Ogeriza
aos números
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Nunca
tive muita intimidade com os números e quando percebo
alguém com grande domínio sobre eles, na matemática
ou aritmética, me sinto um tanto pequeno. Pra falar
a verdade, bem amedrontado e até tentei tirar tal
“paura” lendo algumas obras de Malba Tahan. Ineficazes.
Vez por outra lemos em jornais e revistas, ou mesmo
pela TV, a citação equivocada/imprecisa de cifras.
Para quem escreveu o texto parece não significar
muito a diferença entre milhões e até bilhões, falando,
por exemplo, sobre a dívida interna/externa.
Chegam a informar que em algum cataclismo o número
de mortes foi de perto de 500 pessoas quando em
verdade foram 300 ou 700. E por aí vai. Pouco importando
se cem a mais ou cem a menos. Às vezes, milhares
como o recente tsunami no Japão.
No mundo da educação, os números são estratosféricos,
de uma prodigalidade sem igual, configurando uma
bonança, pobreza ou gastança incomum.
Nos últimos dias o noticiário dava que 3
milhões de crianças e adolescentes estão fora da
escola e que só metade dos brasileiros entre 15
e 17 anos está no ensino médio.
Explicações necessárias à parte, a mídia precisa
situar o universo com exatidão pois metade de 200
milhões de pessoas é uma coisa. Mas, metade dos
habitantes com aquela faixa etária ( ? ) é outra
coisa. Ou seja, temos 6 milhões de jovens entre
15 e 17 anos ? Aqui começa o “imbroglio” que a mídia
tanta gosta: deixar o leitor abobalhado com números.
São números muito robustos para quem gosta deles
em condição superlativa.
Como sempre, mais estarrecedores do que os números,
são os fatos ligados a eles. A informação de que
14 milhões de jovens com 15 anos de idade não sabem
ler nem escrever derruba qualquer colosso grego.
É numero supino. Dio Santo.
Vejamos
essa cifra apontada no noticiário nacional :
temporários chegam a 46% dos professores em São
Paulo. Pra quem está discutindo o novo
PNE que já deveria estar em vigor ( 2011-2020 )
é mamão com mel. Pode ?
E
esta outra : Cresce número de jovens sem escola
e emprego e o problema é maior entre as mulheres;
ensino médio não prepara para mercado nem para faculdade.
Pra quem gosta de números fatídicos é um deleite:
De cada 100 jovens brasileiros, 24 nem estudam nem
trabalham. No total, são cerca de 2,4 milhões de
pessoas que não conseguem se inserir no mercado
ou continuar os estudos. E, apesar da queda geral
da taxa de desemprego, esse número vem crescendo.
E
a notícia numérica a seguir, não é o máximo ?
Mundo terá mais de 2 bilhões de internautas
neste ano, diz UIT
O número de internautas no mundo praticamente vem
dobrando desde 2005 e deve ultrapassar a marca de
2 bilhões antes do fim do ano e atingir os 30% da
população mundial, segundo levantamento feito pela
União Internacional das Telecomunicações (UIT).
Deste total, 1,2 bilhão, ou 67%, estarão em países
emergentes.
Outra notícia alvissareira, muito auspiciosa, é
a de que o número de “professores leigos” no Brasil
– que só concluíram o ensino fundamental ou o ensino
médio regular – aumentou em todas as etapas da educação
básica. Dados do Censo Escolar 2009 mostram que
152.454 profissionais dão aulas sem a formação adequada
para alunos matriculados em creches, pré-escolas,
ensino fundamental e até ensino médio nas cinco
regiões do País. Eles representam apenas 7,7% dos
docentes que atuam hoje nas escolas brasileiras.
O total é de 1.977.978.
Bom, querer estar entre os dez melhores no PISA,
com esse time, é muita pretensão, não é mesmo ?
E esta outra informação, com excelentes “boas novas”
? Segundo o último Censo Escolar, em 2008 foram
reprovadas 74 mil crianças de 6 anos, que estavam
aprendendo a ler e escrever.
Existem mais de 152 mil escolas públicas e privadas
de ensino fundamental no País, com 31 milhões de
alunos.
Posso não ter boas intimidades com os números mas
que eles gostam de ser confrontados, não tenham
dúvidas. O clima é perverso : Um livro, um aluno.
O Censo Escolar de 2009 mostra que, especialmente
na rede pública do ensino fundamental, a situação
requer atenção especial e investimentos urgentes.
Nesse nível de ensino, das 152.251 escolas públicas
e privadas em funcionamento no país, pouco mais
de um terço (34,3%) têm bibliotecas. A situação
é pior na rede pública, já que a maioria (75%) das
20,3 mil escolas particulares têm acervo de livros,
Saindo do território do Fundamental e Médio, entrando
pelo superior, vem o espetacular feito quantitativo
do Brasil que alcançou em 2008 a 13ª posição na
classificação mundial em produção científica, ultrapassando
a Rússia (15ª) e a Holanda (14ª). De 19.436 artigos
em 2007, essa produção subiu para 30.451 publicações
em 2008. Estados Unidos, China, Alemanha, Japão
e Inglaterra são os cinco primeiros colocados, seguidos
da França, Canadá, Itália, Espanha, Índia, Austrália
e Coréia do Sul. Com esse aumento na produção científica,
o Brasil passa a contribuir com 2,12% dos artigos
de todos os 183 países.
Quanto à qualidade das contribuições brasileiras
nada se falou. Em São Paulo, a rua 25 de Março contribui
com alguns bilhões do PIB nacional “vendendo” produtos
chineses. Dá pra entender, né mesmo ? Quem sabe,
perguntando, o Ministro da Educação responde.
Dá pra acreditar nesses números
a seguir, um tanto fantasmagóricos ?
Quase 7 milhões de brasileiros estudam via
internet
Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada) revela que 11% dos internautas brasileiros
já fizeram cursos online.
O leitor conhece algum deles ?
De acordo com a pesquisa, dos 63 milhões de usuários
de internet que existem no Brasil, conforme mostrou
o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) em 2009, aproximadamente
6,9 milhões estudam ou já estudaram à distância
pela web.
Para
arrematar, Gersem Baniwa, indígena de uma tribo
do Amazonas, coordenador geral da educação escolar
indígena do MEC, informa que existem 2.836 unidades
de ensino e 200 mil estudantes da educação básica,
atendidas, conforme o Censo de 2010, aprendendo
o português em detrimento da própria língua materna.
Que bom !
Índios, “unissez vous” porque a cobra tá
fumando cachimbo e a onça chegou pra beber água.
Valha me Deus, me absolvendo.
Meu inferno é o mundo dos números.
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