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2009
SETEMBRO
Barômetro & Bafômetro
Por Ana Tereza Pinto Oliveira – Mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP

Dias atrás li interessante e curioso artigo, apócrifo, a respeito de um estudante que se envolvera com questão de Física e devia dar solução a uma medição da altura de um prédio com um barômetro. Vale a pena (re)ler.
A narrativa envolve três personagens: o universitário, o docente que propusera
um problema de prova – e sua consequente avaliação –, além de outro docente
chamado a "fazer a revisão da nota" atribuída, que fora zero, pelo inconformismo desafiador do estudante "prejudicado".

Instigada por uma paronomásia (emprego de palavras semelhantes no som, porém diversas na significação), fiz uma reflexão a partir da leitura de Barômetro, induzida por outras sobre as gerações mais recentes, que pesquisadores e profissionais de RH, pedagogos e psicólogos vêm fazendo sobre as gerações de final de alfabeto – as chamadas gerações X, Y e Z. Esses profissionais estão tentando entender o comportamento de crianças e jovens multitarefas, que fazem muitas coisas simultaneamente e, colaborativos e ágeis, compartilham ideias com facilidade, mostrando-se acostumados a um ambiente de mudanças e incertezas.

Feliz esse professor que cruzou com um jovem inconformado com respostas únicas e definitivas para um problema. Aliás, o que no passado também não era mutável e incerto? O perfil do aluno questionador sempre foi aquele buscado por quem é realmente mestre. Nada mais revigorante para um professor do que um aluno inquieto, que questiona, que interage.

O triste hoje é o problema do bafômetro – jovens alienados em sala de aula, muitas vezes, por problemas alcoólicos. O extraclasse, em horário de aula, é cada vez mais uma realidade deprimente e assustadora: universidades e faculdades rodeadas de bares que congregam uma horda de “estudantes” cujo interesse é beber cerveja, ouvir “um som” que guincha através de porta-malas abertos com uma parafernália sonoro-digital de fazer inveja a muitos ambientes profissionais, “jogar um lero” na menina(o) e, eventualmente, consumir drogas ilícitas.

Incrédula, ao final da aula, tento passar por ruas abarrotadas de jovens (muitas vezes em situação deprimente de vomitar em calçada) que foram à universidade/faculdade para quê? me pergunto. Como se permite (leia-se MEC e as próprias instituições) a existência desse “poder paralelo” corruptor de uma juventude X, Y, Z, que tem tudo para virar a mesa e propor uma nova realidade – melhor e mais solidária – para o século XXI?

Seremos nós, professores, em parte responsáveis também por essa situação? Está faltando a nós o exercício do não, do cabresto curto na assiduidade e na cobrança de uma postura responsável, esperada de um universitário? Talvez.

Os cursos de formação de professores ainda não mereceram atenção urgente quanto a conteúdos, linguagem e metodologia para enfrentar situações novas advindas de fatores econômicos, sociais, culturais e evolutivos que, somados aos paradigmas existentes em cada família, moldam a identidade dessa nova geração de alunos. Falta-nos a comunicação com essas novas gerações para a qual o mundo não tem fronteiras e informação não é o problema. A questão, no entanto, está exatamente aí: se informação não é o problema, seleção é imperativo sem o qual essa informação é amontoado de entulho sem finalidade.

Acredito que nossa contribuição a essa geração seja ensiná-la a selecionar, a separar o joio do trigo, seja no conhecimento formal, seja nas atitudes. Afinal a embriaguez do conhecimento vale infinitamente mais que uma latinha de cerveja.

Construtivismo e Explodismo
Por Ana Tereza Pinto Oliveira – Mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP

Corre solto por aí que o aprendizado de violão, no Brasil, só pode ser feito de "ouvido". Nada de partituras, pentagramas e quetais. Pelo menos foi assim que grandes violeiros de outrora chegaram às emissoras de rádio, e ainda hoje.
Não era o que pensava o mestre Francisco de Asis Tárrega Eixea (1852— 1909) um importante violonista espanhol que revolucionou a composição para violão.
Assim como aprender a tocar violão, teoria pedagógica também vem sendo aprendida e executada de orelhada, independente do resultado, se aplicada na base do só ter ouvido falar, lido alguma coisa, presenciado alguma palestra.

Há quase uma década, docentes brasileiros independente se no fundamental, médio ou superior se propõem a colocar em prática, num estalar de dedos, o Construtivismo em salas de aulas.

A concepção do construtivismo não é uma teoria mas referencial para o docente ser levado a solucionar situações de aprendizado. Portanto, valioso instrumento de análise educativa, muito útil para decisões relativas ao planejamento, aplicação e avaliação no ensino, ou seja, ferramenta do pensamento psicopedagógico docente. Um referencial que identifica problemas decorrendo soluções articuladas, interativas e dialeticamente.

Semanas atrás o festejado professor Cláudio de Moura Castro, em sua página na revista VEJA, laborou sobre o assunto com interessante título: Construtivismo e Destrutivismo. E explodiu a matéria com sua inteligência focada no olho da página : O Construtivismo é uma hipótese teórica atraente e que pode ser útil na sala de aula. Mas, nos seus desdobramentos espúrios, vira uma cruzada religiosa, claramente nefasta ao ensino.

E avança no texto, com muita propriedade e com certa ira, com muita razão, batendo com as duas mãos, assumindo que tem a missão árdua de desmontar o construtivismo junto aos seus discípulos mais radicais, culpados de transformar uma ideia interessante numa seita fundamentalista.

Seguindo, enumera quatro equívocos grosseiros e estruturais que em sua visão invalidam a aplicação da teoria na educação: pensar que o docente teria o monopólio da verdade; achar que todo aprendizado requer degraus mentais
contidos no construtivismo e que sem maiores elaborações intelectuais aprendemos ortografia, tabuadas e a etmologia; aceitar uma teoria científica como verdadeira se atribuída a algum guru planetário —que só adota o empirismo, sem observações rigorosas, só no chão das teorias; e por último, de terríveis consequências, imaginar que cada aluno aporende de jeito próprio
e que o modo instrucional adaptado a cada um. Nesse particular, o docente rejeitaria livros e manuais standarizados quando sabidamente estes são superiores às improvisações despreparadas e até inconvenientes. Centenas de pesquisas mostram as vantagens de instruções estruturadas, planificadas e detalhadas.
O construtivismo não nega instruções detalhadas. Afirma-se que é impossível aplicar o método sem elas.
Aulas sem conteúdos e planos previamente definidos definham ao longo do ano letivo.
Com o uso da hipótese teórica do construtivismo, bem alicerçado em detalhes, em detrimento às improvisações e ao achismo egoísta dos docentes, pode-se sem preocupação levar aos alunos a "construírem" seus conhecimentos com incrível facilidade.

É, talvez, o emprego de uma prática docente que mais propicia aprendizagem,
tanto na dimensão individual como na social, assumindo o docente a condição de agente mediador entre o indivíduo, sociedade e o aluno como aprendiz social. A função completa da escola. Não é pouca responsabilidade, transcende a docência para se tornar um monitor, tutor ou preceptor.
Mas isso tudo não ocorre se não houver total apoio das direções, coordenações e reitorias que visem um ensino de qualidade.

Construtivismo e Explodismo
Por Ana Tereza Pinto Oliveira – Mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP

Corre solto por aí que o aprendizado de violão, no Brasil, só pode ser feito de "ouvido". Nada de partituras, pentagramas e quetais. Pelo menos foi assim que grandes violeiros de outrora chegaram às emissoras de rádio, e ainda hoje.
Não era o que pensava o mestre Francisco de Asis Tárrega Eixea (1852— 1909) um importante violonista espanhol que revolucionou a composição para violão.
Assim como aprender a tocar violão, teoria pedagógica também vem sendo aprendida e executada de orelhada, independente do resultado, se aplicada na base do só ter ouvido falar, lido alguma coisa, presenciado alguma palestra.

Há quase uma década, docentes brasileiros independente se no fundamental, médio ou superior se propõem a colocar em prática, num estalar de dedos, o Construtivismo em salas de aulas.

A concepção do construtivismo não é uma teoria mas referencial para o docente ser levado a solucionar situações de aprendizado. Portanto, valioso instrumento de análise educativa, muito útil para decisões relativas ao planejamento, aplicação e avaliação no ensino, ou seja, ferramenta do pensamento psicopedagógico docente. Um referencial que identifica problemas decorrendo soluções articuladas, interativas e dialeticamente.

Semanas atrás o festejado professor Cláudio de Moura Castro, em sua página na revista VEJA, laborou sobre o assunto com interessante título: Construtivismo e Destrutivismo. E explodiu a matéria com sua inteligência focada no olho da página : O Construtivismo é uma hipótese teórica atraente e que pode ser útil na sala de aula. Mas, nos seus desdobramentos espúrios, vira uma cruzada religiosa, claramente nefasta ao ensino.

E avança no texto, com muita propriedade e com certa ira, com muita razão, batendo com as duas mãos, assumindo que tem a missão árdua de desmontar o construtivismo junto aos seus discípulos mais radicais, culpados de transformar uma ideia interessante numa seita fundamentalista.

Seguindo, enumera quatro equívocos grosseiros e estruturais que em sua visão invalidam a aplicação da teoria na educação: pensar que o docente teria o monopólio da verdade; achar que todo aprendizado requer degraus mentais
contidos no construtivismo e que sem maiores elaborações intelectuais aprendemos ortografia, tabuadas e a etmologia; aceitar uma teoria científica como verdadeira se atribuída a algum guru planetário —que só adota o empirismo, sem observações rigorosas, só no chão das teorias; e por último, de terríveis consequências, imaginar que cada aluno aporende de jeito próprio
e que o modo instrucional adaptado a cada um. Nesse particular, o docente rejeitaria livros e manuais standarizados quando sabidamente estes são superiores às improvisações despreparadas e até inconvenientes. Centenas de pesquisas mostram as vantagens de instruções estruturadas, planificadas e detalhadas.
O construtivismo não nega instruções detalhadas. Afirma-se que é impossível aplicar o método sem elas.
Aulas sem conteúdos e planos previamente definidos definham ao longo do ano letivo.
Com o uso da hipótese teórica do construtivismo, bem alicerçado em detalhes, em detrimento às improvisações e ao achismo egoísta dos docentes, pode-se sem preocupação levar aos alunos a "construírem" seus conhecimentos com incrível facilidade.

É, talvez, o emprego de uma prática docente que mais propicia aprendizagem,
tanto na dimensão individual como na social, assumindo o docente a condição de agente mediador entre o indivíduo, sociedade e o aluno como aprendiz social. A função completa da escola. Não é pouca responsabilidade, transcende a docência para se tornar um monitor, tutor ou preceptor.
Mas isso tudo não ocorre se não houver total apoio das direções, coordenações e reitorias que visem um ensino de qualidade.



De Geração em Geração, sem solução
Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br


Teóricos sociais — sociólogos, antropólogos, psicólogos, pedagogos, etc. — já estão quase de acordo na separação dos grupos das gerações, cujos estudos e discussões vêm ganhando observadores atentos, sobretudo os operadores da educação brasileira, quanto aos perfis estabelecidos.
Por oportuno, o SEMESP, em São Paulo, discutirá em suas Jornadas Regionais a temática da Geração Y.

De alguns meses para cá a imprensa vem divulgando o assunto como que na tentativa de rastrear, principalmente, o público de hoje na universidade e com isso quase discutir alguns comportamentos dominantes nesse “lócus”. Inclusive, começa a surgir literatura nacional traçando balizas para as quatro gerações: a dos tradicionais, nascidos até 1950; a dos baby boomers, nascidos entre 1951 e 1964, ou seja, os situados hoje entre 59 e 46 anos de idade; os da geração X, nascidos entre 1965 e 1983, hoje situados entre 45 e 27 anos de idade; e ultimando com a geração Y, nascidos entre 1984 e 1990, hoje situados entre 26 e 20 anos de idade.
Há quem já esboce a geração C, geração M e a geração Z, (matéria publicada pela revista Veja, recentemente) os nascidos em 1991 para cá.

Leia abaixo como a especialista Karla Santana Mamona, da InfoMoney, descreve os tipos:

Geração dos tradicionais – Nascidos até 1950, são pessoas extremamente dedicadas, que entendem e se conformam com o sacrifício; admitem recompensas tardias; respeitam a hierarquia e são formais: burocratas. O dever vem antes do prazer e são bons em tomar decisões pressionados.

Geração dos baby boomers – Nascidos entre 1951 e 1964, são pessoas revolucionárias e moldadas com grande disciplina; céticos em relação à autoridade, independentes; transformadores, buscam reorganizar ou reestruturar suas organizações; foco no curto prazo e mentalidade de trabalhar pressionados; liderança por consenso; tendem a priorizar o trabalho, acreditam num mundo competitivo e compenetrado;

Geração X – Nascidos entre 1965 e 1983, buscam equilíbrio entre a vida pessoal e profissional; são pessoas auto-centradas, empreendedoras e extremamente independentes: altamente pragmáticas e orientadas às ações; liderança por competência; grupo mais conservador da força de trabalho. Meta de carreira dirigida a novos desafios; gostam de trabalhar num ambiente de equipe e a primeira geração que verdadeiramente domina os computadores - Era da Informação.

Geração Y – Nascidos entre 1984 e 1990, são tecnologicamente superiores; tendem a ter entendimento global; necessitam de reconhecimento positivo periódico; desejam crescimento rápido na carreira e são imediatistas. Tecnicamente muito sofisticados; multi-tarefeiros; fiéis aos seus projetos; informais, autônomos e individualistas. Não abrem mão de gerenciar simultaneamente sua vida pessoal e profissional. Precisam se sentir "fazendo parte" do time: liderança por coletividade e inclusão.

É possível fazer leituras adicionais nos endereços abaixo ou clicando no pesquisador Google — Geração C, Geração Y , etc.:
http//miriamsalles.info/wp/?p=165 contido no YouTube.
http://augustocvp.wordpress.com/2009/05/06/a-geracao-m/

A ter sustentação real e efetiva os perfis contêm muita heterogeneidade de posturas, pretensões, fatores existenciais (com algum conflito entre eles), aspirações pessoais, condutas individuais e grupais que ganham até certa imbricação. Não nos interessa comentar o ensino fundamental e médio, mas atentar para o fato de que na universidade encontram-se representantes dessas quatro gerações.
Cabe a primeira pergunta: nossos docentes estão preparados, habilitados e capacitados para esse enorme desafio na proposição e administração dos conteúdos dos planos de aulas? Ao que tudo indica essa preocupação ainda não chegou perto dos muros das escolas embora venha sendo debatida mas é a bola da vez junto aos organismos de RH, que discutem a presença dessas gerações no mundo empresarial.

Algumas poucas instituições, entretanto, como casos isolados, já tomaram a dianteira no trato de evitar conflito de gerações nas salas de aulas. Uma delas é a Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo.
A iniciativa se deu pelo último Censo, o qual indicou que um em cada quatro estudantes ingressantes em curso superior, em 2008, tinha 30 anos ou mais.
De 2000 a 2008 o grupo desses universitários ingressantes aumentou à extraordinária taxa de 206%; os de 24 anos também subiu, mas em 89%.

Imbroglios à parte, de eventuais conflitos geracionais sobre o chão das salas de aulas, há muito ainda por se discutir na busca de eficácias programáticas com as novidades tipológicas acima descritas. É desafio e tarefa inadiável da iniciativa privada

Embora outras heterogeneidades persistam na sala de aula como a de alunos egressos de escolas públicas e privadas, as primeiras como responsáveis pelos 15% da população brasileira, com idade entre 15 e 24 anos, considerada analfabeta funcional, isso permite afirmar que a incúria governamental — dos analfabetos educacionais — vem sendo tanta e muita. E o quadro não mostra melhoras em grandezas como desejamos e precisamos: educação de primeira qualidade para o fundamental e médio.

Mas quem são esses alunos, ora ingressantes com 30 ou mais anos, calouros, transferidos, desistentes do mesmo curso ou de outro, de graduação ou tecnológicos, que já estão no mercado, supostamente capazes economicamente? Tanto melhor se têm autonomia financeira
A depender de crédito e financiamento estudantil melhoramos timidamente, hoje expressos pelas estatísticas de quase 190 mil usufruindo o ProUni integral, com perto de só 150 mil no Fies, outros 67 mil no ProUni parcial e 54 mil (13%)oferecidos pelas próprias IES. É uma gotinha no oceano quando temos perto de 4 milhões de universitários nas instituições privadas.

 
www.roneysignorini.com.br - 2010