Barômetro & Bafômetro
Por Ana Tereza
Pinto Oliveira – Mestre em Língua Portuguesa pela
PUC-SP
Dias atrás li interessante e curioso
artigo, apócrifo, a respeito de um estudante que
se envolvera com questão de Física e devia dar
solução a uma medição da altura de um prédio com
um barômetro. Vale a pena (re)ler.
A narrativa envolve três personagens: o universitário,
o docente que propusera
um problema de prova – e sua consequente avaliação
–, além de outro docente
chamado a "fazer a revisão da nota"
atribuída, que fora zero, pelo inconformismo desafiador
do estudante "prejudicado".
Instigada
por uma paronomásia (emprego de palavras semelhantes
no som, porém diversas na significação), fiz uma
reflexão a partir da leitura de Barômetro, induzida
por outras sobre as gerações mais recentes, que
pesquisadores e profissionais de RH, pedagogos e
psicólogos vêm fazendo sobre as gerações de final
de alfabeto – as chamadas gerações X, Y e Z. Esses
profissionais estão tentando entender o comportamento
de crianças e jovens multitarefas, que fazem muitas
coisas simultaneamente e, colaborativos e ágeis,
compartilham ideias com facilidade, mostrando-se
acostumados a um ambiente de mudanças e incertezas.
Feliz
esse professor que cruzou com um jovem inconformado
com respostas únicas e definitivas para um problema.
Aliás, o que no passado também não era mutável e
incerto? O perfil do aluno questionador sempre foi
aquele buscado por quem é realmente mestre. Nada
mais revigorante para um professor do que um aluno
inquieto, que questiona, que interage.
O
triste hoje é o problema do bafômetro – jovens alienados
em sala de aula, muitas vezes, por problemas alcoólicos.
O extraclasse, em horário de aula, é cada vez mais
uma realidade deprimente e assustadora: universidades
e faculdades rodeadas de bares que congregam uma
horda de “estudantes” cujo interesse é beber cerveja,
ouvir “um som” que guincha através de porta-malas
abertos com uma parafernália sonoro-digital de fazer
inveja a muitos ambientes profissionais, “jogar
um lero” na menina(o) e, eventualmente, consumir
drogas ilícitas.
Incrédula,
ao final da aula, tento passar por ruas abarrotadas
de jovens (muitas vezes em situação deprimente de
vomitar em calçada) que foram à universidade/faculdade
para quê? me pergunto. Como se permite (leia-se
MEC e as próprias instituições) a existência desse
“poder paralelo” corruptor de uma juventude X, Y,
Z, que tem tudo para virar a mesa e propor uma nova
realidade – melhor e mais solidária – para o século
XXI?
Seremos
nós, professores, em parte responsáveis também por
essa situação? Está faltando a nós o exercício do
não, do cabresto curto na assiduidade e na cobrança
de uma postura responsável, esperada de um universitário?
Talvez.
Os
cursos de formação de professores ainda não mereceram
atenção urgente quanto a conteúdos, linguagem e
metodologia para enfrentar situações novas advindas
de fatores econômicos, sociais, culturais e evolutivos
que, somados aos paradigmas existentes em cada família,
moldam a identidade dessa nova geração de alunos.
Falta-nos a comunicação com essas novas gerações
para a qual o mundo não tem fronteiras e informação
não é o problema. A questão, no entanto, está exatamente
aí: se informação não é o problema, seleção é imperativo
sem o qual essa informação é amontoado de entulho
sem finalidade.
Acredito
que nossa contribuição a essa geração seja ensiná-la
a selecionar, a separar o joio do trigo, seja no
conhecimento formal, seja nas atitudes. Afinal a
embriaguez do conhecimento vale infinitamente mais
que uma latinha de cerveja.
Construtivismo e Explodismo
Por Ana Tereza Pinto Oliveira – Mestre em Língua
Portuguesa pela PUC-SP
Corre
solto por aí que o aprendizado de violão, no Brasil,
só pode ser feito de "ouvido". Nada de
partituras, pentagramas e quetais. Pelo menos foi
assim que grandes violeiros de outrora chegaram
às emissoras de rádio, e ainda hoje.
Não era o que pensava o mestre Francisco de Asis
Tárrega Eixea (1852— 1909) um importante violonista
espanhol que revolucionou a composição para violão.
Assim como aprender a tocar violão, teoria pedagógica
também vem sendo aprendida e executada de orelhada,
independente do resultado, se aplicada na base do
só ter ouvido falar, lido alguma coisa, presenciado
alguma palestra.
Há
quase uma década, docentes brasileiros independente
se no fundamental, médio ou superior se propõem
a colocar em prática, num estalar de dedos, o Construtivismo
em salas de aulas.
A
concepção do construtivismo não é uma teoria mas
referencial para o docente ser levado a solucionar
situações de aprendizado. Portanto, valioso instrumento
de análise educativa, muito útil para decisões relativas
ao planejamento, aplicação e avaliação no ensino,
ou seja, ferramenta do pensamento psicopedagógico
docente. Um referencial que identifica problemas
decorrendo soluções articuladas, interativas e dialeticamente.
Semanas
atrás o festejado professor Cláudio de Moura Castro,
em sua página na revista VEJA, laborou sobre o assunto
com interessante título: Construtivismo e Destrutivismo.
E explodiu a matéria com sua inteligência focada
no olho da página : O Construtivismo é uma hipótese
teórica atraente e que pode ser útil na sala de
aula. Mas, nos seus desdobramentos espúrios, vira
uma cruzada religiosa, claramente nefasta ao ensino.
E
avança no texto, com muita propriedade e com certa
ira, com muita razão, batendo com as duas mãos,
assumindo que tem a missão árdua de desmontar o
construtivismo junto aos seus discípulos mais radicais,
culpados de transformar uma ideia interessante numa
seita fundamentalista.
Seguindo,
enumera quatro equívocos grosseiros e estruturais
que em sua visão invalidam a aplicação da teoria
na educação: pensar que o docente teria o monopólio
da verdade; achar que todo aprendizado requer degraus
mentais
contidos no construtivismo e que sem maiores elaborações
intelectuais aprendemos ortografia, tabuadas e a
etmologia; aceitar uma teoria científica como verdadeira
se atribuída a algum guru planetário —que só adota
o empirismo, sem observações rigorosas, só no chão
das teorias; e por último, de terríveis consequências,
imaginar que cada aluno aporende de jeito próprio
e que o modo instrucional adaptado a cada um. Nesse
particular, o docente rejeitaria livros e manuais
standarizados quando sabidamente estes são superiores
às improvisações despreparadas e até inconvenientes.
Centenas de pesquisas mostram as vantagens de instruções
estruturadas, planificadas e detalhadas.
O construtivismo não nega instruções detalhadas.
Afirma-se que é impossível aplicar o método sem
elas.
Aulas sem conteúdos e planos previamente definidos
definham ao longo do ano letivo.
Com o uso da hipótese teórica do construtivismo,
bem alicerçado em detalhes, em detrimento às improvisações
e ao achismo egoísta dos docentes, pode-se sem preocupação
levar aos alunos a "construírem" seus
conhecimentos com incrível facilidade.
É,
talvez, o emprego de uma prática docente que mais
propicia aprendizagem,
tanto na dimensão individual como na social, assumindo
o docente a condição de agente mediador entre o
indivíduo, sociedade e o aluno como aprendiz social.
A função completa da escola. Não é pouca responsabilidade,
transcende a docência para se tornar um monitor,
tutor ou preceptor.
Mas isso tudo não ocorre se não houver total apoio
das direções, coordenações e reitorias que visem
um ensino de qualidade.
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Construtivismo
e Explodismo
Por Ana Tereza Pinto
Oliveira – Mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP
Corre
solto por aí que o aprendizado de violão, no Brasil,
só pode ser feito de "ouvido". Nada de
partituras, pentagramas e quetais. Pelo menos foi
assim que grandes violeiros de outrora chegaram
às emissoras de rádio, e ainda hoje.
Não era o que pensava o mestre Francisco de Asis
Tárrega Eixea (1852— 1909) um importante violonista
espanhol que revolucionou a composição para violão.
Assim como aprender a tocar violão, teoria pedagógica
também vem sendo aprendida e executada de orelhada,
independente do resultado, se aplicada na base do
só ter ouvido falar, lido alguma coisa, presenciado
alguma palestra.
Há
quase uma década, docentes brasileiros independente
se no fundamental, médio ou superior se propõem
a colocar em prática, num estalar de dedos, o Construtivismo
em salas de aulas.
A
concepção do construtivismo não é uma teoria mas
referencial para o docente ser levado a solucionar
situações de aprendizado. Portanto, valioso instrumento
de análise educativa, muito útil para decisões relativas
ao planejamento, aplicação e avaliação no ensino,
ou seja, ferramenta do pensamento psicopedagógico
docente. Um referencial que identifica problemas
decorrendo soluções articuladas, interativas e dialeticamente.
Semanas
atrás o festejado professor Cláudio de Moura Castro,
em sua página na revista VEJA, laborou sobre o assunto
com interessante título: Construtivismo e Destrutivismo.
E explodiu a matéria com sua inteligência focada
no olho da página : O Construtivismo é uma hipótese
teórica atraente e que pode ser útil na sala de
aula. Mas, nos seus desdobramentos espúrios, vira
uma cruzada religiosa, claramente nefasta ao ensino.
E
avança no texto, com muita propriedade e com certa
ira, com muita razão, batendo com as duas mãos,
assumindo que tem a missão árdua de desmontar o
construtivismo junto aos seus discípulos mais radicais,
culpados de transformar uma ideia interessante numa
seita fundamentalista.
Seguindo,
enumera quatro equívocos grosseiros e estruturais
que em sua visão invalidam a aplicação da teoria
na educação: pensar que o docente teria o monopólio
da verdade; achar que todo aprendizado requer degraus
mentais
contidos no construtivismo e que sem maiores elaborações
intelectuais aprendemos ortografia, tabuadas e a
etmologia; aceitar uma teoria científica como verdadeira
se atribuída a algum guru planetário —que só adota
o empirismo, sem observações rigorosas, só no chão
das teorias; e por último, de terríveis consequências,
imaginar que cada aluno aporende de jeito próprio
e que o modo instrucional adaptado a cada um. Nesse
particular, o docente rejeitaria livros e manuais
standarizados quando sabidamente estes são superiores
às improvisações despreparadas e até inconvenientes.
Centenas de pesquisas mostram as vantagens de instruções
estruturadas, planificadas e detalhadas.
O construtivismo não nega instruções detalhadas.
Afirma-se que é impossível aplicar o método sem
elas.
Aulas sem conteúdos e planos previamente definidos
definham ao longo do ano letivo.
Com o uso da hipótese teórica do construtivismo,
bem alicerçado em detalhes, em detrimento às improvisações
e ao achismo egoísta dos docentes, pode-se sem preocupação
levar aos alunos a "construírem" seus
conhecimentos com incrível facilidade.
É,
talvez, o emprego de uma prática docente que mais
propicia aprendizagem,
tanto na dimensão individual como na social, assumindo
o docente a condição de agente mediador entre o
indivíduo, sociedade e o aluno como aprendiz social.
A função completa da escola. Não é pouca responsabilidade,
transcende a docência para se tornar um monitor,
tutor ou preceptor.
Mas isso tudo não ocorre se não houver total apoio
das direções, coordenações e reitorias que visem
um ensino de qualidade.
De
Geração em Geração, sem solução
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Teóricos sociais — sociólogos, antropólogos, psicólogos,
pedagogos, etc. — já estão quase de acordo na separação
dos grupos das gerações, cujos estudos e discussões
vêm ganhando observadores atentos, sobretudo os
operadores da educação brasileira, quanto aos perfis
estabelecidos.
Por oportuno, o SEMESP, em São Paulo, discutirá
em suas Jornadas Regionais a temática da Geração
Y.
De
alguns meses para cá a imprensa vem divulgando o
assunto como que na tentativa de rastrear, principalmente,
o público de hoje na universidade e com isso quase
discutir alguns comportamentos dominantes nesse
“lócus”. Inclusive, começa a surgir literatura nacional
traçando balizas para as quatro gerações: a dos
tradicionais, nascidos até 1950; a dos baby boomers,
nascidos entre 1951 e 1964, ou seja, os situados
hoje entre 59 e 46 anos de idade; os da geração
X, nascidos entre 1965 e 1983, hoje situados entre
45 e 27 anos de idade; e ultimando com a geração
Y, nascidos entre 1984 e 1990, hoje situados entre
26 e 20 anos de idade.
Há quem já esboce a geração C, geração M e a geração
Z, (matéria publicada pela revista Veja, recentemente)
os nascidos em 1991 para cá.
Leia
abaixo como a especialista Karla Santana Mamona,
da InfoMoney, descreve os tipos:
Geração
dos tradicionais – Nascidos até 1950, são pessoas
extremamente dedicadas, que entendem e se conformam
com o sacrifício; admitem recompensas tardias; respeitam
a hierarquia e são formais: burocratas. O dever
vem antes do prazer e são bons em tomar decisões
pressionados.
Geração
dos baby boomers – Nascidos entre 1951 e 1964, são
pessoas revolucionárias e moldadas com grande disciplina;
céticos em relação à autoridade, independentes;
transformadores, buscam reorganizar ou reestruturar
suas organizações; foco no curto prazo e mentalidade
de trabalhar pressionados; liderança por consenso;
tendem a priorizar o trabalho, acreditam num mundo
competitivo e compenetrado;
Geração
X – Nascidos entre 1965 e 1983, buscam equilíbrio
entre a vida pessoal e profissional; são pessoas
auto-centradas, empreendedoras e extremamente independentes:
altamente pragmáticas e orientadas às ações; liderança
por competência; grupo mais conservador da força
de trabalho. Meta de carreira dirigida a novos desafios;
gostam de trabalhar num ambiente de equipe e a primeira
geração que verdadeiramente domina os computadores
- Era da Informação.
Geração
Y – Nascidos entre 1984 e 1990, são tecnologicamente
superiores; tendem a ter entendimento global; necessitam
de reconhecimento positivo periódico; desejam crescimento
rápido na carreira e são imediatistas. Tecnicamente
muito sofisticados; multi-tarefeiros; fiéis aos
seus projetos; informais, autônomos e individualistas.
Não abrem mão de gerenciar simultaneamente sua vida
pessoal e profissional. Precisam se sentir "fazendo
parte" do time: liderança por coletividade
e inclusão.
É
possível fazer leituras adicionais nos endereços
abaixo ou clicando no pesquisador Google — Geração
C, Geração Y , etc.:
http//miriamsalles.info/wp/?p=165 contido no YouTube.
http://augustocvp.wordpress.com/2009/05/06/a-geracao-m/
A
ter sustentação real e efetiva os perfis contêm
muita heterogeneidade de posturas, pretensões, fatores
existenciais (com algum conflito entre eles), aspirações
pessoais, condutas individuais e grupais que ganham
até certa imbricação. Não nos interessa comentar
o ensino fundamental e médio, mas atentar para o
fato de que na universidade encontram-se representantes
dessas quatro gerações.
Cabe a primeira pergunta: nossos docentes estão
preparados, habilitados e capacitados para esse
enorme desafio na proposição e administração dos
conteúdos dos planos de aulas? Ao que tudo indica
essa preocupação ainda não chegou perto dos muros
das escolas embora venha sendo debatida mas é a
bola da vez junto aos organismos de RH, que discutem
a presença dessas gerações no mundo empresarial.
Algumas
poucas instituições, entretanto, como casos isolados,
já tomaram a dianteira no trato de evitar conflito
de gerações nas salas de aulas. Uma delas é a Universidade
Anhembi-Morumbi, em São Paulo.
A iniciativa se deu pelo último Censo, o qual indicou
que um em cada quatro estudantes ingressantes em
curso superior, em 2008, tinha 30 anos ou mais.
De 2000 a 2008 o grupo desses universitários ingressantes
aumentou à extraordinária taxa de 206%; os de 24
anos também subiu, mas em 89%.
Imbroglios
à parte, de eventuais conflitos geracionais sobre
o chão das salas de aulas, há muito ainda por se
discutir na busca de eficácias programáticas com
as novidades tipológicas acima descritas. É desafio
e tarefa inadiável da iniciativa privada
Embora
outras heterogeneidades persistam na sala de aula
como a de alunos egressos de escolas públicas e
privadas, as primeiras como responsáveis pelos 15%
da população brasileira, com idade entre 15 e 24
anos, considerada analfabeta funcional, isso permite
afirmar que a incúria governamental — dos analfabetos
educacionais — vem sendo tanta e muita. E o quadro
não mostra melhoras em grandezas como desejamos
e precisamos: educação de primeira qualidade para
o fundamental e médio.
Mas
quem são esses alunos, ora ingressantes com 30 ou
mais anos, calouros, transferidos, desistentes do
mesmo curso ou de outro, de graduação ou tecnológicos,
que já estão no mercado, supostamente capazes economicamente?
Tanto melhor se têm autonomia financeira
A depender de crédito e financiamento estudantil
melhoramos timidamente, hoje expressos pelas estatísticas
de quase 190 mil usufruindo o ProUni integral, com
perto de só 150 mil no Fies, outros 67 mil no ProUni
parcial e 54 mil (13%)oferecidos pelas próprias
IES. É uma gotinha no oceano quando temos perto
de 4 milhões de universitários nas instituições
privadas.
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