Bomba,
Bomba !
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Embora
com 64 anos de idade, e não entenda nada de
armas nem de munições, começo a pensar na possibilidade
de fazer um curso sobre esses artefatos, tiro
ao alvo, defesa pessoal, e comprar revistas
especializadas. Quem sabe iniciar por estágios
em “paint ball”. O mais perto que chego sobre
algo contundente é o velho estilingue e nunca
consegui sequer acertar um pardal, na infância.
Mas, cá pra nós, o futuro se avizinha em escuridão,
preto total, de onde precisarmos todos nos tornar
Senhor da Guerra ou Senhor das Armas.
Essa foi minha percepção ao ler notícia no site
sobre as declarações do candidato do PSOL à
presidência nas próximas eleições,Plínio de
Arruda Sampaio, mais um que começa a dar tiros
pra todo lado, nas quais ele “defende o fim
das escolas privadas”, querendo tornar o sistema
educacional totalmente público. Valha me Deus
! É o que faltava para uma festança, tipo farra
do boi educacional.
O candidato está senil para ocupar o cargo pretendido
ou antes da entrevista se entregou a Baco. Por
mais razões que ele tenha ( ? ) com tal afirmação/proposta,
com certeza, não ganhou nem mais um voto. Seja
pelo tresloucado e disparate, não quanto à idéia
mas quanto a realidade numérica e estatística
que se mostra.
Os números falam por si quanto ao universo de
alunos no básico e no superior, ao volume de
escolas, cursos, e sobretudo valores. O SEMESP
—
— abriga tais informações, senão também o MEC-INEP.
O candidato sabe quanto custa um aluno em escola
particular e o mesmo aluno na pública ?
Nas públicas, em alguns deles, 2 ou 3 vezes
mais, em outros, 4 a 5 vezes mais.
O patrimônio/investimento das particulares ronda
aos bilhões de reais.
Mas, vamos à crítica construtiva sobre as afirmações
do candidato, ainda que com ironia, por força
de estilo:
1-)Com a medida ele pretende o fim das escolas
particulares evitando a desigualdade social
no país. É mesmo por aí ?;
2-)Os imóveis dessas escolas devem ser desapropriados
para que o acesso ao centro (?) se torne universal
e cita o Colégio Santa Cruz, de São Paulo. O
candidato não conhece o patrimônio das demais
escolas, básicas ou superiores ! ;
3-)Duvidando da meritocracia,
os professores devem receber o mesmo salário.
Com todo o respeito, o candidato sabe
do investimento pessoal de um professor do Piauí
e de São Paulo ou Rio de Janeiro ?;
4-)Ao se referir ao ProUni afirma que é preciso
dar mais atenção ao ensino básico, antes de
investir muito no universitário. Prezado
candidato, com todo o respeito, novamente, recomendo
ler uma crônica do Stanislaw Ponte Preta que
relata a saga de uma madre dirigindo uma Lambretta
pela Ponte da Amizade, em eventual contrabando
de algo.
5-)Ao se referir às cotas ele diz que “de certo
modo é um mal necessário e que na verdade não
deveria ser racial, deveria ser de pobreza.
Comé que é ? Certa feita meu motorista se apresentou
pedindo aumento de salário porque a mulher dele
estava grávida, sem que eu tivesse feito sexo
com ela. Eu deveria pagar pelo “bem bom de alguém”
? Pode ?
6-)Quanto à educação no campo é enaltecida a
ação do MST, cujos expedientes seriam a redenção.
Um momento, vamos organizar o galinheiro. Solução
educativa para qual fim? Ocupar/invadir terras
de outrem sem que a Lei admita ? É negar o Poder
Legislativo! ;
7-)Quanto à religião, deveriam fornecer curso
de pensamento religioso e os estudantes obrigados
a participar da escolha. Os pais dos alunos
deveriam ter o direito de escolher a religião
do professor. Quer dizer, a comunidade
é quem escolhe as habilidades e competências
do docente, não importando suas propriedades
profissionais e formativas mas só em função
da prática religiosa ?
Nesse quesito, questionado se a religião poderia
tornar-se um tema de segregação entre o povo
brasileiro o candidato admitiu que o risco existe,.
“mas também existe o intercâmbio de cultura”.
Ah! existe mas qual a solução e efetividade
dos resultados?
Desculpe
os contraditos no foco ideológico. Deram-se
por razão de deferência ao septuagenário, a
quem credito respeito pela cultura e Inteligência.
Sem bola de cristal na minha frente, não vai
dar certo, não mesmo, embora adote o bordão
latino “traditiones mores majorum”.
Em Tempo, recomendo a leitura de excelente artigo/considerações
sobre o Ensino Privado, Benefício Público, autoria
de Luiz Roberto Liza Curi
(
), de 28/07/2010, replicado no blog
Um tesouro chamado EGRESSO
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Em
outras oportunidades já destaquei a imensa importância
que as IES deveriam atribuir aos egressos de
seus cursos, voltando-se com políticas atraentes
para a manutenção da relação deles com a escola
(se é que ela existiu desde o ingresso, como
manda o figurino), como quem cuida de um cliente
cativo, reputando o MKT da fidelidade.
Afinal, o maior tesouro de uma escola é o aluno.
Podem existir prédios, corpos docente e administrativo,
bibliotecas e laboratórios, mas sem o aluno
a escola padece, perece e desaparece.
São poucas as IES que dão atenção ao seu egresso
e pouco se sabe deles após a solenidade de formatura.
Sequer podem se cadastrar numa AEA – associação
de ex-alunos – por esta inexistir ou ex-alunos
não se prestarem a alvo de pesquisas, por exemplo,
a ser feita pela CPA da instituição.
Assim,
com bom motivo, razão e propriedade, a Carta
Consulta, de Belo Horizonte, vai promover em
agosto
um curso sobre a Política de Egressos — coisa
nova por aqui —, contando com palestrantes americanos
que sabem das coisas, três grandes nomes da
gestão universitária americana. E que trajetória
profissional eles têm, incríveis e inusitadas.
O
relacionamento com alunos egressos é uma das
mais importantes questões para a gestão universitária
brasileira, lamentavelmente, insisto, quase
inexistente no setor. Os egressos podem auxiliar
no recrutamento e na retenção de alunos porque
são os principais "opinion makers"
do produto ensino, que consumiram. Assim, depoimentos
e testemunhos autênticos consolidam uma boa
imagem de serviços obtidos. Podem constituir
uma base de empregadores potenciais, se mantiverem
um longo vínculo com a IES. Mas não, até o foco
da educação continuada é relegado, pois não
se abre a eventual pós-graduação. Este relacionamento,
muitas vezes, é ignorado como um recurso e não
faz parte do plano estratégico da instituição.
Mas
como pensar e estabelecer uma política de egressos
capaz de gerar recursos humanos e financeiros
para o nosso sistema educacional? Como usar
o máximo do potencial dos egressos? Um caminho
pode ser trilhado pela análise de políticas
de sucesso, implantadas e desenvolvidas por
instituições que prosperam em mercados altamente
competitivos. Está aí uma oportunidade para
quem nunca ouviu falar do assunto.
EGRESSOS
EM CAPTAÇÃO DE ESTUDANTES
Muitas
escolas subestimam a importância de terem os
egressos envolvidos em seu plano de captação
de alunos. Os egressos desempenham um papel
fundamental em ajudar sua “alma mater”. A questão
é se todos os bons alunos com alto nível de
empregabilidade se disporiam a dar seus testemunhos.
Quem arrisca a resposta?
Um
dos palestrantes da Carta Consulta, o professor
Trent Argo (Georgetown College – Oklahoma Baptist
University), foi Diretor de Captação, Retenção,
Seleção e Desenvolvimento de alunos da Oklahoma,
bem como, na mesma função, da Campbellsville
University. Aí desenvolveu planos de marketing
e Estratégia para Crescimento dessas universidades
com aumento de 198% para os projetos de captação
e retenção. Foi presidente da Associação Americana
dos Diretores de Captação de Estudantes das
universidades americanas. Ou seja, cá pra nós,
nunca ouvimos falar que isso existe(ia).
PARTICIPAÇÃO ATIVA DE EGRESSOS NA IES
Os
egressos são o maior recurso que as Instituições
de Ensino têm e, sem a participação ativa deles,
as IES não podem alcançar seu melhor potencial.
Um pequeno perfil da professora Libba Andrews,
outra participante do seminário: nos últimos
20 anos, ela atuou em uma série de funções na
Universidade Estadual do Mississipi (MSU) e
atualmente detém o título de Diretora de Relações
com os Egressos, gerenciando um universo de
mais de 115 mil ex-alunos. Com esta capacidade,
ela tem sido responsável por elaborar o plano
estratégico da Associação dos Egressos.
RELACIONAMENTO
COM OS EGRESSOS
O
tema relações com egressos é um dos assuntos
mais críticos para as instituições de ensino
hoje. Relações saudáveis com os egressos reforçam
a base de apoio das instituições de ensino nas
áreas de captação de novos alunos, retenção
dos alunos atuais e sustentabilidade financeira
dessas instituições. Quem argumenta com bases
sólidas e profundos conhecimentos sobre a matéria
é o professor J. Robert Gaddis, também da Campbellsville
University. Com um currículo bem diferenciado,
o Dr. Gaddis tem o bacharelado em Música e Mestrado
em Educação pela Universidade do Kentucky. O
foco de sua atuação é na direção de programas
de música com espantoso crescimento de 25 programas
de graduação para os atuais 160, entre graduação
e pós-graduação.
Fato
é que a desatenção aos egressos vai além da
desídia institucional, negligência e descaso,
porque não é interpretada como um dos canais
mais vivos de interação e comunicação com a
coletividade, que se avoluma a cada formatura,
podendo atingir números muito significativos,
decorrentes de alguns anos na oferta de cursos.
E hoje, com a internet, não há o que se pensar
em custos para "falar" com todos eles,
seja um expediente simpático de cumprimentar
pelo aniversário, seja para informar sobre uma
atividade de extensão ou algum curso de especialização,
seja um convite para a comemoração de alguma
efeméride, etc. Em pouco tempo acaba se tornando
uma rede social das melhores (e que já existe,
por iniciativa dos próprios ex-alunos, basta
conferir no Orkut, Facebook e outros). E mais,
o egresso solteiro de hoje é pai amanhã, com
prole caminhando para os estudos.
Biruta Maluca – uma aparente redundância
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Dizem
por aí que uma coisa é uma coisa e que outra
coisa é outra coisa. Confere.
Do Aurelião, biruta é “Aparelho que indica a
direção dos ventos de superfície, empregado
nos aeródromos para orientação das manobras
dos aviões, e que tem a forma de uma sacola
cônica, instalada perpendicularmente à extremidade
dum mastro.”
Assim, biruta maluca seria o instrumento girando
em si mesmo, tresloucadamente, aos ventos de
ciclones e tempestades sem definição de orientações.
É o setor educacional no fundamental e médio.
Assim, nossa aeronave de terceiro grau, do superior,
é refém dos ventos. Como pousar e decolar com
segurança, com vento pela frente pelos lados
ou pela cauda?
A compilação que segue, do noticiário nacional
no mês de junho, vai além de preocupante pois
tem de tudo, instituições educacionais em propósitos
diagonais, considerações nefastas sobre a educação
infantil e ensino médio, falta de plano de educação
municipal e bibliotecas a construir pelo país.
Desastres que se contrapõem a quem pretende
a erigir Boa Imagem nas IES superiores e a construir
Qualidade nelas.
Justiça bloqueia R$ 1,8 milhão de dono de
escola com diploma falso
G1 – 20/06/2010
Uma escola da empresa Paulistec, que fica na
Penha, na Zona Leste de São Paulo, está envolvida
em um escândalo. A filial de Campo Grande foi
fechada no começo do mês. A Delegacia do Consumidor
indiciou o dono e mais quatro pessoas por estelionato
e formação de quadrilha. Além de não ter professor,
o curso a distância funcionava sem alvará da
prefeitura nem autorização das autoridades de
ensino para dar aulas ou aplicar provas. Mas
a polícia encontrou exames já preenchidos, faltando
apenas o nome do aluno.
Existem outras 23 filiais, em mais seis estados.
A de Interlagos, na Zona Sul da capital paulista,
nem fachada tem. No local, a atendente reconhece:
“aprender mesmo, eu sou bem sincera, ela não
vai aprender muita coisa”, diz outra atendente.
Polícia Federal abre inquérito e investiga
Uningá
Gazeta do Povo – 18/06/2010
Maringá - Atendendo a pedido da Pro¬curadoria
da República, a Polícia Federal em Maringá abriu
inquérito para investigar suposta prática de
estelionato pela Unidade de Ensino Superior
Ingá (Uningá), acusada de conceder irregularmente
bolsas do Programa Uni¬versidade para Todos
(ProUni). As investigações foram iniciadas ontem.
“O trabalho deve ser concluído em 30 dias, mas
o prazo pode ser prorrogado”, informou o delegado-chefe
da PF em Maringá, Donizete Tambani.
O pedido para abertura de inquérito foi motivado
pelas denúncias de que universitárias de classe
média-alta estariam estudando na instituição
usando bolsas do ProUni – direcionadas a estudantes
de baixa renda – desde 2008. O Ministério da
Educação (MEC) instaurou um processo administrativo
e, segundo o ministério, a defesa apresentada
pela Uningá está em fase final de análise. O
diretor administrativo da Uningá, Paulo Barbosa,
não quis se pronunciar sobre a defesa.
Dono de universidade em SP está entre os
acusados de fraudar concursos públicos, diz
PF
O Globo – 16/06/2010
SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu as 12
pessoas acusadas de fraudar concursos públicos
para a Polícia Federal, Receita Federal e OAB.
Entre os presos está um dono de universidade
em São Paulo. Os 120 candidatos identificados
como compradores dos gabaritos serão indiciados
por estelionato e receptação. Os concursos não
serão anulados.
Segundo a PF, estão sendo investigadas suspeitas
de fraudes em concursos para a Abin, a agência
do Sistema Brasileiro de Inteligência, e para
a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Ensino médio precisa incluir 2 milhões de
jovens
iG Brasília – 16/06/2010
O ensino médio passa por uma grande crise. A
opinião praticamente consensual entre especialistas
é reforçada por números que assustam. Da população
com idade entre 15 e 17 anos – que deveria estar
matriculada no ensino médio – apenas 48% frequentam
o ensino médio. O restante está atrasado, ainda
tentando aprender as lições do ensino fundamental.
Mas o que mais assusta os especialistas é a
quantidade de jovens com essa idade que está
fora da escola: 18%. O número aparentemente
pequeno esconde a realidade de 2 milhões de
jovens brasileiros. Esse, na opinião de especialistas,
deve ser o grande foco das políticas públicas
para a etapa final da educação básica.
Operação
contra o tráfico detém estudantes em Higienópolis
20 pessoas, entre eles alunos do Mackenzie,
foram identificados em ação do Garra em SP
18 de junho de 2010 | 18h 07
Eduardo Roberto, do estadão.com.br
SÃO PAULO - Uma operação do Garra (Grupo Armado
de Repressão a Roubos e Assaltos) deteve nesta
sexta-feira, 20 pessoas suspeitas de tráfico
e porte de drogas na região da Universidade
Mackenzie, em Higienópolis, na região central
de São Paulo.
Cinco são apontados como traficantes. Entre
eles, há um estudante de engenharia da Universidade
Mackenzie, um aluno do colégio da instituição,
um ex-aluno, um menor de idade e outro suspeito.
Os detidos foram levados à sede do Departamento
de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic),
na zona norte, para prestar esclarecimentos.
Onze pessoas foram indiciadas por uso de drogas.
Segundo o chefe dos investigadores do Deic,
Rodrigo Fukuoka, eles portavam maconha, cocaína,
crack e lança-perfume. Três foram liberados.
Um já era procurado pela Justiça por roubo e
segue detido.
As investigações da polícia na "Operação
Amsterdã" duraram 30 dias e foram feitas
nos bares das ruas Doutor Cesário Mota Júnior
e Maria Antonia, no centro da capital. Investigadores
se infiltraram entre os estudantes, usuários
e traficantes. Eles chegaram nesta tarde com
três viaturas descaracterizadas e abordaram
70 pessoas no local - entre eles, estudantes
de enfermagem da Santa Casa de Misericórdia.
Os policiais registraram as imagens da movimentação,
que serão usadas para identificar outros possíveis
envolvidos com o tráfico na região. No total,
50 agentes participaram da ação.
Procurado pela reportagem, o Mackenzie divulgou
a seguinte nota:
"O Mackenzie tomou ciência dos fatos ocorridos
na Rua Maria Antonia, local onde a polícia efetuou
uma blitz. Destacamos que o episódio aconteceu
fora das dependências do campus e, portanto,
a Instituição não tem ingerência em ações ocorridas
em espaço público. O Mackenzie habitualmente
desenvolve campanhas antidrogas em seus campi,
com o objetivo de orientar os alunos sobre os
malefícios no uso de drogas tanto ilícitas,
quanto lícitas."
Acesso ao ensino médio atinge esgotamento
Valor Econômico
17/06/2010
- De modo diferente do que ocorreu na educação
fundamental, a universalização do acesso ao
ensino médio no sistema educacional brasileiro
está longe de ser atingida. Com taxa de matrículas
estagnada nos últimos anos na casa dos 10 milhões
de alunos, o ciclo escolar enfrenta alto índice
de evasão, "difícil de ser corrigido",
segundo Carlos Artexes, diretor do Ministério
da Educação (MEC) responsável por políticas
públicas nesse segmento.
De
acordo com dados organizados pelo pesquisador
social Ricardo Paes de Barro, do Instituto Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), dois em cada dez
jovens brasileiros de 15 a 17 anos estão fora
da escola, o que representa 18% da população
nessa faixa etária - cerca de 2 milhões de pessoas.
Na faixa dos 18 aos 24 anos, 68% dos jovens
não estudam.
Na avaliação de Artexes, a taxa de matrícula
atual do ensino médio, estimada em mais de 80%
para jovens de 15 a 17 anos, alcançou um "esgotamento".
"Isso acontece em qualquer nível de ensino,
no fundamental chegamos a 97%; no médio é evidente
que a universalização se dê num patamar mais
baixo", comenta. Uma das explicações para
esse esgotamento, diz o educador, é a decisão
do próprio jovem. "Ele está construindo
sua autonomia e estar ou não na escola depende
cada vez mais dele e menos da posição dos pais",
resume.
Quase
metade dos municípios brasileiros não tem plano
de educação
Quase
metade dos municípios brasileiros não tem plano
municipal de educação. Das 5.565 localidades,
2.427 - ou 44% - não apresentam um conjunto
de metas educacionais a serem cumpridas pelo
poder público. Os dados são da Pesquisa de Informações
Básicas Municipais (Munic) do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada
neste ano.
Somente
no Estado de São Paulo, 284 dos 645 municípios
não têm plano - incluindo a capital, que começa
a consolidar o seu agora, e outras grandes cidades
como Araçatuba, Bauru, Campinas, Diadema, Ribeirão
Preto, Rio Claro, Santos, São José dos Campos
e Sorocaba.
Os
planos municipais, estaduais e federal são considerados
essenciais para efetivar e acompanhar políticas
em todas as áreas da administração pública.
Eles podem ser elaborados por consultorias,
pelas secretarias ou com a colaboração da sociedade.
"Esse número pode ser ainda menor porque
existem muitos planos que foram aprovados mas
não se traduziram em lei", afirma o presidente-executivo
do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves
Ramos.
O
Plano Municipal de Educação
O Estado de São Paulo. 14/06/2010 – São Paulo
Com
o objetivo de discutir mais de 3 mil propostas
para a formulação de um Plano Municipal de Educação,
a Prefeitura de São Paulo realizará uma conferência
no Palácio de Convenções do Anhembi, entre os
dias 18 e 20 de junho. Embora a elaboração do
Plano seja uma exigência legal que existe desde
2001, os prefeitos que dirigiram cidade nos
últimos nove anos descumpriram essa determinação,
alegando não disporem de recursos orçamentários
suficientes para implementá-la. A realização
da conferência tornou-se possível por causa
da mobilização de associações de pais e mestres,
de entidades comunitárias, de sindicatos, de
órgãos empresariais, de movimentos sociais e
de ONGs que defendem os direitos das crianças
e dos adolescentes. Além de cobrar o cumprimento
da legislação pela Prefeitura, eles ajudaram
a elaborar um diagnóstico de cada um dos 96
distritos e das 31 subprefeituras da cidade
de São Paulo e colocaram todos os relatórios,
mapas, indicadores e estatísticas na internet
? iniciativa que contou com o apoio de institutos
sociais mantidos por grandes empresas privadas
e de ONGs com atuação mundial.
O Plano Municipal de Educação deve ser um documento
orientador de políticas públicas, definindo,
com força de lei, as prioridades do setor no
prazo de dez anos. Elas têm de ser obrigatoriamente
seguidas pelas autoridades municipais. Introduzido
originariamente pela Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional, o objetivo do Plano é
assegurar a continuidade das políticas educacionais,
evitando que cada prefeito, ao assumir o mandato,
modifique ou até revogue tudo o que foi feito
por seu antecessor. Além de estabelecer metas
para a rede escolar pública de ensino fundamental,
o Plano fixa diretrizes que orientam os colégios
da rede privada.
''Por
que Joãozinho não aprende a ler''
O Estado de São Paulo, 15/06/2010 - São Paulo
SP
JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA
O
título deste artigo reproduz o de um livro publicado
em 1953 e que provocou intenso debate sobre
métodos de alfabetização. A polêmica durou até
o final do século, quando o assunto foi definitivamente
resolvido. No resto do mundo, não no Brasil.
Uma análise das 19 cartilhas de alfabetização
aprovadas pelo Ministério da Educação (MEC)
em 2009, e que estão em uso na maioria das escolas
públicas, revela a razão. Neste artigo, comentamos
apenas alguns aspectos dessa análise. Comecemos
pela bibliografia citada pelos autores. Bibliografia
reflete as orientações usadas. Dentre as 265
referências bibliográficas citadas nas 19 cartilhas,
apenas cinco se referem a estudos especificamente
voltados para os aspectos centrais da alfabetização,
isto é, o funcionamento do código alfabético.
Nas cinco, dois autores são os mais citados.
Trata-se dos mesmos que o MEC vem mencionando
desde que os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs) entronizaram as ideias ultrapassadas
e equivocadas que continuam desorientando os
professores em todo o País. Cabe notar que,
nessas 265 citações, não há referência alguma
a nenhum dos artigos mais citados nos índices
de publicações científicas internacionais sobre
alfabetização ou nos documentos oficiais dos
demais países que utilizam o código alfabético.
Em matéria de pedagogia, não é só o MEC que
está na contramão dos progressos da ciência:
alguns governos estaduais e municipais, que
continuam produzindo suas próprias cartilhas,
o fazem com base nos mesmos pressupostos equivocados.
Outro
aspecto da análise se refere ao descumprimento
sistemático dos termos de referência do edital
do Programa Nacional do Livro Didático. Por
insistência pessoal do ministro Fernando Haddad,
que enfrentou ruidosas resistências internas
e externas, o edital introduziu dois requisitos:
a apresentação adequada dos fonemas e grafemas
- base de qualquer processo de alfabetização
- e atividades próprias para desenvolver fluência
de leitura. Esses dois requisitos não foram
observados de forma minimamente adequada em
nenhuma das cartilhas aprovadas. O prejuízo
pedagógico é óbvio. Cabe ao Tribunal de Contas
da União (TCU) decidir se isso constitui delito
de improbidade administrativa por parte de quem
deu e de quem aceitou os pareceres sobre essas
cartilhas.
Cartilhas
elaboradas com base em pressupostos equivocados
não ajudam as crianças a aprender a ler e escrever.
Mas qual é, de fato, o objetivo das cartilhas
aprovadas? De acordo com seus autores, o importante
é promover o letramento, os usos sociais da
língua, a intertextualidade, as múltiplas linguagens,
a produção textual e outros pomposos desideratos.
O domínio do código alfabético que se dane!
Ou que se danem os alunos, como atestam os resultados
do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb)
e as pesquisas sobre a capacidade de leitura
dos brasileiros.
Na
prática, o que acontece com as cartilhas é o
mesmo que ocorre com os livros didáticos, especialmente
os de Língua Portuguesa - um samba do crioulo
doido. Nas primeiras páginas das cartilhas,
por exemplo, o aluno é convidado a escolher
quais palavras do texto (que ele não sabe ler)
indicam frutas. Ou é convidado a "escrever
do seu jeito" o nome das ilustrações. Ou
a combinar sílabas, cuja leitura não lhe foi
ensinada, para formar palavras. Ou a identificar,
"usando pistas contextuais", qual
de três frases completa um texto. Ou seja, tudo
se passa como se a criança fosse um novo Champolion
desafiado a decifrar a Pedra de Roseta. Ou a
"formular hipóteses" sobre o valor
fonológico dos grafemas. Se as pessoas fossem
capazes de formular hipóteses pela mera exposição
aos textos, como explicar a existência de analfabetos
adultos numa sociedade urbana e letrada? Nos
países desenvolvidos, a questão dos métodos
de orientações curriculares, nas últimas semanas.
Eis
o que diz um dos mais importantes neurocientistas
da atualidade, Stanislas Dehaene, na sua obra
Os Neurônios da Leitura: "A conversão grafema-fonema
é uma invenção única na história da escrita,
que transforma radicalmente o cérebro da criança
e sua maneira de ouvir os sons da língua. Ela
não se manifesta espontaneamente, portanto,
é preciso ensinar." Quanto à forma de ensinar,
a ciência experimental demonstra que para alfabetizar
bem é necessário apresentar os fonemas e grafemas
de forma sequencial, intencional e sistemática.
Essa é a função das cartilhas. O tema foi inclusive
objeto de relatório e recomendações recentes
da Academia Brasileira de Ciências, mas continua
ignorado pelo establishment educacional.
Ignorar
os avanços da neurociência e as evidências experimentais
acumuladas sobre métodos de alfabetização não
significa apenas defender uma posição ideológica
a respeito da alfabetização: significa rejeitar
a ideia de que a ciência pode contribuir para
melhorar o ensino.
Ou seja, pedagogia, como bruxaria, dispensa
a ciência. Valem apenas as crenças e o poder
de pressão das corporações. E é isso que fazem
as universidades, no Brasil, e as autoridades
responsáveis pela educação na maioria de nossas
redes de ensino. Não sabemos o que o TCU e o
MEC farão para correr atrás do prejuízo. Mas
sabemos quais são os resultados dessa política:
no 5.º ano do ensino fundamental, metade das
crianças não consegue entender o que lê. E agora
sabemos por que Joãozinho não aprende a ler,
no Brasil.
Professores
"leigos" crescem 35% em dois anos
Dados do Inep mostram que professores sem diploma
de ensino superior continuam sendo contratados
para dar aulas na educação básica
Priscilla Borges, iG Brasília
O número de “professores leigos” no Brasil –
que só concluíram o ensino fundamental ou o
ensino médio regular – aumentou em todas as
etapas da educação básica. Dados do Censo Escolar
2009 mostram que 152.454 profissionais dão aulas
sem a formação adequada para alunos matriculados
em creches, pré-escolas, ensino fundamental
e até ensino médio nas cinco regiões do País.
Eles representam apenas 7,7% dos docentes que
atuam hoje nas escolas brasileiras. O total
é de 1.977.978. Mas, para os especialistas,
as estatísticas são chocantes, porque, após
a chamada “Década da Educação” iniciada com
a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação em 1996, a quantidade de profissionais
sem qualificação necessária para dar aulas não
diminuiu e, sim, cresceu.
Em
2007, eles eram 6,3% do total de professores
da educação básica. O primeiro censo realizado
pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para traçar
o perfil desses docentes, divulgado no ano passado,
mas feito com dados de 2007, revelou que 15.982
dos profissionais sem formação ideal tinham
apenas o diploma do ensino fundamental. Em 2009,
a mesma categoria de docentes caiu para 12.480.
O problema está na crescente contratação de
quem completou apenas o ensino médio regular.
Em 2007, 103.341 professores brasileiros estavam
nessa situação. No ano passado, eles somavam
139.974. O aumento chega a 35,4% em dois anos.
O maior crescimento foi na educação infantil,
em que eles representavam 16,1% do total de
docentes dessa etapa em 2007 e, agora, equivalem
a 19,6% do total.
Mas nenhuma etapa ficou imune a esse crescimento.
Nas turmas de ensino médio do País, há 21.896
docentes que dão aulas sem diploma de nível
superior ou magistério (que também seria insuficiente
para assumir esse compromisso). “É um dado para
refletirmos profundamente. Temos de estranhar
muito que um professor que estudou até o ensino
médio dê aulas para essa mesma etapa”, afirma
a presidente do Conselho Nacional de Educação,
Clélia Brandão. Para ela, a explicação para
isso pode estar na falta de planejamento de
estados e municípios nos processos de formação
continuada dos quatros de professores. “Um dos
motivos que poderia levar a essa contratação,
mas que não a justificaria, é a falta de professores
de química, física e matemática. Talvez, esses
professores já estejam cursando uma faculdade,
mas ainda não a concluíram”, pondera. “Houve
muito investimento em formação nos últimos anos.
Mas a prioridade foi dada para o curso de pedagogia.
Esse é um dado que pode revelar um erro nesse
sentido”, analisa.
Qualificação,
desafio antigo
- Em meio a tantas discussões sobre a criação
de um Exame Nacional de Ingresso na Carreira
Docente, a formação dos profissionais que cuidam
da educação das crianças brasileiras se mostra
um desafio. Se a legislação educacional fosse
cumprida, o total de professores que não poderia
dar aulas a crianças ou adolescentes brasileiros
aumentaria ainda mais. Aos leigos, se juntariam
os docentes sem licenciatura: 62.373 pessoas
em 2009. A LDB diz, em seu artigo 62, que a
“formação de docentes para atuar na educação
básica far-se-á em nível superior, em curso
de
licenciatura, de graduação plena, em universidades
e institutos superiores de educação, admitida,
como formação mínima para o exercício do magistério
na educação infantil e nas quatro primeiras
séries do ensino fundamental, a oferecida em
nível médio, na modalidade Normal”.
País precisará construir 25 bibliotecas por
dia para cumprir nova lei
Lei determina que todas as instituições educacionais
devem ter biblioteca até 2020
02 de junho de 2010 | 12h 21
Leonardo Soares/AE
Pior situação é no ensino fundamental, no qual
o déficit é de 93 mil bibliotecas
Agência Brasil
BRASÍLIA - Municípios e Estados terão muito
trabalho para cumprir a lei sancionada na semana
passada que determina que toda a escola deve
ter uma biblioteca. O maior desafio está nos
estabelecimentos do ensino fundamental: será
necessário construir 25 bibliotecas por dia
até 2020, prazo limite para adequação à medida.
O diagnóstico é de um estudo realizado pelo
movimento Todos pela Educação, com base em dados
do Censo da Educação Básica de 2008. "Essa
dificuldade é decorrente da falta de visão do
Brasil sobre a importância da biblioteca. No
mundo todo as bibliotecas são doadas por mantenedores
que têm uma alegria imensa de poder doar um
acervo", compara Luis Norberto, do Comitê
Gestor do Todos pela Educação.
O déficit de bibliotecas no ensino fundamental
é de 93 mil. Desse total, 89,7 mil são escolas
públicas e 3,9 mil, estabelecimentos privados
de ensino. Na educação infantil, apenas 30%
dos colégios têm acervo e será necessário criar
21 bibliotecas por dia para cumprir o que determina
a nova lei. A melhor situação é a do ensino
médio, etapa em que o número de escolas sem
biblioteca é de 3.471.
Norberto defende que, além da ação dos gestores,
será necessário o envolvimento de toda a sociedade
no desafio. "A lei é uma direção, mas ela
não faz nada. Nós, sociedade, é que devemos
fazê-la funcionar. A tarefa não é só dos gestores,
imagine se cada empresário doasse um acervo
para uma escola, em dois anos o problema estava
resolvido", diz.
Na comparação entre as redes de ensino, a situação
é pior nos colégios municipais, que contam com
menos bibliotecas do que as escolas estaduais.
O estudo do Todos pela Educação chama a atenção
para outro fator que pode dificultar o cumprimento
da lei: faltarão profissionais qualificados
para trabalhar nesses espaços.
A legislação estabelece que as bibliotecas devem
ser administradas por especialistas da área
- os bibliotecários. Mas, segundo levantamento
da entidade, hoje há um total de 21,6 mil profissionais
habilitados, enquanto o país conta com aproximadamente
200 mil escolas de educação básica.
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Inteligentzia
Eleitoral
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Nunca
fui partidário político senão pela forma de governo:
republicano e democrático.
Avizinhando-se outro momento de eleições, os candidatos
começam a dar tiros pra todo lado e os eleitores
ficam reféns de afirmações e promessas de campanhas
que extravasam o bom senso, ou melhor, vão ao risível,
ao ridículo, como o perpetrado pela candidata Dilma
ao prometer em entrevista de rádio numa emissora
de Londrina, no Paraná, que criará, com o ProMédio,
bolsas de estudo em escolas privadas para alunos
de baixa renda, abrindo vagas no ensino particular
a alunos carentes. A promessa decorre do ranking
divulgado pelos resultados do Enem, que apontou
o enorme desastre do ensino público.
A candidata não está interessada em alocar verbas
para melhorar o fundamental e o médio em escolas
públicas, mesmo com os demonstrativos de que tais
escolas estão em desespero socioeducacional. Não,
ela quer resolver por vias políticas que os carentes,
mais uma e outra vez, se beneficiem do cardápio
de benesses de outra “bolsa” no curtume governamental.
Para ela, o programa funcionará(ia) nos moldes do
ProUni, que oferece vagas em faculdades
ou universidades particulares, com todas as mazelas
de seus resultados. Dilma admitiu que “Fica claro
que as escolas estaduais e municipais se saíram
bastante mal” , quando comentou sobre o resultado
do Enem, no qual escolas privadas tiveram os melhores
resultados. Nem poderia ser diferente. Alguma dúvida
? Ora, ora, santos e divindades!
Resta saber se a “coisa” acontecerá por adesão e
voluntariedade das IES particulares ou por “decreto”.
Aliás, não se sabe porque ainda não subjugaram as
escolas da educação básica às avaliações pretorianas
a que o Inep submete o ensino superior.
Seria porque é “possível” avaliar escolas de educação
superior, públicas e privadas nos mesmos gabaritos?
Engano, crasso erro. Nada a ver.
Em recente artigo publicado pela Consae,
sob o título “A Agonia das IES Nanicas”, o autor,
Samuel José Casarin, com todo o respeito pela autoria,
se equivoca no título da matéria. As IES, localizadas
em cidades com até 50 mil habitantes estão, isto
sim, em total desespero, na beira do abismo. Não
contra o “canibalismo” das grandes e também das
médias instituições mas ante o holocausto. Seja
em presencialidade, seja em EAD. Não tem volta nem
atalho. Aliás, o texto do autor é rico em detalhes
estatísticos que comprovam as “quebras dos empreendimentos
nanicos” ().
Qual
organismo educacional pode sobreviver diante da
volúpia legisferante como indica o portal ,
quando 13.606 normas querem regular a educação no
país? É o acervo atual que acumula mais de 30 itens
entre portarias, pareceres, despachos, resoluções,
decretos, medidas provisórias, etc. etc. É bolero,
cha-cha-cha, tango, valsa, funk e polca à vontade.
Santa Maria!
Só para registro, com os resultados do Enem 2009,
está consolidado que das mil piores escolas do país,
97,3% são estaduais. Como dizia o prof. Wagner Horta,
em escola de ensino ruim a vítima é você, aluno.
Nenhum
candidato, nem mesmo o atual governo, se deu conta
de que a solução, definitivamente, está mais embaixo,
com a formação ideal e adequada dos alunos de hoje
que serão professores amanhã, ou seja, tratar com
a máxima atenção os fazeres das pedagogias e das
licenciaturas. Não temos professores capazes por
competências e habilidades no manejo do fundamental
e médio, porque tais cursos de formação não têm
pessoal para tais propostas. A educação formativa
na pedagogia e nas licenciaturas é mais do que deficiente,
é mentirosa, e ninguém assume a irresponsabilidade.
Currículos anacrônicos, conteúdos defasados, laboratórios
inexistentes, aplicação de estágios e práticas obsoletos,
tutores senis, salários em perspectivas irrealistas
com o mercado colocam tais cursos em marcha a ré.
Salvo melhor juízo de avaliação, pouquíssimos são
os cursos que preparam pedagogos e licenciados para
a EAD. Não conquistam capacitação para essa modalidade.
Pode?
Novamente, o articulista Samuel José Casarin mostra
isso com muita competência na amostragem da participação
de grandes grupos na educação EAD. Os números falam
mais do que a retórica.
Então,
para os milhões de rádiouvintes que escutaram a
baboseira de Dilma, configura-se estelionato educacional
ou eleitoral? A candidata está inteirada do universo
que compreende uma proposta dessa natureza, baseada
em números históricos do real significado na eventual
implementação do ProMédio? Com tal projeto o que
fica de preocupante é que o governo de fato assumiria
que suas escolas básicas não têm a saúde necessária
para preparar os estudantes à universidade. E mais,
gravíssimo, leia o publicado na Gazeta do Povo,
transcrito a seguir, dando visão clara dos desacertos
em políticas de não resultados de 8.165 “tadinhos”:
Eles
passaram no ProUni, mas não ganharam a bolsa
Gazeta do Povo – 19/07/2010
“Abriram uma porta e logo depois a fecharam na minha
cara”. Dessa forma o motorista Roberto Cosme Raimundo,
33 anos, explica a sensação de conquistar e perder,
no mesmo dia, uma bolsa de estudos do Programa Universidade
Para Todos, o ProUni, em que o governo federal concede
bolsas em instituições privadas de ensino superior.
No começo de julho, ele soube que havia sido pré-selecionado
na segunda chamada para o curso de Comunicação Social
com habilitação em Ra¬¬dialismo da Universidade
Tuiuti do Paraná (UTP). Na hora da matrícula, descobriu
que a bolsa tinha sido cancelada, porque a instituição
não havia recebido número suficiente de inscrições
para formar uma turma.
O estudante não é o único bolsista do ProUni a enfrentar
esta situação. Só no primeiro semestre deste ano,
8.165 candidatos tiveram a mesma decepção. Segundo
o Ministério da Educação (MEC), esse foi o número
de pré-selecionados pela nota do Enem, mas que acabaram
sendo reprovados por não haver alunos suficientes
para formar turma. O número representa 6,5% das
125.496 bolsas ofertadas para o período.
Então, pode ?
Em quermesse de igreja, o estande do coelho não
tem porta pra ele entrar e assim pode levar um tiro,
do atirador caolho, sem pontaria, do estande vizinho.
O leitor está com a palavra.
Mesmo
assim, os mantenedores das IES superiores estão
com a atenção voltada para a “qualidade” de suas
atividades e expedientes formativos frente às avaliações
movediças, que pra tirar animal caído nelas só dando
um tiro de misericórdia, na testa.
O
presidente Lula faz tanto esforço para impor sua
avaliação sobre a conduta do Irã na questão do enriquecimento
do urânio, por que não fazer o mesmo para colocar
um dedo no problema da educação básica? E já está
tarde demais.
Pensa-se muito na Copa de 2014, mas ela não é tão
importante quanto o futuro da educação nacional.
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