos.
E hoje, com a internet, não há o que se pensar em custos para "falar" com todos eles, seja um expediente simpático de cumprimentar pelo aniversário, seja para informar sobre uma atividade de extensão ou algum curso de especialização, seja um convite para a comemoração de alguma efeméride, etc. Em pouco tempo acaba se tornando uma rede social das melhores (e que já existe, por iniciativa dos próprios ex-alunos, basta conferir no Orkut, Facebook e outros). E mais, o egresso solteiro de hoje é pai amanhã, com prole caminhando para os estudos.




Biruta Maluca – uma aparente redundância

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Dizem por aí que uma coisa é uma coisa e que outra coisa é outra coisa. Confere.
Do Aurelião, biruta é “Aparelho que indica a direção dos ventos de superfície, empregado nos aeródromos para orientação das manobras dos aviões, e que tem a forma de uma sacola cônica, instalada perpendicularmente à extremidade dum mastro.”

Assim, biruta maluca seria o instrumento girando em si mesmo, tresloucadamente, aos ventos de ciclones e tempestades sem definição de orientações. É o setor educacional no fundamental e médio. Assim, nossa aeronave de terceiro grau, do superior, é refém dos ventos. Como pousar e decolar com segurança, com vento pela frente pelos lados ou pela cauda?

A compilação que segue, do noticiário nacional no mês de junho, vai além de preocupante pois tem de tudo, instituições educacionais em propósitos diagonais, considerações nefastas sobre a educação infantil e ensino médio, falta de plano de educação municipal e bibliotecas a construir pelo país. Desastres que se contrapõem a quem pretende a erigir Boa Imagem nas IES superiores e a construir Qualidade nelas.

Justiça bloqueia R$ 1,8 milhão de dono de escola com diploma falso
G1 – 20/06/2010

Uma escola da empresa Paulistec, que fica na Penha, na Zona Leste de São Paulo, está envolvida em um escândalo. A filial de Campo Grande foi fechada no começo do mês. A Delegacia do Consumidor indiciou o dono e mais quatro pessoas por estelionato e formação de quadrilha. Além de não ter professor, o curso a distância funcionava sem alvará da prefeitura nem autorização das autoridades de ensino para dar aulas ou aplicar provas. Mas a polícia encontrou exames já preenchidos, faltando apenas o nome do aluno.
Existem outras 23 filiais, em mais seis estados. A de Interlagos, na Zona Sul da capital paulista, nem fachada tem. No local, a atendente reconhece: “aprender mesmo, eu sou bem sincera, ela não vai aprender muita coisa”, diz outra atendente.

Polícia Federal abre inquérito e investiga Uningá
Gazeta do Povo – 18/06/2010

Maringá - Atendendo a pedido da Pro¬curadoria da República, a Polícia Federal em Maringá abriu inquérito para investigar suposta prática de estelionato pela Unidade de Ensino Superior Ingá (Uningá), acusada de conceder irregularmente bolsas do Programa Uni¬versidade para Todos (ProUni). As investigações foram iniciadas ontem. “O trabalho deve ser concluído em 30 dias, mas o prazo pode ser prorrogado”, informou o delegado-chefe da PF em Maringá, Donizete Tambani.
O pedido para abertura de inquérito foi motivado pelas denúncias de que universitárias de classe média-alta estariam estudando na instituição usando bolsas do ProUni – direcionadas a estudantes de baixa renda – desde 2008. O Ministério da Educação (MEC) instaurou um processo administrativo e, segundo o ministério, a defesa apresentada pela Uningá está em fase final de análise. O diretor administrativo da Uningá, Paulo Barbosa, não quis se pronunciar sobre a defesa.

Dono de universidade em SP está entre os acusados de fraudar concursos públicos, diz PF
O Globo – 16/06/2010

SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu as 12 pessoas acusadas de fraudar concursos públicos para a Polícia Federal, Receita Federal e OAB. Entre os presos está um dono de universidade em São Paulo. Os 120 candidatos identificados como compradores dos gabaritos serão indiciados por estelionato e receptação. Os concursos não serão anulados.
Segundo a PF, estão sendo investigadas suspeitas de fraudes em concursos para a Abin, a agência do Sistema Brasileiro de Inteligência, e para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Ensino médio precisa incluir 2 milhões de jovens
iG Brasília – 16/06/2010

O ensino médio passa por uma grande crise. A opinião praticamente consensual entre especialistas é reforçada por números que assustam. Da população com idade entre 15 e 17 anos – que deveria estar matriculada no ensino médio – apenas 48% frequentam o ensino médio. O restante está atrasado, ainda tentando aprender as lições do ensino fundamental.
Mas o que mais assusta os especialistas é a quantidade de jovens com essa idade que está fora da escola: 18%. O número aparentemente pequeno esconde a realidade de 2 milhões de jovens brasileiros. Esse, na opinião de especialistas, deve ser o grande foco das políticas públicas para a etapa final da educação básica.

Operação contra o tráfico detém estudantes em Higienópolis
20 pessoas, entre eles alunos do Mackenzie, foram identificados em ação do Garra em SP
18 de junho de 2010 | 18h 07
Eduardo Roberto, do estadão.com.br

SÃO PAULO - Uma operação do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) deteve nesta sexta-feira, 20 pessoas suspeitas de tráfico e porte de drogas na região da Universidade Mackenzie, em Higienópolis, na região central de São Paulo.
Cinco são apontados como traficantes. Entre eles, há um estudante de engenharia da Universidade Mackenzie, um aluno do colégio da instituição, um ex-aluno, um menor de idade e outro suspeito.

Os detidos foram levados à sede do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), na zona norte, para prestar esclarecimentos. Onze pessoas foram indiciadas por uso de drogas. Segundo o chefe dos investigadores do Deic, Rodrigo Fukuoka, eles portavam maconha, cocaína, crack e lança-perfume. Três foram liberados. Um já era procurado pela Justiça por roubo e segue detido.

As investigações da polícia na "Operação Amsterdã" duraram 30 dias e foram feitas nos bares das ruas Doutor Cesário Mota Júnior e Maria Antonia, no centro da capital. Investigadores se infiltraram entre os estudantes, usuários e traficantes. Eles chegaram nesta tarde com três viaturas descaracterizadas e abordaram 70 pessoas no local - entre eles, estudantes de enfermagem da Santa Casa de Misericórdia.

Os policiais registraram as imagens da movimentação, que serão usadas para identificar outros possíveis envolvidos com o tráfico na região. No total, 50 agentes participaram da ação.
Procurado pela reportagem, o Mackenzie divulgou a seguinte nota:
"O Mackenzie tomou ciência dos fatos ocorridos na Rua Maria Antonia, local onde a polícia efetuou uma blitz. Destacamos que o episódio aconteceu fora das dependências do campus e, portanto, a Instituição não tem ingerência em ações ocorridas em espaço público. O Mackenzie habitualmente desenvolve campanhas antidrogas em seus campi, com o objetivo de orientar os alunos sobre os malefícios no uso de drogas tanto ilícitas, quanto lícitas."

Acesso ao ensino médio atinge esgotamento
Valor Econômico

17/06/2010 - De modo diferente do que ocorreu na educação fundamental, a universalização do acesso ao ensino médio no sistema educacional brasileiro está longe de ser atingida. Com taxa de matrículas estagnada nos últimos anos na casa dos 10 milhões de alunos, o ciclo escolar enfrenta alto índice de evasão, "difícil de ser corrigido", segundo Carlos Artexes, diretor do Ministério da Educação (MEC) responsável por políticas públicas nesse segmento.

De acordo com dados organizados pelo pesquisador social Ricardo Paes de Barro, do Instituto Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dois em cada dez jovens brasileiros de 15 a 17 anos estão fora da escola, o que representa 18% da população nessa faixa etária - cerca de 2 milhões de pessoas. Na faixa dos 18 aos 24 anos, 68% dos jovens não estudam.
Na avaliação de Artexes, a taxa de matrícula atual do ensino médio, estimada em mais de 80% para jovens de 15 a 17 anos, alcançou um "esgotamento". "Isso acontece em qualquer nível de ensino, no fundamental chegamos a 97%; no médio é evidente que a universalização se dê num patamar mais baixo", comenta. Uma das explicações para esse esgotamento, diz o educador, é a decisão do próprio jovem. "Ele está construindo sua autonomia e estar ou não na escola depende cada vez mais dele e menos da posição dos pais", resume.

Quase metade dos municípios brasileiros não tem plano de educação

Quase metade dos municípios brasileiros não tem plano municipal de educação. Das 5.565 localidades, 2.427 - ou 44% - não apresentam um conjunto de metas educacionais a serem cumpridas pelo poder público. Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada neste ano.

Somente no Estado de São Paulo, 284 dos 645 municípios não têm plano - incluindo a capital, que começa a consolidar o seu agora, e outras grandes cidades como Araçatuba, Bauru, Campinas, Diadema, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São José dos Campos e Sorocaba.

Os planos municipais, estaduais e federal são considerados essenciais para efetivar e acompanhar políticas em todas as áreas da administração pública. Eles podem ser elaborados por consultorias, pelas secretarias ou com a colaboração da sociedade. "Esse número pode ser ainda menor porque existem muitos planos que foram aprovados mas não se traduziram em lei", afirma o presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos.

O Plano Municipal de Educação
O Estado de São Paulo. 14/06/2010 – São Paulo

Com o objetivo de discutir mais de 3 mil propostas para a formulação de um Plano Municipal de Educação, a Prefeitura de São Paulo realizará uma conferência no Palácio de Convenções do Anhembi, entre os dias 18 e 20 de junho. Embora a elaboração do Plano seja uma exigência legal que existe desde 2001, os prefeitos que dirigiram cidade nos últimos nove anos descumpriram essa determinação, alegando não disporem de recursos orçamentários suficientes para implementá-la. A realização da conferência tornou-se possível por causa da mobilização de associações de pais e mestres, de entidades comunitárias, de sindicatos, de órgãos empresariais, de movimentos sociais e de ONGs que defendem os direitos das crianças e dos adolescentes. Além de cobrar o cumprimento da legislação pela Prefeitura, eles ajudaram a elaborar um diagnóstico de cada um dos 96 distritos e das 31 subprefeituras da cidade de São Paulo e colocaram todos os relatórios, mapas, indicadores e estatísticas na internet ? iniciativa que contou com o apoio de institutos sociais mantidos por grandes empresas privadas e de ONGs com atuação mundial.

O Plano Municipal de Educação deve ser um documento orientador de políticas públicas, definindo, com força de lei, as prioridades do setor no prazo de dez anos. Elas têm de ser obrigatoriamente seguidas pelas autoridades municipais. Introduzido originariamente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o objetivo do Plano é assegurar a continuidade das políticas educacionais, evitando que cada prefeito, ao assumir o mandato, modifique ou até revogue tudo o que foi feito por seu antecessor. Além de estabelecer metas para a rede escolar pública de ensino fundamental, o Plano fixa diretrizes que orientam os colégios da rede privada.

''Por que Joãozinho não aprende a ler''
O Estado de São Paulo, 15/06/2010 - São Paulo SP
JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA

O título deste artigo reproduz o de um livro publicado em 1953 e que provocou intenso debate sobre métodos de alfabetização. A polêmica durou até o final do século, quando o assunto foi definitivamente resolvido. No resto do mundo, não no Brasil. Uma análise das 19 cartilhas de alfabetização aprovadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2009, e que estão em uso na maioria das escolas públicas, revela a razão. Neste artigo, comentamos apenas alguns aspectos dessa análise. Comecemos pela bibliografia citada pelos autores. Bibliografia reflete as orientações usadas. Dentre as 265 referências bibliográficas citadas nas 19 cartilhas, apenas cinco se referem a estudos especificamente voltados para os aspectos centrais da alfabetização, isto é, o funcionamento do código alfabético. Nas cinco, dois autores são os mais citados. Trata-se dos mesmos que o MEC vem mencionando desde que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) entronizaram as ideias ultrapassadas e equivocadas que continuam desorientando os professores em todo o País. Cabe notar que, nessas 265 citações, não há referência alguma a nenhum dos artigos mais citados nos índices de publicações científicas internacionais sobre alfabetização ou nos documentos oficiais dos demais países que utilizam o código alfabético. Em matéria de pedagogia, não é só o MEC que está na contramão dos progressos da ciência: alguns governos estaduais e municipais, que continuam produzindo suas próprias cartilhas, o fazem com base nos mesmos pressupostos equivocados.

Outro aspecto da análise se refere ao descumprimento sistemático dos termos de referência do edital do Programa Nacional do Livro Didático. Por insistência pessoal do ministro Fernando Haddad, que enfrentou ruidosas resistências internas e externas, o edital introduziu dois requisitos: a apresentação adequada dos fonemas e grafemas - base de qualquer processo de alfabetização - e atividades próprias para desenvolver fluência de leitura. Esses dois requisitos não foram observados de forma minimamente adequada em nenhuma das cartilhas aprovadas. O prejuízo pedagógico é óbvio. Cabe ao Tribunal de Contas da União (TCU) decidir se isso constitui delito de improbidade administrativa por parte de quem deu e de quem aceitou os pareceres sobre essas cartilhas.

Cartilhas elaboradas com base em pressupostos equivocados não ajudam as crianças a aprender a ler e escrever. Mas qual é, de fato, o objetivo das cartilhas aprovadas? De acordo com seus autores, o importante é promover o letramento, os usos sociais da língua, a intertextualidade, as múltiplas linguagens, a produção textual e outros pomposos desideratos. O domínio do código alfabético que se dane! Ou que se danem os alunos, como atestam os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as pesquisas sobre a capacidade de leitura dos brasileiros.

Na prática, o que acontece com as cartilhas é o mesmo que ocorre com os livros didáticos, especialmente os de Língua Portuguesa - um samba do crioulo doido. Nas primeiras páginas das cartilhas, por exemplo, o aluno é convidado a escolher quais palavras do texto (que ele não sabe ler) indicam frutas. Ou é convidado a "escrever do seu jeito" o nome das ilustrações. Ou a combinar sílabas, cuja leitura não lhe foi ensinada, para formar palavras. Ou a identificar, "usando pistas contextuais", qual de três frases completa um texto. Ou seja, tudo se passa como se a criança fosse um novo Champolion desafiado a decifrar a Pedra de Roseta. Ou a "formular hipóteses" sobre o valor fonológico dos grafemas. Se as pessoas fossem capazes de formular hipóteses pela mera exposição aos textos, como explicar a existência de analfabetos adultos numa sociedade urbana e letrada? Nos países desenvolvidos, a questão dos métodos de orientações curriculares, nas últimas semanas.

Eis o que diz um dos mais importantes neurocientistas da atualidade, Stanislas Dehaene, na sua obra Os Neurônios da Leitura: "A conversão grafema-fonema é uma invenção única na história da escrita, que transforma radicalmente o cérebro da criança e sua maneira de ouvir os sons da língua. Ela não se manifesta espontaneamente, portanto, é preciso ensinar." Quanto à forma de ensinar, a ciência experimental demonstra que para alfabetizar bem é necessário apresentar os fonemas e grafemas de forma sequencial, intencional e sistemática. Essa é a função das cartilhas. O tema foi inclusive objeto de relatório e recomendações recentes da Academia Brasileira de Ciências, mas continua ignorado pelo establishment educacional.

Ignorar os avanços da neurociência e as evidências experimentais acumuladas sobre métodos de alfabetização não significa apenas defender uma posição ideológica a respeito da alfabetização: significa rejeitar a ideia de que a ciência pode contribuir para melhorar o ensino.

Ou seja, pedagogia, como bruxaria, dispensa a ciência. Valem apenas as crenças e o poder de pressão das corporações. E é isso que fazem as universidades, no Brasil, e as autoridades responsáveis pela educação na maioria de nossas redes de ensino. Não sabemos o que o TCU e o MEC farão para correr atrás do prejuízo. Mas sabemos quais são os resultados dessa política: no 5.º ano do ensino fundamental, metade das crianças não consegue entender o que lê. E agora sabemos por que Joãozinho não aprende a ler, no Brasil.

Professores "leigos" crescem 35% em dois anos
Dados do Inep mostram que professores sem diploma de ensino superior continuam sendo contratados para dar aulas na educação básica
Priscilla Borges, iG Brasília

O número de “professores leigos” no Brasil – que só concluíram o ensino fundamental ou o ensino médio regular – aumentou em todas as etapas da educação básica. Dados do Censo Escolar 2009 mostram que 152.454 profissionais dão aulas sem a formação adequada para alunos matriculados em creches, pré-escolas, ensino fundamental e até ensino médio nas cinco regiões do País. Eles representam apenas 7,7% dos docentes que atuam hoje nas escolas brasileiras. O total é de 1.977.978. Mas, para os especialistas, as estatísticas são chocantes, porque, após a chamada “Década da Educação” iniciada com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação em 1996, a quantidade de profissionais sem qualificação necessária para dar aulas não diminuiu e, sim, cresceu.

Em 2007, eles eram 6,3% do total de professores da educação básica. O primeiro censo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para traçar o perfil desses docentes, divulgado no ano passado, mas feito com dados de 2007, revelou que 15.982 dos profissionais sem formação ideal tinham apenas o diploma do ensino fundamental. Em 2009, a mesma categoria de docentes caiu para 12.480. O problema está na crescente contratação de quem completou apenas o ensino médio regular. Em 2007, 103.341 professores brasileiros estavam nessa situação. No ano passado, eles somavam 139.974. O aumento chega a 35,4% em dois anos. O maior crescimento foi na educação infantil, em que eles representavam 16,1% do total de docentes dessa etapa em 2007 e, agora, equivalem a 19,6% do total.

Mas nenhuma etapa ficou imune a esse crescimento. Nas turmas de ensino médio do País, há 21.896 docentes que dão aulas sem diploma de nível superior ou magistério (que também seria insuficiente para assumir esse compromisso). “É um dado para refletirmos profundamente. Temos de estranhar muito que um professor que estudou até o ensino médio dê aulas para essa mesma etapa”, afirma a presidente do Conselho Nacional de Educação, Clélia Brandão. Para ela, a explicação para isso pode estar na falta de planejamento de estados e municípios nos processos de formação continuada dos quatros de professores. “Um dos motivos que poderia levar a essa contratação, mas que não a justificaria, é a falta de professores de química, física e matemática. Talvez, esses professores já estejam cursando uma faculdade, mas ainda não a concluíram”, pondera. “Houve muito investimento em formação nos últimos anos. Mas a prioridade foi dada para o curso de pedagogia. Esse é um dado que pode revelar um erro nesse sentido”, analisa.

Qualificação, desafio antigo - Em meio a tantas discussões sobre a criação de um Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, a formação dos profissionais que cuidam da educação das crianças brasileiras se mostra um desafio. Se a legislação educacional fosse cumprida, o total de professores que não poderia dar aulas a crianças ou adolescentes brasileiros aumentaria ainda mais. Aos leigos, se juntariam os docentes sem licenciatura: 62.373 pessoas em 2009. A LDB diz, em seu artigo 62, que a “formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de
licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal”.


País precisará construir 25 bibliotecas por dia para cumprir nova lei
Lei determina que todas as instituições educacionais devem ter biblioteca até 2020
02 de junho de 2010 | 12h 21
Leonardo Soares/AE
Pior situação é no ensino fundamental, no qual o déficit é de 93 mil bibliotecas
Agência Brasil

BRASÍLIA - Municípios e Estados terão muito trabalho para cumprir a lei sancionada na semana passada que determina que toda a escola deve ter uma biblioteca. O maior desafio está nos estabelecimentos do ensino fundamental: será necessário construir 25 bibliotecas por dia até 2020, prazo limite para adequação à medida.

O diagnóstico é de um estudo realizado pelo movimento Todos pela Educação, com base em dados do Censo da Educação Básica de 2008. "Essa dificuldade é decorrente da falta de visão do Brasil sobre a importância da biblioteca. No mundo todo as bibliotecas são doadas por mantenedores que têm uma alegria imensa de poder doar um acervo", compara Luis Norberto, do Comitê Gestor do Todos pela Educação.
O déficit de bibliotecas no ensino fundamental é de 93 mil. Desse total, 89,7 mil são escolas públicas e 3,9 mil, estabelecimentos privados de ensino. Na educação infantil, apenas 30% dos colégios têm acervo e será necessário criar 21 bibliotecas por dia para cumprir o que determina a nova lei. A melhor situação é a do ensino médio, etapa em que o número de escolas sem biblioteca é de 3.471.

Norberto defende que, além da ação dos gestores, será necessário o envolvimento de toda a sociedade no desafio. "A lei é uma direção, mas ela não faz nada. Nós, sociedade, é que devemos fazê-la funcionar. A tarefa não é só dos gestores, imagine se cada empresário doasse um acervo para uma escola, em dois anos o problema estava resolvido", diz.

Na comparação entre as redes de ensino, a situação é pior nos colégios municipais, que contam com menos bibliotecas do que as escolas estaduais. O estudo do Todos pela Educação chama a atenção para outro fator que pode dificultar o cumprimento da lei: faltarão profissionais qualificados para trabalhar nesses espaços.

A legislação estabelece que as bibliotecas devem ser administradas por especialistas da área - os bibliotecários. Mas, segundo levantamento da entidade, hoje há um total de 21,6 mil profissionais habilitados, enquanto o país conta com aproximadamente 200 mil escolas de educação básica.


Inteligentzia Eleitoral
Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Nunca fui partidário político senão pela forma de governo: republicano e democrático.

Avizinhando-se outro momento de eleições, os candidatos começam a dar tiros pra todo lado e os eleitores ficam reféns de afirmações e promessas de campanhas que extravasam o bom senso, ou melhor, vão ao risível, ao ridículo, como o perpetrado pela candidata Dilma ao prometer em entrevista de rádio numa emissora de Londrina, no Paraná, que criará, com o ProMédio, bolsas de estudo em escolas privadas para alunos de baixa renda, abrindo vagas no ensino particular a alunos carentes. A promessa decorre do ranking divulgado pelos resultados do Enem, que apontou o enorme desastre do ensino público.

A candidata não está interessada em alocar verbas para melhorar o fundamental e o médio em escolas públicas, mesmo com os demonstrativos de que tais escolas estão em desespero socioeducacional. Não, ela quer resolver por vias políticas que os carentes, mais uma e outra vez, se beneficiem do cardápio de benesses de outra “bolsa” no curtume governamental.

Para ela, o programa funcionará(ia) nos moldes do ProUni, que oferece vagas em faculdades ou universidades particulares, com todas as mazelas de seus resultados. Dilma admitiu que “Fica claro que as escolas estaduais e municipais se saíram bastante mal” , quando comentou sobre o resultado do Enem, no qual escolas privadas tiveram os melhores resultados. Nem poderia ser diferente. Alguma dúvida ? Ora, ora, santos e divindades!

Resta saber se a “coisa” acontecerá por adesão e voluntariedade das IES particulares ou por “decreto”.

Aliás, não se sabe porque ainda não subjugaram as escolas da educação básica às avaliações pretorianas a que o Inep submete o ensino superior. Seria porque é “possível” avaliar escolas de educação superior, públicas e privadas nos mesmos gabaritos? Engano, crasso erro. Nada a ver.

Em recente artigo publicado pela Consae, sob o título “A Agonia das IES Nanicas”, o autor, Samuel José Casarin, com todo o respeito pela autoria, se equivoca no título da matéria. As IES, localizadas em cidades com até 50 mil habitantes estão, isto sim, em total desespero, na beira do abismo. Não contra o “canibalismo” das grandes e também das médias instituições mas ante o holocausto. Seja em presencialidade, seja em EAD. Não tem volta nem atalho. Aliás, o texto do autor é rico em detalhes estatísticos que comprovam as “quebras dos empreendimentos nanicos” (www.gestaouniversitaria.com.br).

Qual organismo educacional pode sobreviver diante da volúpia legisferante como indica o portal www.enciclopediadaeducacao.com.br, quando 13.606 normas querem regular a educação no país? É o acervo atual que acumula mais de 30 itens entre portarias, pareceres, despachos, resoluções, decretos, medidas provisórias, etc. etc. É bolero, cha-cha-cha, tango, valsa, funk e polca à vontade. Santa Maria!

Só para registro, com os resultados do Enem 2009, está consolidado que das mil piores escolas do país, 97,3% são estaduais. Como dizia o prof. Wagner Horta, em escola de ensino ruim a vítima é você, aluno.

Nenhum candidato, nem mesmo o atual governo, se deu conta de que a solução, definitivamente, está mais embaixo, com a formação ideal e adequada dos alunos de hoje que serão professores amanhã, ou seja, tratar com a máxima atenção os fazeres das pedagogias e das licenciaturas. Não temos professores capazes por competências e habilidades no manejo do fundamental e médio, porque tais cursos de formação não têm pessoal para tais propostas. A educação formativa na pedagogia e nas licenciaturas é mais do que deficiente, é mentirosa, e ninguém assume a irresponsabilidade. Currículos anacrônicos, conteúdos defasados, laboratórios inexistentes, aplicação de estágios e práticas obsoletos, tutores senis, salários em perspectivas irrealistas com o mercado colocam tais cursos em marcha a ré. Salvo melhor juízo de avaliação, pouquíssimos são os cursos que preparam pedagogos e licenciados para a EAD. Não conquistam capacitação para essa modalidade. Pode?

Novamente, o articulista Samuel José Casarin mostra isso com muita competência na amostragem da participação de grandes grupos na educação EAD. Os números falam mais do que a retórica.

Então, para os milhões de rádiouvintes que escutaram a baboseira de Dilma, configura-se estelionato educacional ou eleitoral? A candidata está inteirada do universo que compreende uma proposta dessa natureza, baseada em números históricos do real significado na eventual implementação do ProMédio? Com tal projeto o que fica de preocupante é que o governo de fato assumiria que suas escolas básicas não têm a saúde necessária para preparar os estudantes à universidade. E mais, gravíssimo, leia o publicado na Gazeta do Povo, transcrito a seguir, dando visão clara dos desacertos em políticas de não resultados de 8.165 “tadinhos”:

Eles passaram no ProUni, mas não ganharam a bolsa
Gazeta do Povo – 19/07/2010

“Abriram uma porta e logo depois a fecharam na minha cara”. Dessa forma o motorista Roberto Cosme Raimundo, 33 anos, explica a sensação de conquistar e perder, no mesmo dia, uma bolsa de estudos do Programa Universidade Para Todos, o ProUni, em que o governo federal concede bolsas em instituições privadas de ensino superior. No começo de julho, ele soube que havia sido pré-selecionado na segunda chamada para o curso de Comunicação Social com habilitação em Ra¬¬dialismo da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Na hora da matrícula, descobriu que a bolsa tinha sido cancelada, porque a instituição não havia recebido número suficiente de inscrições para formar uma turma.
O estudante não é o único bolsista do ProUni a enfrentar esta situação. Só no primeiro semestre deste ano, 8.165 candidatos tiveram a mesma decepção. Segundo o Ministério da Educação (MEC), esse foi o número de pré-selecionados pela nota do Enem, mas que acabaram sendo reprovados por não haver alunos suficientes para formar turma. O número representa 6,5% das 125.496 bolsas ofertadas para o período.

Então, pode ?
Em quermesse de igreja, o estande do coelho não tem porta pra ele entrar e assim pode levar um tiro, do atirador caolho, sem pontaria, do estande vizinho. O leitor está com a palavra.

Mesmo assim, os mantenedores das IES superiores estão com a atenção voltada para a “qualidade” de suas atividades e expedientes formativos frente às avaliações movediças, que pra tirar animal caído nelas só dando um tiro de misericórdia, na testa.

O presidente Lula faz tanto esforço para impor sua avaliação sobre a conduta do Irã na questão do enriquecimento do urânio, por que não fazer o mesmo para colocar um dedo no problema da educação básica? E já está tarde demais.
Pensa-se muito na Copa de 2014, mas ela não é tão importante quanto o futuro da educação nacional.

 
www.roneysignorini.com.br - 2010