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A
culpada é a Geni
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Mas,
quem, afinal, é a Geni no tocante aos resultados
dos últimos exames propostos pela OAB, em nível
nacional? São as faculdades, a própria OAB e as
dificuldades nos testes, o MEC, o Inep e suas avaliações,
o CNE e suas aprovações de cursos?
Um momento. Nove entre dez são reprovados? Aí tem
gato na tuba e miando num diapasão irreconhecível:
Rá diminuto. Dá pra entender? Claro que não! Não
existe isso. Ou seja, continuam buscando o vilão
onde ele não está e nunca esteve: no curso superior.
É a história do “mais embaixo”: no fundamental e
médio. Claríssimo.
Alguma
dúvida que todos os cursos de Direito propugnam
por manter os melhores docentes / profissionais,
operadores do Direito na ativa ou fora dela, mas
atuantes em qualquer esfera jurisdicional?
E
ainda há quem queira suprimir o exame da OAB. Peraí,
mano? Qual é? Tá prevalecendo a cartilha do “Nóis
vende os peixe”. Alguma dúvida de que o cidadão
não vai entender muito bem a leitura dos códigos
(Civil – Comercial – Tributário – Penal – Eleitoral
– Trabalhista, etc. etc.)?
Ler até que é possível, mas interpretar, a sintaxe,
ops! Tem uma distância abissal entre as duas paredes.
Partindo
da premissa de que o advogado é fundamentalmente
um grande comunicador, escrevendo, falando ou usando
gestos, o leitor tem a informação de algum curso
de Direto no país cujo currículo contemple linguística,
semiologia e semiótica, para não dizer os princípios
normativos da gramática? A pergunta é óbvia diante
de tudo que temos lido sobre cartilhas, ensino público,
etc., etc.
Pois
bem, de nada adianta ler e/ou interpretar dispositivos
normativos legais sem poder levá-los à discussão,
à luz da argumentação e/ou persuasão.
Talvez
haja uma saída. Vale a pena tentar com uma turma.
A relação custo-benefício é muito pequena. Aposto
na proposta de incluir uma disciplina de 4h semanais/anuais.
Anos
atrás coloquei os meus argumentos para coordenador
de curso que os levou para mantenedor. Não foi aceita.
O motivo : custo.
Aqui
vai: se o advogado é fundamentalmente um comunicador,
por que ele não sabe nada sobre isso – a COMUNICAÇÃO
–, em todas as suas dimensões, oral, escrita, gestual,
ou seja, verbal e não verbal?
O que a nova geração de advogados sabe sobre linguística,
semiologia e semiótica ? Qual teoria de comunicação
conhece esse novo advogado ? Os veteranos correram
atrás num autodidatismo.
A
maioria dos advogados, promotores e juízes já adotou,
ou melhor, descartou as linguagens rançosas e passou
a usar textos que, embora menos formais, perseguem
a clareza informacional, respondendo às perguntas
básicas de qualquer texto jornalístico: O QUÊ, QUEM,
QUANDO, COMO, POR QUE, ONDE?
De
que vale o conhecimento das leis contidas nos códigos
se os operadores do direito não têm a mínima condição
argumentativa/persuasiva, dependente de um discurso
bem estruturado? E, por força das condições, gramaticalmente
correto.
Para
completar, não desacredito na competência de corpo
docente assim como não subestimo a inteligência
dos alunos. A iniciativa não tem nada a ver com
SANTOS & MILAGRES, é só uma questão de vontade
mesmo, de visão, para instrumentalizar.
Tem
Juiz, Promotor e Desembargador, todos aposentados,
com extremada dedicação à vida jurídica, passando
vergonha nas lides educacionais porque não contam
com o mínimo de discernimento dos mantenedores apoiando-os
no suporte da expressão da língua, da gramática
para dar apoio aos entendimentos, pareceres e julgados
à luz dos Pessoas ou Camões, Ruys e demais.
Se
in vino veritas, in verba et verbo veritas, ou seja,
terá muito valor aplicar recursos numa disciplina,
acrescentada ao currículo, que dê um norte linguístico
às petições e recursos. E está aberta a “porta da
esperança”, para todos.
Numa
analogia simples, nossos futuros causídicos estão
sentados numa Mitsubishi último tipo, parados na
estrada, sem combustível. Pode ?
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