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Quem
Vai Pagar a Conta?
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Na
sexta-feira, 21, acordamos com o noticiário educacional
informando sobre o aumento da carga horária diária
na educação básica (fundamental e médio), que pode
passar de quatro para cinco horas.
Desnecessário dizer que alguém terá de pagar essa
conta, nas públicas e nas privadas. Na área educacional
há modalidades diferenciadas de relações trabalhistas:
o mensalista, o aulista, o horista, etc.
Assim, subir a carga de 800 horas em 200 dias letivos
para 1.000 horas, ou seja, um acréscimo de 25% poderá
encarecer essa prestação de serviço diretamente
ao Estado e no bolso dos pais.
Tal aditivo de uma hora nas atividades escolares
levará as administrações escolares a injetar meia
hora antes do horário regular e a outra meia hora
após o horário que vinha terminando, ou a hora cheia
será anexada antes, por exemplo, a partir das sete
horas? Quem sabe colocada após as 12, assim chegando
o expediente até às 13 horas?
Pela frente vislumbram-se convulsões, revoluções,
embates, discussões que estarão antes e após as
salas de aulas.
Nas capitais, com trânsito já assoberbado e sobrando
pelo ladrão, a coisa vai ficar pior.
Os custos administrativos das escolas vão subir
de tal forma que o repasse é mais do que lógico,
restando saber a que proporção. Do servente ao faxineiro,
dos operadores das secretarias ao pessoal da segurança
e, é claro, a massa docente.
Os cantineiros vão soltar rojões, pois qual criança
fica sem comer por cinco horas?
As merendas nas públicas precisarão ser reforçadas,
e como.
No tocante aos conteúdos das disciplinas, vão sobrar
tapas e bofetões nas nem sempre pacíficas reuniões
pedagógicas, agora estimuladas por vai tirar de
onde, vai colocar onde, ou melhor, vai agregar o
quê?
Mexer com conteúdos é mister muito delicado, pois
é possível manter os tradicionais, só alongando
a proposta, lembrando o exemplo do pé pequeno em
sapato grande ou vice-versa. Ou seja, um conteúdo
que exige(ia) 4 horas de aulas pode com mais folga
ser colocado em 8 ou mais horas, mais devagar com
o andor. Como se vê, não se tratará de agregar novos
e mais conhecimentos, novamente caindo na vala do
jeitinho brasileiro.
As lições, exercícios, tarefas e deveres de casa,
para otimização do horário, poderão muito bem passar
a ser feitos nas salas, para justificar o adicional
de uma hora. É o ideal?
A discussão foi lançada mês passado pelo ministro
da Educação, Fernando Haddad, dias depois de os
resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)
mostrarem que diminuiu a proporção de escolas públicas
entre as tops do país. É o que afirma o jornalista
Fábio Takahashi, da Folha de S.Paulo.
O que fica um tanto difícil de entender é que a
educação básica, digamos, a partir da década de
50 e até recentemente, tinha onze anos (4 de primário,
mais 4 de ginásio (ou 8 de ensino fundamental) e
mais 3 de colegial (ou ensino médio)). Resolveu-se,
então, adicionar mais um ano ao fundamental e nem
assim encontrou-se solução. A expansão de cargas
horárias é a saída ou também passa por melhores
e maiores competências docentes nas salas de aulas,
de modo, aí sim, a avaliar o desempenho do alunado
com efetiva avaliação desses docentes?
Um jogo de futebol nos permite uma análise de carga
horária, pois a contenda ocorre em regulamentares
90 minutos. Eventual prorrogação busca completar
o tempo em decorrência de paralisações. Entre pernas-de-pau
nem com quatro horas de jogo vai ocorrer gol.
Se
aconteceram gols ou não, a história é outra e assim
devemos voltar os olhares para as competências dos
jogadores. O que é que o relógio/tempo tem a ver com
isso? A
disciplina e sua carga horária
Fixada para ter 40 horas/aulas-semestrais e abrigar
os conteúdos previamente estabelecidos, a oferta
de uma disciplina de curso, à razão de 2 horas/aula-semana
transcorre durante 20 semanas (ou 100 dias letivos).
Divirta-se fazendo outros cálculos, com 4horas/aula
e 40 semanas (200 dias letivos).
Considerando os números abaixo, na hipótese de o
início da aula acontecer com 5-10-15 ou 20 minutos
de atraso, bem como se finalizada com iguais 5 ou
mais minutos antes do término regulamentar, tem-se
resultados desastrosos.

Na
Tabela, usando o indicador mais radical, suprimindo-se
20 minutos de cada aula/encontro que deve ter 100
minutos, ao longo de 20 semanas, na disciplina programada
para carga de 40 hs/aulas/semestrais, restarão 32
hs/aula porque os atrasos representam 400 minutos
(que é igual a 8 hs/aula).
Ao considerar também alguns acidentes de percurso
como feriado, falta de energia, greve de transportes,
enchentes ou questões de saúde, etc., adicionem-se
outros tantos encontros perdidos, chegando facilmente
a umas otimistas 24 a 28 horas daquelas que deveriam
ser 40 hs/aula.
O exemplo adotou uma única disciplina semestral,
mas o aluno tem em média 5 a 6 disciplinas nesse
período, totalizando 40 a 48 disciplinas durante
um curso de 8 semestres (4 anos). É realmente fatal
para a educação e inteligência nacionais a incidência
dessa perda, que pode subtrair até 800 horas de
um currículo. Tomando como exemplo um curso programado
para uma carga total de 3.200 horas, significa 25%
de aula/conhecimento não dado e não aprendido.
Se a pontualidade de horário fosse cumprida plenamente,
nossos jovens, com certeza, estariam se formando
com mais competências.
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