PROPÓSITO
DESPROPOSITADO
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Na
sexta-feira, dia 25, última sessão do 11º Fórum
Nacional de Educação Superior Particular, a
notícia caiu como uma bomba no auditório: saiu
publicada no DOU a Portaria Normativa 14, dispondo
sobre os procedimentos referentes ao Programa
de Melhoria do Ensino, PROGRAMA IES - MEC /
BNDES, no âmbito do Ministério da Educação.
Um
autêntico cipoal de contradições normativas,
a iniciar pelo § 1º do Art.1º que fala em "demonstração
de articulação entre os itens cujo financiamento
foi solicitado e a elevação nos níveis de qualidade
do ensino superior da IES proponente".
Elevação de quanto, de 3 para 4, de 4 para 5
? Sim, porque as que lograram 2 estão sumariamente
excluídas da possibilidade de solicitar tal
financiamento.
Aliás,
o MEC/BNDES, aprioristicamente já sabem quais
e quantas IES poderão querer o financiamento
pelo enunciado do Art.2º, ao dizer que a apresentação
dos projetos solicitantes somente serão efetuados
se a IES atende alguns critérios decorrentes
do SINAES e portanto proibitivos para milhares
delas.
Dentre
eles, pelos incisos:
I - 70% dos cursos de graduação com conceito
igual ou superior a 3;
II
- Conceito Institucional igual ou superior a
3;
III
- 60%, no mínimo, dos cursos oferecidos regularmente
reconhecidos.
Para
não fechar de vez as burras federais, ao longo
de cinco §§ e alguns incisos cria hipóteses
de constatações que permearão a existência ou
não de índices, que subsidiarão a concessão
ou não do financiamento, como o cotejo de Conceito
de Curso, O CPC, do ENADE, do CI, do IGC, de
adesão ou não ao FIES, ao PROUNI e até o vencimento
antecipado do contrato junto à IFC.
Na
sequência normativa vem o Art.3º elencando as
possibilidades passíveis de apoio do PROGRAMA
com treze itens que vão de obras civis até reestruturação
financeira da IES.
Dos
demais artigos, num total de 10, vale ressaltar
o Art. 8º que põe como condição pétrea para
a oferta do financiamento os discutidíssimos
percentuais de docentes, com titulação de mestrado
ou doutorado, bem como no tocante aos contratados
em regime de dedicação integral, sequer mencionando
os de dedicação parcial.
Ou
seja, se o Mantenedor se interessar pelo financiamento
é recomendável iniciar a leitura da Portaria
Normativa exclusivamente pelo Art. 8º e daí
continuar ou não sua leitura. É de caráter terminal.
Os
meandros e serpenteios normatizados, contidos
nos artigos 4º ao 7º, do 9º e 10º são de excelência
burocrática regular, tornando a Portaria uma
colcha impermeável e inibidora, facilmente classificada
como autêntico despropósito.
Enquanto
pelo conceito primário de que um financiamento
tem por eixo uma "ajuda" para deixar
o empreendimento em pé e vertical, senão para
alavancá -lo ao futuro, fica claro que o MEC
quer dar sentença de morte aos pacientes terminais,
sequer levando-os para uma UTI. Não bastaria
um Termo de Ajustamento de Conduta entre a IES
pretendente ao financiamento e o MEC ?
Como
disse alguém no auditório do 11º Fórum, o melhor,
muito melhor é procurar por financiamento particular,
até porque estariam ambos, Banco e IES no mesmo
nível de interesses, na mesma seara.
Não
tão espantoso mas de alguma perplexidade é a
possibilidade que terão, também, as IES públicas.
Será que alguma delas se habilitará ?
Resta
saber a efetiva intencionalidade do Ministério,
órgão butantã federal que estimula e desenvolve
um serpentário, criando cobras não para lhes
extrair veneno e produzir soro mas para as jogar
dentro de vidro com formol.
Dispensa,
não Dispensa
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Assunto
de interesse geral das Secretarias e também
das Coordenações de cursos é o relativo a sistematização/operacionalização
interna do processo de EQUIVALÊNCIA – APROVEITAMENTO
de estudos. A falta de critérios a adotar deixa
os operadores da educação, às vezes, em situação
desconfortável, sobretudo porque inexistindo
alguma normatividade que tutele os expedientes
isso pode gerar inconseqüências que futuramente
se desdobrarão em grandes problemas na comunidade.
O grande número de consultas sobre o tema nos
leva a oferecer um guia e sugestões baseado
em leituras e experiências que adotadas simplificam
as rotinas.
Considerações
Gerais
I) Nem sempre os Regimentos das IES abrigam
o tratamento ao assunto.
II)Não
é comum os Manuais, entregues aos discentes
a cada início de ano letivo, contemplarem as
disposições de forma a inteirá-los dos procedimentos.
Se a IES não editar um Manual então afixe as
disposições/normas em murais externos da Secretaria.
III)
A atenção não uniforme, dada a cada caso, torna
o processo negativamente casuístico.
IV)
O processo exige condições de formalização e
oficialização. É ritualístico.
V)
Ter em conta que a Secretaria cuidará zelosamente
visando as devidas anotações no histórico do
aluno em razão do acompanhamento futuro para
registro do diploma. Inclusive para transferências
( in-out )
VI)
Não é ato unilateral mas grupal. Dele participam
o docente que ministra a disciplina, o Coordenador
do curso e o Secretário.
VII)
Atenção para a temporalidade dos conteúdos.
É necessária atualidade programática.
Podem
caducar, sobretudo com a vigência das Novas
Diretrizes Curriculares do curso.
Considerações Especiais
Aluno
interessado em buscar EQUIVALÊNCIA / APROVEITAMENTO
de disciplina curricular:
1)
Dirige-se ao Protocolo da IES munido do competente
histórico escolar da faculdade de origem, sempre
em cópia original ou autenticada. Deve acompanhar
também o conteúdo programático da disciplina
que pretenda a equivalência. Neste particular
tomam-se duas precauções :
a)
Ser o curso de origem reconhecido
b)
Ser o Programa de Ensino da disciplina carimbado/rubricado
em todas as páginas e sobretudo com a indicação
do ano de oferta/cumprimento da disciplina.
Este
zelo decorre de, às vezes, o aluno mostrar um
histórico como tendo cursado a disciplina em
1998 e o Programa ser de 1997 ou 1999. Não pode.
Deve ser o respectivo ao indicado no histórico.
2)
Protocolado, o Requerimento seguirá para:
a)
Coordenação do Curso que despachará À Secretaria
para Processar. A razão de ir primeiro ao Coordenador
é porque há casos em que a Coordenação indefere
de plano. Veja os motivos no formulário que
apresentamos ao final das considerações.
De
plano, o requerimento não poderia caminhar,
por causa dos motivos apontados.
b)
Indo para a Secretaria que procederá o "processamento",
ela preparará preenchendo o formulário com capa,
remetendo-o ao docente da disciplina.
3)
O Processo chegará até o professor da disciplina
que interpretará o Programa/Conteúdo e quase
sempre o DEFERE. Basta que a carga horária seja
igual à disciplina da casa e que o programa
tenha, no mínimo, 75% de identidade com o ofertado
na escola. Não é condição "sine qua non"
a identidade do título/nomenclatura da disciplina.
4)
O professor devolverá o Processo para a Secretaria
ou para o Coordenador que também aporá sua assinatura.
Assim, o Processo chega até a Secretaria que
lançará no Requerimento ( aquele protocolado
com o histórico e programa da disciplina ) o
DEFERIMENTO para ciência e informação do aluno,
arquivando integralmente o Processo no prontuário.
Igual expediente se indeferido e nesse caso
é opção da Secretaria reter ou não os documentos.
5)
Cumpridas as formalidades, o Processo será arquivado
no prontuário do aluno e a Secretaria informará
ao setor competente - CPD ou de Registros --
para baixa da disciplina no currículo. (vide
NOTA 1 abaixo)
6)
Eis o instituto de equivalência. Ou seja, a
disciplina do currículo da escola foi cursada
, por equivalência / aproveitamento. No histórico,
seja para eventual transferência para outra
IES, seja para efeito de integralização do curso,
constarão a Nota e a Carga Horária trazidas
da origem (se igual ou maior). Para o caso de
ter carga horária menor, vide NOTA 2 abaixo.
No
Histórico, acompanha um asterisco ( * ) ao lado
do título da disciplina. No roda-pé do Histórico
a explicação : ( * ) Disciplina cursada na Instituição
"X"
7)
Embora não tivesse merecido o DEFERIMENTO, ela
pode, entretanto, constar no histórico como
APROVEITAMENTO, sendo inserida ao roda-pé do
histórico. ( vide NOTA 3 abaixo )
8)
Vale lembrar que a equivalência e/ou aproveitamento
podem estar disciplinados no REGIMENTO. Por
isso é sempre bom fazer uma leitura de como
são administrados pela IES.
9)
Se o curso é por regime de créditos, a dispensa
de alguma disciplina tem conseqüências no carnê
do aluno.
Nova Intercorrência
A
nova LDB trouxe um dispositivo aproximativo
para o instituto da EQUIVALÊNCIA que em princípio
poderia exigir alguma norma explicitadora /
regulamentadora. A Câmara de Ensino Superior,
do Conselho Nacional de Educação já se manifestou.
Pelo Parecer 576/2000 da CES/CNE a Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul perguntando
sobre o assunto da regulamentação do Art. 47,
§ 2° da LDB obteve a resposta. O Relatório foi
muito claro. Por assim dizer, a escola deve
fazer o que bem entender. Vale registrar que
o Parecer 210/2002, também da CES/CNE, com Relatório
do Cons. José Carlos Almeida da Silva, em consulta
da Universidade Federal da Paraíba tenha se
manifestado no sentido de que a universidade
fosse informada de que a Câmara de Educação
Superior "deverá regulamentar o disposto
no § 2º do Art. 47 da LDB"
Até esta data ainda não aconteceu e na vacância
legal ficamos com a primeira posição.. A aplicação
do citado artigo pode resolver duas questões:
a)Aluno
que tenha proficiência em alguma disciplina.
Por exemplo, aluno argentino que encontre a
disciplina Língua Espanhola Instrumental ou
ainda um profissional em informática que deva
cursar Introdução a Informática.
b)Aluno
que não tenha conseguido a EQUIVALÊNCIA, porque
a disciplina trazia carga horária inferior ou
porque os conteúdos não se ajustavam ao da IES.
Para o primeiro caso, ofereço a seguir algumas
opiniões:
-
A escola deve discutir o assunto em reunião
da Congregação.
-
Decidido, e com Ata redigida, baixar uma Portaria
disciplinando a matéria.
-
No corpo da Portaria pode-se regulamentar a
questão, ou na Portaria, mencionar que o Regulamento
acompanha-a como Anexo.
-
Compor uma banca para sujeitar o interessado
a uma prova/avaliação de conhecimentos. Para
a prova, extrair conteúdos do Programa de origem
e também dos conteúdos consistentes do Programa
da própria IES.
-
Encerrada a avaliação e extraída uma Ata, a
banca encaminha para a Coordenação do curso
que despachará para a Secretaria proceder as
anotações no histórico do aluno.
Com o Parecer 576/2000, tudo indica que as escolas
têm liberdade para resolver. É só regulamentar.
Lei 9.394/96 - LDB
Art.
47 – Na educação superior, o ano letivo regular,
independente do ano civil, tem, no mínimo, duzentos
dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído
o tempo reservado aos exames finais, quando
houver.
-
1º ..............
-
2° Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento
nos estudos, demonstrado por meio de provas
e outros instrumentos de avaliação específicos,
aplicados por banca examinadora especial, poderão
ter abreviada a duração dos seus cursos, de
acordo com as normas dos sistemas de ensino.
NOTAS EXPLICATIVAS:
1
– Convém estabelecer prazos operacionais para
se processar a EQUIVALÊNCIA, evitando- se ocorrer
durante todo o ano letivo. Dê prazo também ao
docente para examinar o processo ( 5 dias úteis
). Negligenciar o processo pode gerar problemas,
por exemplo, do aluno que tem expectativa positiva
e começa por deixar de assistir às aulas ou
não fazer provas, etc. etc., inclusive eventual
dedução de valores no carnê.
2
– Para tal caso a IES deverá tomar cuidados.
Vejamos o exemplo seguinte:
Disciplina
de origem tem carga 36 horas e na IES é da ordem
de 40 horas. Ao lançar no histórico a carga
de 36 a somatória final da integralização do
curso terá menos 4 horas. Não pode. Para resolver
o problema, a IES deverá apropriar do histórico
original alguma disciplina – ainda que não constante
do currículo da IES – incluindo-a no roda-pé
do histórico de forma a majorar a carga total.
Assim, se o currículo total da IES é programado
para 3.000 horas, subtraindo aquelas 4 horas
faltantes teríamos 2.996. Com a adição de 36
horas referente a outra disciplina "apropriada"
a carga subirá para 3.032.
3
– Não existe meio-deferimento. Assim, enquanto
o conteúdo é fundamental para o deferimento,
também é o aspecto da carga horária da disciplina.
Esta última tem a conseqüência aritmética na
somatória da carga total do currículo, gerando
o histórico que irá acompanhando o diploma para
registro. Portanto, se não é possível deferir,
dê o aproveitamento incluindo no roda-pé do
histórico, embora não se tivesse podido dar
a equivalência.
Parecer:
O
aluno solicitou dispensa da disciplina acima.
O processo foi apreciado e mereceu ( ) DEFERIMENTO
tendo em vista a identidade programática dos
conteúdos da disciplina do curso de origem e
o desta instituição, além de apresentar suficiência
de carga horária.
(
) INDEFERIMENTO pelo(s) motivo(s) abaixo:
(
) insuficiência de carga horária
(
) inexistência de identidade programática
(
) o programa apresentado é do ano de _______
mas o Histórico Escolar
indica o aluno ter cursado a disciplina em ______
(
) outros:__________________________________________
_________________________________________________
São
Paulo, de de 200_
________________________ ________________________
Professor(a)
Coordenador(a)
Bomba
na OAB
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Na
última semana de maio, o noticiário sobre a
educação no país chegou na marca do surreal.
As manchetes, tão aterradoras quanto os conteúdos,
puseram estarrecidos todos os operadores da
educação, do ensino básico ao superior, públicos
e privados, além do governo. Não é para menos.
Pior, se há uma réstia de luz no fim do túnel,
uma eventual solução só a longo prazo, infelizmente.
Nada de curto ou médio.
Eis
alguns títulos que puseram Anísio Teixeira a
se mexer no jazigo: "Mais de 600 mil alunos
têm aulas com professores formados apenas no
ensino fundamental" –
"Alguns
professores não deveriam estar em sala de aula"
– "27% dos professores de 5a. a 8a. série
não têm o diploma de nível superior" –
"No Brasil, tem professor que sabe menos
que aluno" – "Professores com ensino
Fundamental dão aula no ensino Médio",
e por aí vai....
Pelo
Censo Escolar de 2007, tínhamos 1.882.961 professores
no ensino básico (fundamental e médio) e desse
universo 80% atuam na rede pública (municipal,
estadual e federal). Chama a atenção que, no
ensino médio, 13% dos 414.555 professores não
apresentam a escolaridade mínima para dar aula.
De
justiça, diga-se, o MEC está preocupado e decidiu
oferecer curso nas universidades públicas para
os professores que não têm formação adequada.
E pretende pagar o financiamento estudantil
do universitário (privado) que, depois de formado,
queira ser professor da rede pública.
Louvável
iniciativa, mas capenga quando propõe financiamento
em vez de gratuidade ao aluno. Como não há universidades
públicas em todos os quase seis mil municípios
brasileiros, a rede privada, quem sabe até mais
bem preparada, pode subsidiar a iniciativa.
O Presidente Lula já deu a saída, com discurso
de que a classe média é a culpada da situação
desastrosa em que a escola pública se encontra
por omitir-se nas críticas ao seu ensino.
Não
sem razão diante dos números (como se verá adiante),
porém injustamente, o nível superior de educação
também vem sofrendo críticas ácidas e mais exponenciadas
para a formação do bacharel em Direito. Dois
outros títulos da imprensa chamaram a atenção:
"Na Lanterna" e "SP tem o pior
resultado do Exame da OAB, com 12% de aprovação
na 1a. fase".
Com
tais manchetes, as notícias disparam uma saraivada
de balas e alguns Exocets para a formação desses
alunos. No último Exame Unificado de Ordem,
em São Paulo, dos 18.925 candidatos inscritos,
apenas 2.233 foram aprovados na primeira fase,
ou seja, 88% de reprovação, logrando o vigésimo
quarto lugar dentre os 26 Estados, o que é o
absurdo dos absurdos avaliatórios. Mas, quem
são os 16.692? Dentre eles quantos vêm da escola
pública e/ou privada? Quantos desse contingente
estão acumulando sucessivas reprovações anteriores,
para muitos dos quais a advocacia será sempre
um sonho?
Onde
está efetivamente a resposta de tal falência?
O mea culpa não é exclusivo do curso superior
e do alto nível de exigência dos exames da OAB.
Afinal, quem e quais são os alunos ingressantes
nos cursos superiores? O que fazer pelos egressos
pessimamente formados no ensino básico, conforme
o Censo demonstrou?
Não
é crível que o aluno universitário com formação
inadequada tenha seus problemas resolvidos nessa
instância. E o pior, de alguma forma, nas salas
de aulas há um processo de contaminação criminosa
do ensino, com a nivelação "para baixo".
Assim, certamente, a ré não é a formação superior
– vítima indefesa, refém de um sistema inaceitável
de educação do ensino básico.
Ademais,
as instituições superiores estão, sim, muito
preocupadas com os atuais resultados e impotentemente
aguardam medidas de governo que ponham fim ao
atual quadro do ensino básico. Até porque elas
disputam um mercado enormemente concorrencial,
mantendo, a maioria delas, o melhor de seus
quadros docentes (professores de carreira, juízes,
desembargadores, promotores, delegados, advogados
de excelentes bancas), cujos saberes são reconhecidamente
bastantes para o ensino-aprendizagem do Direito,
de muitas competências e habilidades, raramente
com única graduação e, no mínimo, Especialistas,
Mestres e Doutores.
Na
máxima de que quando o aluno não aprende é porque
os professores não ensinaram, então, são eles
os reprovados?
Está
na hora de a OAB parar de "ver" e
passar a "enxergar" as realidades
funcionais dos operadores do Direito, diante
da necessidade premente de buscar especialistas
e não generalistas nos seus Exames. A moderna
diversidade de atuação dos profissionais em
advocacia é exigência supina no tocante às especializações.
Assim, é fundamental que a OAB proponha os mesmos
rigorosos exames, mas com o caráter de exclusividade
de área, aquela que o candidato seguirá, porque
o interessado em Direito Tributário, com certeza,
não tem pendores para o Direito Penal, e vice-versa,
apenas para ilustrar. Isso posto, o aprovado
sairia habilitado em uma, duas ou três áreas
de sua escolha, negada a atuação nos demais
campos. É o que acontece em muitas outras atividades
profissionais. Questão racional, de lógica inexorável.
Os
cursos de Direito devem continuar com seus currículos
e conteúdos, mas não deixando de acrescentar
duas disciplinas/oficinas: Teoria da Comunicação
e expressiva carga horária em Língua Portuguesa,
pois o causídico é essencialmente um comunicador.
Assim sendo, deve apresentar absoluto domínio
linguístico, transitar com propriedade pela
Semiótica, Semiologia e correntes linguísticas,
o que enriquece sua argumentação, por via de
técnicas narrativas, descritivas, dissertativas
e de injunção. Já que, como demonstram vários
certames nacionais e internacionais, doença
crônica em nossa juventude é não saber ler nem
escrever, muito menos entender/contextualizar.
E tudo sabidamente justificável, plenamente
confirmado pelo Censo 2007.
Basta
de querer provar que as escolas de Direito não
formam maestros/regentes (generalistas). Ao
que parece, o bom advogado, de hoje, não tem
de conhecer o Vade-Mecum atualizado, última
edição. Tem mesmo é que dominar uma especialização,
ou duas, correlatas.
As
reprovações que estão ocorrendo nos exames da
OAB destroem as famílias, as escolas, os profissionais
de docência nos cursos e os próprios interessados,
que buscam os algozes dessa carnificina rumo
à profissão, como justificativa dos fracassos.
E a grande sociedade tripudia sobre isso, girando
metralhadoras sobre quem outorgou o diploma
de graduação (todos aprovados, mas uns com média
mínima 5,00 e os outros além disso, até 10,00),
a grande e única responsável pelo desespero
da desempregabilidade. Não é justo, portanto,
inadmissível e inaceitável.
Existissem
outros Exames de Ordens (na Medicina, Enfermagem,
Odontologia, Engenharia e demais), então saberíamos
com exatidão qual matéria-prima ingressa nas
faculdades do país. Aí sim as avaliações (ENADE,
autoavaliação e avaliação in loco) seriam plenamente
validadas.
Nem
todas as escolas podem ser responsabilizadas
pela clamorosa reprovação, consequência possível
de uma leitura leviana das notícias sobre o
Exame OAB.
Chegou
a hora da verdade para todos, todos mesmo, não
só aquela que a OAB demonstra.
Currículos
e Conteúdos Programáticos
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Em
janeiro de 1980 assumi a Direção de um curso
de Comunicação Social com as habilitações em
Jornalismo, Publicidade & Propaganda, além
de Relações Públicas, instituição na qual ingressara
como docente cinco anos antes.
A primeira tarefa, sob grande desafio, indicava
a necessidade de avaliar/interpretar os conteúdos
de todas as disciplinas quando, então, pouco
ou nada se falava de trans e interdisciplinaridades,
muito menos sobre as NDCs- Novas Diretrizes
Curriculares, surgidas após a nova LDB ( 1996
).
Referido curso estava estruturado em quatro
anos, sendo os dois primeiros voltados à fundamentação
humanística ( ciclo/núcleo básico ) para as
três habilitações. Os dois últimos anos tratavam
de formações específicas (ciclo profissionalizante).
Assim, em princípio, o trabalho precisava ser
desenvolvido com as avaliações programáticas
em quatro momentos distintos: o básico-geral
e cada uma das habilitações.
Exaustiva
leitura dos programas das disciplinas, arquivados
na secretaria, alguns elaborados desde a fundação
do curso (1972), outros mais recentes, guardavam
inúmeros problemas de sobre e superposição de
temas, incoerências e defasagens, situação comuníssima,
arrisco afirmar, na maioria das instituições
superiores nacionais. Sobretudo naquelas em
que o "turn-over" docente é alto.
Ademais, antecedendo o início do semestre letivo,
nem todas as escolas realizam a tão necessária
semana de planejamento. É impossível imaginar
uma discussão séria e profícua sem que todos
os participantes portem, minimamente, uma brochura
contendo todos os programas de disciplinas
do curso. É o único guia para consulta instantânea
se alguém se "atrever" a abordar determinado
conteúdo numa discussão de (trans)interdisciplinaridade
e com isso inteirar-se dos itens e da bibliografia
adotada pelo(s) colega(s), sobretudo se ela
está ou não atualizada.
Daí a ação importantíssima da reunião nessa
semana de planejamento para a saúde do curso.
E nela o Coordenador deve também municiar a
todos, indispensavelmente, com o currículo em
vigor e, se houver, o novo currículo (em transição),
o material das NDCs ( com respectivos apensos
das competências e habilidades sugeridas pelo
CNE-Conselho Nacional de Educação ), além do
calendário letivo, eventualmente, um exemplar
de Manual do Estudante, distribuído aos alunos.
Significa dizer, momento de grande oportunidade
para reflexões conteudísticas, revitalização
dos tônus das disciplinas.
OS PROBLEMAS
Em outra oportunidade já me referi e indiquei
o brilhante trabalho Mensuração dos Conteúdos
Acadêmicos da Educação Superior (2005) da lavra
de André Magalhães Nogueira, Edson Nunes e Helena
Maria A.M.Barroso, facilmente acessível pelo
buscador Google.
Não faz muito tempo, e ainda continua, uma polêmica
discussão era colocada quanto à atuação das
IES-Instituições de Educação Superior no tocante
às duas posições diametralmente opostas, de
dever ser uma dianteira, estar na frente, ou
ir a reboque da sociedade nas propostas conteudísticas,
razões e conseqüências nas formações.
Porém, para acalorar o tema, a partir do momento
em que o CNE propõe as NDCs, apensando as habilidades
e competências necessárias para a profissionalização
do estudante ( escopo do ENADE ), pretendendo
lograr sucesso na empregabilidade, involuntariamente
ou não os currículos, de certa forma, com muitos
paradigmas na formatação dos cursos acabaram
por balizar as formações. Parece mesmo é com
paradoxos.
Por assim dizer, a presunção se instalou forte
no colendo colégio do CNE, a significar que
as IES, de per si, onde quer que estejam geograficamente
instaladas, não conheçam necessidades mercadológicas
locais ou regionais.
Particularmente, levo isso a crédito do paternalismo
assistencial, o umbrelismo do velho cartório
que continua a ser o CNE. Deletaram currículo
mínimo/pleno mas põem outro ícone no desktop.
Não há que se dizer/criticar as "sugestões"
contidas nos apensos porque, afinal, o ENADE
é estruturado e leva em conta aquelas sugestões.
SEQUESTROS CONTEUDÍSTICOS
O
PPI e o PDI são documentos basilares numa proposta
educacional das IES, neles se inserindo a missão,
objetivos e escopos, documentos que, a rigor,
nem todo o conjunto de funcionários administrativos
e docentes têm acesso. É caixa preta na maioria
das IES.
Ocorre
que, dentre outros requisitos de componentes
do processo, que pede Autorização de funcionamento,
a IES apresenta o currículo do curso com todas
as exigências que a boa norma exige : ementa,
conteúdos, carga horária, objetivos, critérios
de avaliação, bibliografias básica e complementar,
etc.
Aprovado, autorizado a funcionar, não é o que
na maioria das vezes se vê quanto ao desenvolvimento/aplicação
dos programas "prometidos" para as
disciplinas.
Se nada é mais certo do que as mudanças, desde
o protocolo do projeto de curso junto a CNE
até sua Autorização, para não dizer também o
Reconhecimento, existe um período abissal, movido
pela própria dinâmica e cinética do fazer educacional,
quando ao longo desse tempo o autor proponente
daqueles conteúdos sequer assume(iu) a disciplina.
Ou ficou nela por um ano, substituído por outro
colega que "entendeu dar uma atualizada
na matéria". Aqui surge uma primeira ruptura
com o todo a ensejar o primeiro desafinamento
da orquestra. Aqui já entrou gato na tuba.
No tempo que fluiu desde a Autorização até o
Reconhecimento, uns quatro/cinco anos, nesse
intervalo a escola inclusive recebeu alunos
transferidos que traziam histórico acompanhado
dos programas de origem. Uma breve análise para
propiciar a transferência mostrou em algumas
menos e em outras disciplinas mais, um imenso
descompasso programático entre disciplinas,
que não contemplariam/autorizariam o "aproveitamento"
curricular mas nem por isso a transferência
é inibida. Resta uma colcha de retalhos conteudísticos,
mais graves à medida que a transferência se
efetiva em anos mais adiantados do curso. Mas,
convenhamos, a quem interessa realizar um curso
bem aproveitado, completo, que respeita(va)
as (trans) interdisciplinaridades e visa(va)
graduar o aluno pronto para o mercado ? A muito
poucos.
CURRÍCULOS versus ENADE
O
ingressante e o formando, diferenças tratadas
como iguais, permeadas com a indicação amostral/aleatória
dos que devem se submeter ao exame é absurda.
E este é o momento de identificar os reféns
do abordado no Sequestro Conteudístico.
Toda a amarração pensada para propiciar a transdisciplinaridade
do currículo foi levada vendada, com mãos em
algemas para o fundão da vila.
O esforço estruturado no PPI e/ou PDI visando
terminalidades e empregabilidades não pode ter
êxito. E, a propósito, alguma Comissão de verificação
in loco tem tempo e realiza uma análise nos
conteúdos das disciplinas, nos poucos três dias
que habitualmente dedica à verificação, seja
para autorizar ou reconhecer, isso sem considerar
o tempo que antecedeu o depósito da documentação
no e-MEC ? Nunca soube. A caixa é preta, negríssima.
Na guilhotina educacional não está só a cabeça
do aluno mas também a da IES, por óbvio.
O ENADE, filho do Provão, ainda não disse a
que veio, senão o de atribuir valor ao que não
tem valor pois é laborado nos antagônicos, que
não têm qualquer comprometimento com a efetiva
avaliação pois há suspeição do aluno ser cúmplice
ou refém da relação educacional obtida. E é
fácil ver isso pois há quem não compareça ao
exame, comparecendo só vai pra assinar a presença,
ficando em sala não tem nenhuma responsabilidade
com as respostas, "é do contra" por
natureza e origem, falta-lhe Atitude com "A"
maiúsculo. Fora o volume de IES não privadas
que insistem em desafiar o MEC não comparecendo
ao exame.
CURRÍCULOS versus ESTÁGIOS ( não curriculares
)
Submetendo-se
a desastres de percursos, desvios e atalhos
equivocados nas apropriações de cargas horárias
e conteúdos, somado ao despreparo de setores
de captação de alunos, lá vão eles para o estágio.
Tais setores, na própria IES ou no mercado de
trabalho, bem como nas empresas de recrutamento
de pessoal, não avalizam as preocupações do
CNE que sugeriu mínimas habilidades e competências
na formação do estudante. Sequer conhecem ou
têm acesso às NDCs e respectivos apensos, quando,
no mínimo, são um norte magnético.
Para piorar as coisas, nos últimos quatro meses
o noticiário informa a perda de 200 mil postos,
decorrente de nova legislação sobre os estágios,
declinando vertiginosamente o interesse do empresariado
pelos estagiários.
CURRÍCULO versus HORA/AULA ou HORA/RELÓGIO
A
disciplina deve guardar absoluta relação dos
conteúdos com a carga horária, com a aula.É
inaceitável conteúdo pequeno para carga horária
grande, e vice-versa. Por exemplo, fixada para
ter 40 hs/aulas-semestrais e abrigar os conteúdos
previamente discutidos e estabelecidos, a oferta
de uma disciplina de curso superior, à razão
de 2 hs/aula-semana transcorre durante 20 semanas
( ou 100 dias letivos ). Considerando os números
abaixo, na hipótese do início da aula acontecer
com 5 ou mais minutos de atraso, bem como se
finalizada com iguais 5 ou mais minutos antes
do término regulamentar, tem-se resultados desastrosos.
Querem alguns que a aula "pouco importa",
sistêmica e metodologicamente estruturada. Deve
prevalecer a "construção do conhecimento".
Será ?
Usando
o indicador mais radical, de suprimir-se 20
minutos de cada aula/encontro que deve ter 100
minutos, ao longo de 20 semanas, na disciplina
programada para carga de 40 hs/aulas semestrais,
restarão 32 hs/aula porque os atrasos representam
400 minutos( que é igual a 8 hs/aula ).
Ao considerar também alguns acidentes de percurso
como feriado, falta de energia, greve de transportes,
enchentes ou questões de saúde, etc. , adicione
outros tantos encontros perdidos chegando facilmente
a umas otimistas 24 a 28 horas daquelas que
deveriam ser 40 hs/aula.
O exemplo adotou uma disciplina semestral, mas
o aluno tem em média 5 a 6 disciplinas nesse
período, totalizando 40 a 48 disciplinas durante
um curso de 8 semestres(4 anos ). É realmente
fatal para a educação e inteligência nacionais
a incidência dessa perda, que pode subtrair
até 800 horas de um currículo. Tomando como
exemplo um curso programado para uma carga total
de 3.200 horas significa 25% de aula/conhecimento
não dado-não aprendido.
Se a pontualidade de horário fosse cumprida
plenamente, nossos jovens, seguramente, estariam
se formando com mais competências. Quando não,
se a formação "admite" a supressão
de 25% temporal do todo curricular, não é o
caso de reduzir o curso de 4 para 3 anos diante
dessa realidade ?Se na tabela acima trocarmos
a hora/aula pela hora/relógio o efeito é o mesmo.
É de fato lamentável a supressão de quase 15%
do tempo na preciosa carga horária de aulas,com
implicação diretíssima sobre o conjunto de conteúdos
do ensino-aprendizagem, descartados aos sabores
das negligências e descasos.
Assim, por causa do relógio(?) o aluno sai do
primeiro e vai para o segundo semestre, avançando
até o último, com lamentável carência de conhecimentos
furtados. Mas ele tem pressa, voraz, de ir ao
lato-sensu ou stricto para "compensar"
o "tempo perdido" na graduação, como
quem segue a uma relojoaria educacional, para
consertar o que medeiam os dois ponteiros dos
conhecimentos.
Disso resultam milhares de horas suprimidas
das disciplinas/cursos/instituições nacionais.
Afora outras milhares de horas consumidas ao
longo do curso, em geral, com greves de docentes
e/ou alunado, mais ocorrentes no ensino público,
tanto na educação básica como superior.
CURRÍCULOS TRANSFORMADOS / ALTERADOS
Eis
aqui uma verdadeira violência quando se quer
alterar um currículo, na linha inconsequente,
ao sabor dos ventos ou interesses imediatos.
Dramático porque não observa o todo, o plexus
determinante do conjunto, seja voltado ao mercado
seja para a academia. Se colocado em prática,
não raro, inexiste caminho de volta.
Em princípio, um currículo só amadurece quando
implantado plenamente, sob "teste",
do primeiro ao último semestre do curso. E olhe
lá se ainda não forem necessários minimamente
um a dois anos para aí sim ser feita alguma
eventual correção de rota. É cobrada uma incisão
britânica, em hora e local certos.
A missão institucional deve sempre observar
vocações e não está sob crivo se para lá ou
para cá. Cada IES mantém, a sua cara e identidade,
em função também de seu público/target, quando
se estabelece um escopo.
Afinal, o que motiva a transformação curricular
senão a busca de nichos, novos nichos e promissores
? Mudar por mudar ?
É uma ação desastrosa porque depende de todo
um processo iniciado com muitas discussões,
resolvidas no conjunto do corpo docente. Ou
não ? É obra de um ou de dois, de visão singular
da mantenedora ?
Ocorrendo mudança na Coordenação lá vem proposta
de alteração curricular, sem qualquer receio,
ao contrário, sob jactâncias de vaidades ao
que era e agora precisa passar a ser ( ! ? ).
Nada contra mudanças curriculares se elas observarem
a busca exitosa e evitarem alguns dentre vários
incidentes, ocorrentes traumaticamente:
a)leva-se disciplina de qualquer semestre para
antes ou depois de onde estava localizada, em
geral diminuindo ou aumentando a carga horária
dela;
b)suprime-se a disciplina mas nenhuma outra
ocupa o espaço. É antes expediente econômico;
c)desconecta-se o conteúdo de disciplina(s)
deixando o currículo órfão, à deriva;
d)a disciplina, deslocada, deixa o laboratório
onde era praticada e vai para a sala de aula
tradicional, carteira e lousa, ou ao contrário,
para dar contemporaneidade na "apertação
de
botões";
e)perpetra-se o desmanche causal pelo interesse
casual;
f)ignora-se a possibilidade da (des)continuidade
de alunos trancados e/ou reprovados gerando
imensos problemas para eles e principalmente
para a secretaria. Com certeza, algumas
disciplinas serão propostas pelo regime de adaptação(curricular),
o que em geral é um engodo
e quase sempre o incauto aluno aceita.
g)reacomodações de alocações de aulas junto
ao corpo docente;
h)a nova disciplina contará com um "grande
mestre" que desenvolveu sua dissertação
sobre o
título e permanecerá como ilha no arquipélago
curricular;
i)saem os Projetos Experimentais e entram os
TCCs a despertar anseios numa pós-graduação;
j)adiciona-se disciplina que de novo só tem
o título, mais charme;
k)evitar a todo custo as resistências docentes
porque interesse contrariado é inimigo feito,
de
onde a necessidade de plenas e justificadoras
razões. Num primeiro olhar, se o mercado está
exigindo, por exemplo como o surgimento de nova
mídia (a Internet), novo
procedimento/técnica cirúrgica;
Antes, não cabiam(eriam) em qualquer outra disciplina
como agregado conteudístico ?
Essas
dentre tantas anotações ocorrentes nas transformações
curriculares devem preocupar muito o Coordenador
coerente, equilibrado e sem viés de estrelismos.
O que goza da síndrome do spotlight.
Enfim,
para usar termo modernoso, é complicado mexer
com currículos, sobretudo desconsiderando o
entorno responsável.
Currículos
e Conteúdos Programáticos
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Muito
além do Currículo de Curso Universitário
Já
tratei do mesmo assunto em artigo publicado
no site do SEMESP sob o título "Currículos
e Conteúdos". Está depositado em www.semesp.org.br
- Publicações - Artigos e Ensaios Educacionais.
É assunto de maior interesse intra-muros dos
Cursos, do aluno até a Reitoria, do docente
até a Coordenação, inclusive da Secretaria.
Adotado um currículo padrão de curso regular,
a sua oferta deve ser dominada por elementos
de qualidade. Exige de todos que o colocam em
ação uma severa obediência da proposta conteudística,
até onde possível, consoante as diretrizes curriculares
ofertadas pelo CNE.
Não sem razão os conteúdos precisam ser (re)examinados
em períodos, pois as circunstâncias sociais
e profissionais cobram atualidade na dinâmica
natural do conhecimento, na evolução e velocidade
em que tal conhecimento transforma novos e outros
saberes.
ANTECEDENTES
Balizado
com a carga horária proposta pelo CNE, nenhum
currículo de curso pode nascer de uma só cabeça
mas de uma equipe, aliás, prescrição da LDB.
E, sua construção deve levar em conta muitas
variáveis. Portanto, considerar todo o plexo
educacional, por exemplo :
a)relação com o valor da mensalidade;
b)montagem disposta nos dias da semana e consoante
a carga horária/relógio;
c)com disciplinas internalizando as diretrizes
curriculares sugeridas pelo CNE;
d)estar "afinado" com o ENADE;
e)não perder o foco das consideradas teóricas
e das práticas ( em laboratórios );
f)apresentar-se como facilitador para casos
de transferências ( in ) e reprovações ( Dependências
), além de Retenções e ainda para Trancamentos,
situações em que prosperam e abundam as Adaptações;
g)oferecimento de disciplinas em caráter multicursos
( fator econômico );
h)ser desenvolvida ( ou não ) por professores
pós-graduados ( fator econômico );
i)poder ( ou não ) ser oferecida tanto presencial
como a distância ( fator econômico );
j)prestar-se a interações com avaliações internas
promovidas pela CPA da IES;
k)ser a coluna vertebral do órgão NÚCLEO de
CURRÍCULOS e CONTEÚDOS;
Particularmente quanto a referido órgão, a IES
constituirá grupo tarefa exclusivo para pensar
e discutir currículos, cargas, conteúdos com
macrofoto do sistema, contando sempre com os
Coordenadores de Cursos para atualizações, aditamentos,
supressões, remanejamentos e deslocamentos das
disciplinas, conforme exigênciasdo mercado (
empregabilidades ). A dinâmica curricular, conteudística
e programática são inexoráveis, considerando
as velocidades do conhecimento e a obsolescênciadele,
quase diária.
l)se qualquer disciplina for ofertada com uma
carga de NÃO PRESENCIALIDADE, dedicando-se até
20% dela como virtual, aí então as atenções
devem ser redobradas pois:
Em qual momento da carga horária tal virtualidade
será apresentada, quaisitens/temas se prestarão
à virtualidade, quem conduzirá tais conteúdos
( tutoria / monitoria, etc. ) ;
m)a IES está propondo um reposicionamento do(s)
curso(s) e portanto alterar a matrizcurricular,
por exemplo, deseja privilegiar a construção
do conhecimento e não a mera transmissão;
n)a IES adotou integral ou parcialmente o conceito
do Estudo de Casos;
o)afinal, qual a proposta no PPI e no PDI a
se respeitar de modo que prevaleça os conceitos
de conectividade/aderência;
p)definitiva e decididamente, a matriz curricular
eleita vai à frente ou a reboque de demandas
sócio-profissionais ?
q)propor conteúdos exclusivos à graduação/bacharelado
sem permeá-los com conteúdos dos Tecnológicos.
r)considerar com a máxima atenção que não mais
existe, a partir de 2010, a hora-aula mas a
hora-relógio, observando a carga total estabelecida
pelo CNE para o curso.
A
disposição das disciplinas no currículo, cada
uma com sua carga horária respectiva, será entendida
como integrante de uma constelação, com brilhos
próprios e na medida do possível guardando trans/inter
e multidisciplinaridades.
Alocações eventualmente desajustadas, estar
em determinado semestre do curso quando deve(ria)
estar em semestre anterior ou posterior, ou
ainda, carregando carga horária menor do que
a necessária para o desenvolvimento dos conteúdos
programados, ou maior, caindo em mesmices repetitivas,
exige correção com prudência.
O conteúdo de cada uma delas deve observar rigorosamente
a carga horária que lhe é reservada de modo
a contemplar medidas exatas de propostas teóricas
e práticas, discussões, momentos de reflexão,
de avaliações continuadas, etc., nem mais nem
menos.
MOMENTO
REFLEXIVO
As
discussões de natureza da componência de conteúdos
nas disciplinas é momento rico, que deve se
repetir a cada ano incorporando o novo, suprimindo
o obsoleto e o defasado. Sobretudo com respeito
ao PPI e PDI onde devem estar claras a missão
e objetivo que permeam planos e projetos institucionais.
Fique certo que currículo já nasce com prazo
de validade estabelecido. Hoje, com certeza,
ele não se sustenta com mais de dois anos.
É o exato momento, que antecede ao início de
novo ano letivo quando saudavelmente os docentes,
em companhia e sob a liderança do Coordenador,
trocam experiências e vivências
práticas do campo de atuação profissional a
que se deseja graduar o educando.
Vale lembrar, é momento auspicioso para mexer
com a bibliografia de apoio à disciplina, enviando
à biblioteca da instituição solicitação de compra,
bem como os derivados instrumentais ou equipamentos.
Afinal, o que seria a escola sem antes erigir
um currículo e respectivos conteúdos ? Depois
vem o corpo docente e por fim o discente. Este
último com intimidade na avaliação dos ingressantes.
É tarefa de experts alocar disciplinas para
docentes, distintamente em razão de performances,
nos semestres iniciais ( sobretudo o primeiro
e segundo ) ou finais do curso. Há quem sirva
para os primeiros ou para os últimos e vice-versa,
aumentando/diminuindo evasão.
CONCLUSÃO
Um
currículo "bom e enxuto" não significa
certezas absolutas porque ele é peça de reciprocidades,
docente x discente.
Sua oferta vai além dos Planos de Ensino deixados
na secretaria do curso, carecendo de supervisão
constante de parte do Coordenador a quem incumbe,
semanalmente, passar um "visto" nos
Diários de Classe, confirmando a aplicação efetiva
dos conteúdos programados para a turma/sala.
Mas, também, não deve ser peça experimental,
ação de laboratório, porque o tempo fluirá rápido
pelas semanas e meses, portanto, inadmissível
que disciplinas fiquem à deriva no conjunto
curricular, sobretudo se semestral.
Socorros, se necessários, devem ser propiciados
com urgência.
O currículo de curso, por si só, é um universo
de preocupações como elemento pulsante, que
pode oferecer cenários extraordinários para
auto-avaliação por intermédio da CPA, que buscará
validação da proposta intentada.
E não é só currículo e conteúdos que cobram
preocupações mas também a forma e métodos didáticos,
pedagógicos, instrucionais para não falar em
novas tecnologias que invadem as salas de aula.
ADITIVOS
A
implantação de um currículo de curso deve ser
levada às últimas consequências no tocante ao
seu fim mas também quanto aos seu meios. Ou
seja, o Setor Financeiro deve interagir firme
quanto aos custos estabelecendo estatísticas
de Desistências, Cancelamentos e Transferências
( out ).
Deve cenarizar quem ocupará as disciplinas (
graduados, especialistas, mestres ou doutores
) dessas alocações pois isso envolve custos
de todas as ordens. Tal tarefa é tão mais fácil
quando a IES segue rigorosamente o volume de
ingressantes/vagas e pode ser feita com antecedência
de 2 a 3 meses do início das aulas / composição
das turmas.
Uma questão preocupante é relativa à intenção
da IES se pretende graduar generalistas ou especialistas.
Isso tem a ver com a "cara" da instituição,
sua vocação, sua participação no share.
Cito alguns exemplos:
1-)Um Curso de Comunicação Social, habilitação
em Jornalismo, que não tiver uma unidade móvel
que transite por locais para captação de áudio
( para a disciplina Rádio ) e de imagens para
a disciplina TV, está perdendo mercado. E isso
é possível com pequeno investimento, dando diferencial
ao curso, à formação real de seus alunos, agregando
valores,
ganhando visibilidade social. Qual o investimento
para ter tal unidade móvel ? Pequeno.
Esse mesmo curso pode ter um "botão"
no portal de forma a disponibilizar matérias
frias para acesso a todos os jornais do país,
até para servir de pautas de veículos.
Pode ter outro "botão" para um banco
de imagens de seus alunos, etc.
2-)Igual raciocínio para todos os cursos sempre
agregando valores como:
a-)receitas para o curso de Gastronomia;
b-)Tribunal de pequenas causas para o curso
de Direito;
c-)clínica/atendimento para Psicologia;
d-)clínica/atendimento para Veterinária
etc., etc.
Questão
de relevante importância, dada a participação
cada vez maior de pós graduados ( Mestres e
Doutores ), em salas de aula, é "cercar"
suas formações impedindo-os que implantem a
Síndrome das Teses. Ou seja, que levem para
a sala de aula, em substituição aos conteúdos
programados, aqueles específicos de suas teses/dissertações.
Mais ainda, que não levem para as salas de aula
antecipações à graduação, utilizando temáticas
de pós, sobretudo se há programas de Iniciação
Científica na IES e que em geral querem se assemelhar
à Pós. Equívoco.
Um pós graduado deve ser contratado para dar
aulas na graduação, e só, com suas competências
e habilidades de um pós graduado.
Ele não pode colocar um risco e em jogo o PPI
e PDI da IES com sua formação, que lhe é própria
para fim exclusivo. Pois, guardada tal premissa,
seria o caso de antecipar o Ensino Médio o que
é da Universidade. Ou mais, trazer para a Pós
Graduação o que seria pertinente do Pós Doutorado.
É maluco, impensável, lembrando Michelangelo
que advertiu um sapateiro\ que ele "não
deve ir além da sandália".
Em
breve análise, o Currículo e Conteúdos vai muito
além do que se supõe. É trabalho, é alma,
é espinha dorsal de proposta de cursos. Num
projeto de curso tudo o mais deriva do Currículo,
repito, corpo docente, laboratórios, biblioteca,
etc. sem que, contudo, as Comissões de Avaliações
raramente peçam o conjunto curricular e seus
conteúdos para uma apreciação\ que demonstre
consonância com os objetivos e missão da IES.
Seria a introjeção do espírito de corpo ou a
do espírito de porco ?
|
QUEM
NÃO SE COMUNICA SE ESTRUMBICA
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
O
título é um bordão do Velho Guerreiro, Abelardo
"Chacrinha" Barbosa, nos idos de 1957,
pronunciado à exaustão ao longo de sua carreira
pela TV, por conotação, desejando falar com o público
anunciante, por exclusivo.
E
o tema suscitado vem da oportunidade da apresentação
de um trabalho encomendado pelo SEMESP e desenvolvido
pela CDN Estudos e Pesquisa envolvendo um público
diversificado de 1.682 respondentes no Estado de
São Paulo.
A
pesquisa, denominada I2R - Índice de Imagem e Reputação,
feita dentre nove públicos, foi reveladora quando
interpretada à luz de se ter ou não ferramentas
estratégicas para a qualidade de mercado. No speech
de Dra. Cristina Panella, que conduziu a pesquisa,
ela carrega alguma preocupação ( o avestruz que
esconde a cabeça ) com certas posições tímidas das
IES falarem com a mídia.
Na
comparação entre os públicos pesquisados, chama
a atenção a diferença entre a hierarquia apontada
pela mídia e pela média dos demais públicos, destacando-se
para a primeira as condições financeiras e aos demais
o indicativo de corpo docente e administrativo preponderarem.
Enquanto
para a mídia a estrutura física é o menos valorizado,
para os demais é o contrário.
Nisso,
a comodidade(conforto) está entre os mais importantes
na visão da mídia, revelando que a comunicação entre
as IES e a imprensa precisa aprimoramento. Indo
além, as IES precisam educar a mídia sobretudo no
tocante à regulação, que justa ou não, própria ou
não, é interposta entre o locus universitário e
a própria sociedade, como se a esta os Mantenedores
desconsiderassem e desprezassem. Claro que não é
isso e o setor não pode,
pelo viés de atos e fatos do MEC, unilateralmente,
condenar à masmorra a injusta incúria educacional
particular.
Não
é possível continuar a expor as IES como se todas
fossem iguais, aqui destacado só para efeito primário
de análise, as educadoras públicas com as particulares.
Se as particulares optaram em resolver a empregabilidade,
anseio e exigência das famílias, que sejam avaliadas
com paradigmas próprios desse mister, sobretudo
na graduação. A pós graduação é outra conversa.
Até
porque, não é desiderato do ensino público atender
o setor no aspecto massivo. Assim fosse, os números
/ base da pirâmide, deveriam estar em cima e não
embaixo.
Eis
a questão central, a grande indagação, que leva
à preocupação pontual de estarem ou não as IES se
comunicando com a mídia. Ou, ao contrário, se escondendo
ou até fugindo dela, considerando ser ela a única
caixa de ressonância massiva na sociedade. Sem dúvidas
isso demonstra muita fragilidade na Comunicação
Organizacional, negligência ou desídia, a superar
com urgências. Pode ser temor de se comunicar com
a mídia, se estrumbicar, ou carência no bem administrar
os seus discursos, logrando negativamente verdadeiros
crimes contra a imagem e percepção das IES. Recomendação
de momento: ter mídia training dentro da IES. O
continuar no mercado depende da administração competente,
cada um per si, da dimensão ética, coerente com
um conjunto de valores que a sociedade considera
como justo, honesto e correto. Quanto às estéticas,
mantendo uma praxis de organização, comprometida
com a imagem que se deseja construir e fixar junto
aos públicos de interesse. É Preciso mais ?
É
claro que o Mantenedor não ignora que a comunicação
com seu público externo também agrega valor e mantém
a IES no mercado com visibilidade, sob transparências.
O temor se daria em razão de algum arranhão na imagem
junto aos opinion makers ou frente à concorrência
?
De
se ressaltar que a pesquisa foi proposta em todas
as regiões administrativas do Estado, grande parte
onde houvesse IES particulares e por conseqüência
uma mídia local. Com absoluta segurança, jornais,
revistas, emissoras de rádio e TV sem especialistas
na editoria de educação. Sob risco, existente só
na grande imprensa da Capital. E olha lá, quando
muito, dez jornalistas, alguns com mais e outros
com muito menos conhecimento sobre o assunto. Coisa
de dez dedos em duas mãos. Que não raras vezes só
operam com números, fornecidos pelo INEP/MEC. É
nada ou muito pouco quanto a interpretar as realidades
das IES. E nem por isso revelam na conseqüência
laboral, insurgindo-se (como os Mantenedores alcançados
pela injustiça avaliativa) com severa investigação
jornalística tais realidades. Até quando ?
Até
as particulares entregarem as chaves para o governo,
tipo, NÃO QUEREMOS MAIS, fiquem com as Autorizações,
Credenciamentos e quetais ?
Em
tempo, por que as principais associações representantes
da iniciativa particular não têm assento em algum(uns)
órgão(s) do CNE e da área administrativa do MEC,
mesmo sendo maioria, porque não constituir organismos
distintos de operacionalidades no público e no privado
?
Nos
poucos encontros entre o público e privado, mediado
pelo MEC, em tom de blague, mais parece conversa
de periquitos australianos, de beija-mão, de portar
pires ou chapéu em escadaria de igreja, e tocando
sanfona.
Num
consenso do setor privado, nenhuma IES deveria buscar
apoio à Portaria Normativa Nº 14. Senão pela sobrevivência,
nos bancos particulares o custo é muito menor.
OBS. Apoiado em texto de Artur Roman
Atividades
Complementares em Curso Superior
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Recomendadas
em todas as Novas Diretrizes Curriculares, sua normatização
deve propiciar com clareza a aplicação e o desenvolvimento,
ao longo do curso, de maneira sistêmica e organizada.
Em princípio, elas podem ser oferecidas em carga
distinta e separada (1) das disciplinas regulares,
independente e autonomamente. Para as licenciaturas,
a norma é mínimo de 200 horas (Res. CP/CNE 02/02);
para a Pedagogia, no mínimo 100 horas (Res. CNE
01/06); para os bacharelados (e graduação profissional),
até 20% da carga-horária mínima, conforme a Res.
CES/CNE 02/07.Exemplificando, se o curso prevê 3
mil horas, distinguir as ACs com 200 horas e a grade
curricular com 2.8 mil horas.
Mas, é possível também determiná-las de maneira
interiorizada e composta (2) nas cargas individuais
de cada disciplina, de algumas ou de todas.
Para a primeira situação (1), considerando um curso
de 4 anos, elas serão cumpridas, como média, à razão
de 50 horas anuais. Como não uma disciplina, mas
atividade, o resultado será sempre REALIZADAS /
NÃO REALIZADAS. A condição NÃO REALIZADAS nunca
impedirá a promoção do aluno mas a negativa de conclusão
do curso.
Se a carga for distinta e separada (1), a sugestão
é a de que o aluno receba logo ao início do ano
letivo uma programação antecipada, ao menos no semestre,
quais serão as propostas e iniciativas da instituição,
contendo um agendamento dos eventos, semana a semana.Se
o aluno deixar de cumprir as primeiras 50 horas
( no 1° ano ) poderá ter dificuldades no futuro
pois elas se acumularão para as séries seguintes.
O aluno não poderá concluir o curso se não cumprir
as 200 horas.
A administração da carga de ACs, pela secretaria
do curso, será obrigatória e imprescindível, zelosa
e principalmente trabalhosa, inegavelmente. A sugestão
é a criação de um Setor/Depto. de ACs. que uma vez
relatadas pelo interessado sofrerá o crivo de alguém,
por exemplo, do Coordenador do Curso.
Todos os documentos relativos ao cumprimento das
atividades deverão ser conduzidos ao prontuário
do aluno indicando parciais e totais da obrigação
realizada.
Na montagem da programação das ACs, a instituição
observará o máximo possível da transdisciplinaridade,
a contemplar curso(s), disciplina(s), conteúdos
etc. É tarefa para todo o coletivo docente da IES,
principalmente aos alocados em regime de trabalho
Parcial e Integral.
As ACs, uma vez implantadas, merecerão alteração
curricular e portanto obrigatória a publicação pelo
D.O.U.
Se a instituição optar por aplicar carga - interiorizada
e composta (2) - (aula + ACS), abaixo oferecemos
uma alternativa que se caracteriza imperativa de
cumprimento porque integra a carga específica da
disciplina. Diferente da opção distinta e separada
(1), a forma composta fica interiorizada na carga
da disciplina. A NÃO REALIZAÇÃO, aqui, levará à
reprovação na disciplina. É instrumento de avaliação
continuada.Por ter caráter obrigatório de realização,
dentro da disciplina, tem facilitadores pelo fato
de ser (ad)ministrada pelo próprio docente.
Assim, estas ACs estarão incluídas, sempre, com
a relação :
Disciplinas de 40 horas serão operadas = 32 + 8
ou 34 + 6 e
Disciplinas de 80 horas serão operadas = 64 + 16
ou 68 + 12 ou
Disciplinas de 40 horas adicionarão 8 horas de AC
( 40 + 8 )
Disciplinas de 80 horas adicionarão 16 horas de
AC ( 80 + 16 )
OBSERVAÇÃO:
Os números aqui adotados devem ser adaptados, sobretudo
pelo advento de norma que obriga a transformação
de HORA/AULA em HORA/RELÓGIO. Pode ser o caso, inclusive,
não de interiorizar uma carga relativa às ACs mas
que seja somada a cada disciplina.
Dessa forma, as ACs interiorizadas ( 8 ou 6 )( 16
ou 12 ) têm caráter obrigatório, contribuindo sobretudo
no processo avaliatório do aluno na disciplina.
As
ATIVIDADES COMPLEMENTARES - se caracterizarão como
práticas adêmicas apresentadas sob múltiplos formatos,
tendo em vista essencialmente :
I-)complementar e sintonizar o currículo pedagógico
vigente
II-)ampliar os horizontes do conhecimento bem como
de sua prática para além da aula
III-)favorecer o relacionamento entre grupos e a
convivência com as diferenças sociais
IV-)favorecer a tomada de iniciativa dos alunos
V-)propiciar a inter e transdisciplinaridade no
currículo, dentro e entre os semestres/séries
Sugerimos
sete Categorias distintas de ACs., de diferentes
modalidades.
Assim, a instituição regulamentará que o aluno transite
por todas elas, ao menos em três.
Caso contrário, é possível que o aluno adote somente
uma delas, fugindo do ideário das ACs.
(
modelo )
REGULAMENTO das ACs - ATIVIDADES COMPLEMENTARES
1)As ATIVIDADES COMPLEMENTARES - ACs, ora regulamentadas,
de conhecimento prévio dos alunos matriculados no(s)
Curso(s) ........... , serão realizadas mediante
a tabela de categorias e modalidades.
CATEGORIA
MODALIDADES
A Atividades genéricas na área do curso
B Palestras, Seminários, Congressos e Conferências
C Pesquisa
D Extensão
E Iniciação Científica
F Monitoria
G Disciplinas Não Previstas no Currículo
2)Todas
as ACs merecerão absoluta interação com o professor
da disciplina ou Coordenador
designado para tal fim.
3)As ACs realizadas deverão ser comprovadas pelo
aluno através de relatórios, declarações,
atestados ou certificados emitidos pela promotora,
se fora dos “campi”, ou convalidadas no
registro acadêmico do aluno, se no âmbito interno
mas sempre mediante relatórios.
4)Na elaboração do relatório, o aluno o redigirá
de forma a conter o descritivo claro
e consistente da atividade, interpretando, problematizando
o conteúdo técnico, bem como os
benefícios proporcionados e adquiridos.
Poder-se-á, circunstancialmente, contatar entidades
para a obtenção de referências
ecomprovação de fatos e atividades.
APÊNDICE
CATEGORIA
“A”
São as desenvolvidas fora dos “campi” , tais como
cursos de extensão em outras instituições, visitas
a órgãos públicos ou entidades particulares ligadas
à área de abrangência do curso. Assim também palestras,
seminários, oficinas, visitas técnicas, cursos etc.
em instituições educacionais, estudantis ou profissionais,
públicas ou privadas reconhecidas pela instituição.
Tais ACs devem ser adequadas à formação complementar
do aluno. Considera-se a participação do aluno,
na forma ativa ou passiva, ou seja, na condição
de participante ou palestrante-instrutor-apresentador.
CATEGORIA
“B”
São as desenvolvidas dentro dos “campi” da instituição,
consideradas palestras, seminários, congressos e
conferências, sessões técnicas, jornadas acadêmicas,
workshops e ciclos de estudos atendendo interesses
gerais ou específicos.
CATEGORIA
“C”
Pesquisa teórica ou empírica, a fim de que o aluno
possa visualizar o conteúdo da disciplina /curso
em sua projeção social real, com a finalidade de
que a formação universitária não esteja restrita
apenas à aplicação e interpretação do conhecimento,
mas que os alunos sejam formados para também construí-lo.
Nesse caso, o aluno ajustará com o Professor/Coordenador
o objeto da pesquisa, as condições de sua realização,
avaliação e registro. A atividade realizada será
atestada. Esta categoria inclui : projeto (envolvendo
implementação prática), pesquisa teórica, oficina,
formação de grupo de estudo e de interesse com produção
intelectual ou projeto com implementação real.
CATEGORIA
“D”
Consiste na prestação de serviço em questões ligadas
à cidadania, família, saúde, educação, meio ambiente,
movimentos solidários, habitação/moradia, voluntariado
em entidades filantrópicas e ONGs, participando
de programas, a fim de que o aluno experimente a
função social do conhecimento produzido. O aluno
poderá dela participar através de vínculos com órgãos
públicos ou privados, antecipando junto ao responsável
a sua participação mediante um pequeno projeto,
expressando os aspectos gerais da atividade, incluindo
o cronograma de trabalho proposto, horários das
atividades e dos dados da entidade abrigadora. Nessa
categoria o aluno pode e deve pesquisar ambientes
da sociedade aos quais possa levar seus conhecimentos
de forma criativa e produtiva. Merecerão relatórios
detalhados e circunstanciados do aluno que serão
enviados ao responsável, bem como declaração ou
certificado emitido pela entidade, atestando as
atividades desenvolvidas, em papel timbrado e assinado
sobre carimbo da Direção.
CATEGORIA
“E”
Iniciação Científica é uma atividade investigativa,
no âmbito de projeto de pesquisa, na qual o aluno
ficará sob tutoria de professor titulado,visando
ao aprendizado de métodos e técnicas científicas
e ao desenvolvimento da mentalidade científica e
da criatividade. A Iniciação Científica está aberta
aos alunos a partir do 2o ano e depende de publicação
de edital, no qual constarão o número de vagas e
as condições para participação. Aluno e responsável
deverão desenhar a arquitetura desse trabalho mediante
troca de informações, detalhamentos e condições
de exeqüibilidade. Informações e dúvidas sobre o
programa de Iniciação Científica, consultar o Coordenador
responsável pela atividade.
CATEGORIA
“F”
A monitoria visa propiciar ao estudante a oportunidade
de desenvolver, sob supervisão docente, suas habilidades
para a carreira docente nas funções de ensino, pesquisa
e extensão. O monitor auxilia o corpo docente nas
tarefas didático-científicas: preparação de aulas,
trabalhos didáticos, atendimento a alunos, atividades
de pesquisa e extensão, trabalhos práticos e experimentais
em laboratório, em biblioteca e no campo, além de
outros compatíveis com seu grau de conhecimento
e experiência.
Somente pode se inscrever para concorrer às vagas
de monitoria, definidas em Edital, o aluno que comprove
a aprovação na disciplina em que pretende atuar,
com nota igual ou superior a sete. Para o exercício
de suas funções o monitor recebe certificado e uma
bolsa correspondente a 20% da mensalidade em vigor,
durante o período em que exercer a atividade.
CATEGORIA
“G”
- DISCIPLINAS NÃO PREVISTAS NO CURRÍCULO
O aluno tem a possibilidade de se inscrever em disciplinas
de outros cursos na instituição, que tenham implicações
ou correlações com o seu campo de estudos, abrindo-se
assim uma perspectiva multidisciplinar na sua formação.
Nesta categoria, também podem ser considerados cursos
de idiomas e cursos técnicos complementares à formação
do aluno, ofertados por outras instituições acadêmicas,
culturais ou empresariais. No caso de cursos ofertados
por outras instituições, deve-se apresentar certificado
em papel timbrado da instituição em que o curso
foi realizado, identificando total de horas-aula
cumpridas.
CONCLUSÃO
As ACs se mostram assim com grande largueza de formações
que devem ser agregadas ao espírito das NDCs – Novas
Diretrizes Curriculares, em estreita sintonia com
o currículo pleno,com o PPI e PDI do curso.
As Atividades Complementares devem possibilitar
o reconhecimento, por avaliação, de habilidades
e competências do aluno, inclusive as adquiridas
fora do ambiente escolar, hipóteses em que o aluno
alargará o seu currículo com vivências e experimentos
acadêmicos, internos ou externos ao curso, não se
confundindo estágio curricular ou supervisionado,
com a amplitude e a possível rica dinâmica das Atividades
Complementares.
As Atividades Complementares, assim, se orientam
a estimular a prática de estudos independentes,
transversais, opcionais, de interdisciplinaridade,
de permanente e contextualizada atualização profissional
específica, sobretudo nas relações com o mundo do
trabalho, estabelecidas ao longo do curso, notadamente
integrando-as às diversas peculiaridades regionais
e culturais.
Nesse sentido, as Atividades Complementares podem
incluir projetos de pesquisa, monitoria, iniciação
científica, projetos de extensão, módulos temáticos,
seminários, simpósios, congressos, conferências,
além de disciplinas oferecidas por outras instituições
de ensino ou de regulamentação e supervisão do exercício
profissional, ainda que esses conteúdos não estejam
previstos no currículo pleno de uma determinada
instituição mas nele podem ser aproveitados porque
circulam em um mesmo currículo, de forma interdisciplinar,
e se integram com os demais conteúdos realizados.
Enfim, as atividades de extensão, previstas no art.
44, inciso IV, da LDB 9.394/96, cuja finalidade
básica, dentre outras, consiste em propiciar à comunidade
o estabelecimento de uma relação de reciprocidade
com a instituição, podem ser integradas nas Atividades
Complementares, enriquecedoras e implementadoras
do próprio perfil do formando.
Método
de Projetos
Prof.
Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Uma
proposta ideológica e operacional para o cumprimento
das 400 horas de Prática de Ensino impostas para
as licenciaturas.
A
humanidade acredita no estabelecimento de sistemas
regrados como exigência do cotidiano. Primeiro se
organiza, depois estabelece um sistema de relações.
Em seguida caminha para um sistema de medidas e
chega ao controle social.
Ao longo da história, grandes pensadores foram adaptando,
ajustando, adequando e atualizando conceitos para
a área educacional, sistematizando-as.
No ensino, quando os educadores se vêem diante do
imperativo da qualidade, do tipo de sociedade desejada,
e a partir da qual se definem e se encaram nesse
propósito, muitos aspectos caem na rede analítica.
Vamos nos deter aqui, resumidamente, para subsidiar
alguns comentários sobre as Práticas, nos
a) objetivos educacionais e nas
b) diretrizes metodológicas.
Há,
entretanto, alguns momentos reflexivos no estabelecimento
dos objetivos que se pretende atingir, buscando
a conciliação entre humanismo e o pragmatismo, a
acareação entre os conceitos de pedagogia da existência
e da essência, a questão da transferência educacional
e a teoria da eficiência burocrática, dentre outros.
1
- DIRETRIZES METODOLÓGICAS - PRELIMINARES sobre
o MÉTODO
Centrando
esforços na metodologia e baseando-a no Método de
Projetos, formalizado pela primeira vez pelo educador
americano John Dewey, a partir da proposta pedagógica
explicitada em 1918, por Kilpatrick, desejamos oferecer
o presente trabalho como proposta ao desenvolvimento
das PRÁTICAS de ENSINO nos cursos de LICENCIATURAS.
É o resgate de Dewey.
Esse Método pretende (re)criar a realidade na qual
o aluno irá atuar após concluir o curso, pela ação/atuação
muito mais própria e pulsante de um Projeto de Práticas.
É uma tentativa de globalizar o conhecimento, desconstruindo
o ensino propedêutico, transferindo ao aluno a responsabilidade
do seu aprendizado pela formação de uma atitude
científica. E também transformando o professor em
orientador (Tutor) das experiências, um recurso
a mais com que o aluno poderá contar para resolver
determinada situação problemática.
O Método fundamenta-se na estrutura do conhecimento
científico e visa treinar o aluno a resolver problemas
a partir de sua formulação adequada, da elaboração
de hipóteses e do teste empírico das variáveis que
atuam sobre o problema formulado. O Método exige
aplicação de reformulação ao padrão standard e tradicional
na sistemática de oferta de aulas-temas-problemas.
É o mesmo Dewey quem destacava o fundamento do Método
de Projetos como sendo a atividade coletiva com
propósito prático (pragmático) num ambiente natural.
Ao definir as condições gerais que o Método deve
reunir, dizia:
a) que o aluno tenha uma situação de experiência
autêntica, isto é, uma atividade contínua na qual
esteja ele próprio interessado;
b) que se desenvolva um autêntico problema dentro
desta situação como um estímulo para o pensamento;
c)que o aluno possua a informação e que faça as
observações necessárias para manipulá-la;
d) que as soluções possíveis sejam criadas por ele,
o qual tornar-se-á responsável para desenvolvê-las
de uma forma ordenada, e,
e) que tenha oportunidade e ocasião para comprovar
suas idéias, para aplicá-las, para esclarecer seu
sentido e descobrir, por si mesmo, sua validade.
A
base do Método de Projeto está na realidade viva
e nos problemas e dificuldades que esta apresenta
e que devem ser resolvidos e superados. Mas, na
educação há algo mais que problemas e necessidades;
há também, aspirações, desejos e determinações que
vão além da realidade. Há a necessidade, portanto,
de se ampliar esse conceito para abranger a vida
toda, tal como definido por José Ortega y Gasset
ao dizer que “a vida significa o esforço para realizar
o projeto da existência de cada qual” e ... “vida
não é senão o afã de realizar um determinado projeto
ou programa de existência.”
Ao Método de Projeto foram dadas numerosas definições.
Citaremos as três mais expressivas:
Para Kilpatrick, o projeto é um “ato completo que
o agente projeta, persegue, e, dentro de seus limites,
aspira a realizar”. É “uma atividade entusiasta,
com objetivo, que se realiza num ambiente social,
ou, resumindo, o elemento unidade de tal atividade,
o ato interessado em um propósito.”
Para Stevenson, “O projeto é um ato problemático
levado a seu término em seu ambiente natural”.
Para Krakowitzer, “Toda a atividade com objetivo
definido e concluído chega a ser um projeto.” Destas
e de outras definições, assim como dos fundamentos
antes indicados, se depreende que no Método de Projetos
o projeto assemelha-se ao problema enquanto é também
alguma coisa que tem de ser resolvida/solucionada,
mas se diferencia dele pela sua complexidade onde
intervêm os seguintes fatores :
1)
Um problema, ou situação problemática
2) Uma atividade original ou provocada, encaminhada
para sua solução
3) Um ambiente ou meio natural em que está situado
4) Uma finalidade ou objetivo quanto à sua aplicação
5) Uma série de projetos para a realização desta
finalidade.É necessário, entretanto, que se reúna
determinadas condições na sua aplicação e novamente
é Dewey que tem a palavra :
“A
prova de um bom projeto está em ser completo e bem
formulado, para exigir uma variedade de respostas
de diferentes educandos e permitir a cada um dar
sua contribuição própria, segundo suas características.
A prova ulterior ou sinal de uma boa atividade,
falando pedagogicamente, é que tenha suficiente
espaço de tempo para que inclua uma série de trabalhos
e explorações, e suponha um procedimento tal que,
a cada passo abra um novo campo, suscite novas questões
, desperte a exigência de novos conhecimentos e
sugira o que se deva fazer sob a base do que já
foi feito, e o conhecimento adquirido.
As ocupações ativas que satisfaçam estas duas condições
produzirão necessariamente alguma acumulação e sistematização
de fatos e princípios relacionados.” Resumindo,
os benefícios do projeto, entre seus valores positivos,
podem contar-se os seguintes :
1) Dá sentido à ação educativa e à atividade do
educando a partir das aspirações;
2) Suscita o interesse e o entusiasmo ao conceber
a realidade como algo problemático que tem de ser
resolvido;
3) Desenvolve o espírito de iniciativa e de realização
na medida que tem de se buscar os meios para resolver
as situações problemáticas;
4) Dá sentido de realização, ao executar atividades
que se devem complementar;
5) Fomenta o espírito de colaboração e solidariedade
ao serem realizados os projetos coletivamente;
6)responde ao princípio de integração e totalidade
no qual se inspira a ducação nova.
2
- S Í N T E S E
O
Método deve ter as seguintes condições preenchidas
:
Interesse do aluno
Problema autêntico (formulação clara da situação
problemática)
Quantidade e qualidade de informaçõesManipulação
das informações
Ordenação lógica das soluções encontradas
Aplicação das soluções.
Lembrando
que :
Todo projeto implica em tomada de posição.
Quanto maior for a quantidade de informações que
o aluno possuir, maior é a probabilidade de tomar
decisões condizentes com a situação problemática
proposta.
Quanto melhor for o instrumental metodológico usado
pelo aluno, para selecionar informações, maior será
a probabilidade de formular soluções à situação
problemática.
Advindo
as seguintes vantagens na aplicação do Método :
Atende ao interesse do aluno.
Contribui para que a realidade seja percebida como
problema que necessita explicação ( solução ).
Desenvolve a iniciativa.
Estimula a pesquisa; desenvolve o método científico.
Fomenta o espírito de colaboração.Integra.
3
- A VELHA MOEDA: CARA & COROA
Tomar
de uma moeda para interpretar as duas faces da situação
é uma boa representação.
De um lado o aluno e de outro o professor. A massa
crítica da relação ensino-aprendizagem está no próprio
metal, em sua massa. O que se deseja é ter como
conseqüência uma educação realista, efetiva e de
resultados, palpitante, com temperatura alta e vivificada.
Esse objetivo deverá ser alcançado com a informação,
ingrediente principal na educação.
É nisso que reside a revolução educacional para
o futuro: o comprometimento da qualidade de informação
oferecida, colhida, sugerida, selecionada, discutida,
interpretada, utilizada ou descartada, adotada para
a meta da aprendizagem.
A questão é exatamente centrada nos novos recursos
de informações que se traduzirão nos novos aprendizados.
Aqui
está o papel do novo professor : o papel lógico
que o transforma de explicador de conceitos em disseminador
de informações, de textos. Porque tudo será conduzido
a um grande mix, a um Projeto.
O papel do professor muda dramaticamente. Não é
mais possível pensar e agir como se a informação
fosse um recurso escasso. Ao contrário, hoje ela
excede e é abundante.
Foi-se o tempo quando o formato de uma conferência
ou de uma aula era o meio mais lógico de disseminar
informação.
Um grande número de estudantes convergia para um
lugar e alguém instruído expunha um tópico, armado
de monografias e livros a que poucas pessoas tinham
acesso, valendo-se de um retroprojetor.
Hoje, não se trata mais de avaliar os textos disponíveis
e selecionar o melhor. É necessário peneirar um
volume enorme de possibilidades e recomendar o que
for (é) legítimo. É preciso separar a preciosidade
do inútil. Vale lembrar os trabalhos escolares com
só as capas belíssimas mas o conteúdo...
Um catedrático responsável já não procura só autoridades
reconhecidas, e sim as fontes interessantes, originais
e provocadoras. É quando o professor facilita o
processo de dois modos:
1)
Selecionando e recomendando as melhores fontes;
2) Ensinando para os estudantes como avaliar a qualidade
de fontes por si mesmos.
A
qualidade do pensamento, o discurso do aluno, deve
valer mais do que a qualidade da fonte. O posicionamento
crítico do aluno, não à frente do professor mas
ao lado dele, contando com o bom preceptor, que
ministra preceitos e instruções, dará especial sentido
à orientação na construção do conhecimento. Isso
se deve a que a ambiência de Práticas requer um
jogo bastante diferente das simples habilidades
de interação.
O mergulho, movido a combustível do interesse, ressalta
pelas observações :
a )a vida útil do conhecimento, que é o período
de tempo para o qual o conhecimento é aplicável
e útil, está em curva decrescente;
b) o volume crescente de conhecimento exige dedicação
exclusiva para levar informações aos demais ambientes.
O
papel do aluno e do “novo professor” em atuação
nas Práticas é selecionar toda a informação relevante
e filtrá-la para as considerações, elaborar e abastecer
o Projeto com perguntas provocativas, fazendo o
possível para facilitar discussões em que todos
os envolvidos participem.
A docência qualificada chega às últimas conseqüências
quando descobre desapontamentos, de parte a parte,
com a qualidade de participação do estudante, ao
identificar que se recebe muito entusiasmo e respostas
em nível superficial, ou limitadas em nível profundo.
Esse é o cotidiano, em geral, de uma sala de aula
mas que deve ser diferente numa Prática conduzida
para um Projeto de fazer.
4
- RETOMADA da EXPOSIÇÃO do MÉTODO de PROJETOS
O
Método de Projeto nunca esteve em desuso. Talvez
engavetado pelos mais radicais tratadistas do fazer
na educação. Particularmente, duvido que não tivessem
indecisões no abandono do método de Dewey.
Quando definiu as cinco condições gerais, que tal
Método devia(deve) reunir, Dewey nunca imaginou
que, a rigor, esse método seria aplicável, por excelência,
na modalidade do cumprimento de Práticas. Nunca
esteve tão presente “uma situação de experiência
autêntica que o aluno deva ter” ou seja, participar
e desenvolver uma atividade contínua na qual esteja
ele próprio interessado. Da mesma maneira, que o
Tutor * desenvolvesse e aplicasse um autêntico problema
dentro de uma situação, como um estímulo para o
pensamento. Carregou forte nas tintas responsabilizando
tanto o Tutor * como o aluno na posse da informação,
exigindo as observações necessárias para sua manipulação.
Não descartou a importância das possibilidades do
atingimento de soluções criadas pelo aluno, o qual
torna-se responsável pelo seu desenvolvimento de
forma ordenada. Foi enfático, também, que nessa
busca o aluno tenha a oportunidade e ocasião para
comprovar suas idéias, para aplicá-las, para esclarecer
seu sentido e descobrir, por si mesmo, sua validade
__________________________________________________
* Apenas para efeito conceitual : PROFESSOR está
em sala de aula e
TUTOR como orientador de Projetos e Práticas.
5
- FUNDAMENTAÇÃO PSICOLÓGICA
Todo
procedimento didático está ligado por uma psicologia.
Portanto, na proposta de utilização do Método torna-se
indispensável o conhecimento dos procedimentos que
o caracterizam e o compõem, além dos fundamentos
psicológicos que os justificam para que sua aplicação
se realize adequadamente.
Quando o professor propõe ao aluno a realização
de um empreendimento (Projeto), o objetivo final
é o projeto acabado, que se tornará possível pela
realização de inúmeras etapas de trabalho. No levantamento
do professor com os alunos dessas etapas de trabalho,
dessas ações-parte, forma-se na mente do aluno uma
representação do processo no seu desenrolar, tendo
em vista o conhecimento do todo, qual seja, o projeto
acabado. Visualizando o processo pronto e as etapas
que devem ser superadas, o aluno retira do conjunto
total de suas ações um grupo específico, com o qual
irá trabalhar adequado à concretização do empreendimento.
Quando falamos a primeira vez na utilização deste
Método você retirou de dentro de suas experiências
passadas aquelas que tornam possível ao seu pensamento
trabalhar na compreensão deste método. A este grupo
de ações selecionadas chamaremos de esquemas de
ação. O Projeto proposto deve estar sempre em mente
dos seus executores como sendo a finalidade a ser
alcançada, que se concretizará através do trabalho,
sistematizado por um método de ação.
Assim, o aluno executor de um Projeto, na tentativa
de conclusão, passa por :
a) seleção de ações adequadas (esquemas de ação
) realizada pelo aluno com a orientação do Tutor;
b) distinguir que essas ações se realizam efetiva
e interiormente;
c) que no processo de realização do Projeto novos
comportamentos se estruturam:pela composição de
elementos já existentes ( integração ) e pela diversificação
de novos comportamentos, a partir dos já existentes
(diferenciação).
Afinal,
qual a mola propulsora de todo esse processo ? O
que provoca a movimentação de todas essas ações
?
Aqui reside o ponto fundamental do Método de Projetos
:a adequada colocação do problema, que provocará
e justificará todo o processo a ser realizado.
O problema (*) nada mais é do que a antecipação
de um “projeto” ( entre aspas para diferenciar do
Projeto, entendido como Método que está sendo apreciado.
(*)
A forma de colocação do problema deve ser tema de
exaustivo estudo e debate entre os professores que
trabalharão em algum módulo de disciplinas, preocupados
com a interdisciplinaridade, para a execução de
determinado projeto, a fim de que, numa representação
adequada o problema oriente, coerentemente, o método
de ação, segundo o fim a ser alcançado.
Se
perguntamos “por que”? -provocamos ações que tentarão
explicar ;
Ao perguntar “como”? -antecipamos ações que buscarão
formas de realização;
Perguntando “para que”? levantamos ações que tentarão
avaliar as finalidades propostas; e assim por diante.
6
- FUNDAMENTAÇÃO DIDÁTICA
Como
se pode aplicar o Método de Projetos nos cursos
de licenciatura, mais especificamente no tocante
às Práticas ? Tal indagação nos estimula o pensamento
no sentido de encontrarmos um critério e uma técnica
que possibilite aplicar o Método. Uma vez despertados
para o problema e indicada a direção para a pesquisa
e a reflexão, pode-se partir para a ação, ou seja,
a realização do Projeto.
Para a execução dele, podemos percorrer as seguintes
fases :
a) Recolhimento de sugestões
b) Fixação e fundamentação da ordem de sua execução
c) Especificação e justificação das sugestões
d) Parecer do grupo
e) Execução pelo grupo
f) Exame em comum dos resultados
7
- MÉTODO DE PROJETOS e RELAÇÃO INTERDISCIPLINAR
Por
desenvolver conhecimentos de áreas diferentes, o
Projeto exige como princípio fundamental para a
sua execução a integração entre as disciplinas.
A questão da integração das disciplinas no curso
universitário constitui-se na tarefa mais desafiante
que tem sido proposta aos educadores. Esta dificuldade
vem sendo contornada pela solução da integração
das disciplinas segundo objetivos.
Ainda que esta atitude possa representar solução
para determinadas opções educativas, no caso do
Projeto, ela é insuficiente. O Projeto possui um
núcleo central determinado pela proposta inicial,
formulada na situação problemática. A elaboração
dessa situação delimita o complexo e extenso universo
da realidade, estabelecendo contornos definidos,
dentro dos quais, dar-se-á a ação realizadora do
conhecimento. Ainda que isto aconteça, a solução
da situação problemática, isto é, a realização do
Projeto, implica na subordinação a outros conhecimentos
que não aqueles especificados nos limites do próprio
problema. Com isto, queremos afirmar que para a
solução do Projeto, concorrem conhecimentos pertencentes
a áreas diferentes do conhecimento, mas que se subordinam
a um objetivo único.
A dificuldade reside na possibilidade de se elaborar,
com precisão, quais os conteúdos de que se necessita
para a realização de um Projeto. Qual a forma de
vazar tais conteúdos auxiliares na ação realizadora
e como avaliar a sua utilidade. A Metodologia de
Projetos não encara o conhecimento como constituído
de compartimentos estanques, propriedades de ciências
independentes. O comprometimento com a visão globalizadora
do conhecimento exige, na aplicação do Método de
Projetos, uma integração efetiva de conteúdos para
que ele possa ser realizado.
Segundo John Dewey, este Método pretende ser, em
outro nível, o retrato fiel de problemas que o educando
irá enfrentar na sua ação modificadora do mundo.
O Projeto é trabalho e assim pretende-se que o educando,
pelo seu próprio esforço, construa o seu próprio
conhecimento.
Considerando que o Projeto tem um núcleo que lhe
define os limites, localizado no conjunto de conhecimentos,
as outras áreas do conhecimento se constituirão
em auxiliares para a solução do problema central.
Uma(s) mais próxima(s), outra(s) mais distante(s)
do núcleo, guardando seu grau de comprometimento
no processo de integração.
Apenas como exemplo, imaginemos o estabelecimento
de um fazer prático numa licenciatura como o de
um PROJETO de ALFABETIZAÇÃO - módulo I, tendo como
auxiliares algumas disciplinas do currículo, do
primeiro ano. Para o segundo ano a aplicação visando
o módulo II.
Para a solução da condição primordial à boa execução
do Projeto, exige-se que o planejamento seja realizado
pela equipe de professores e tutores com a responsabilidade
do trabalho final.
Esse planejamento deverá ser realizado após o estudo
preliminar com todos os professores e tutores das
etapas de execução do Projeto, formulando-se a situação
problemática ( com a eleição de uma disciplina núcleo/eixo
) e os eventuais problemas existentes/criados/encontrados
em cada disciplina auxiliar, decorrentes do problema
base/eixo.
8
- PROBLEMAS SUSCITADOS pelo MÉTODO
8.1
- Controle de aplicação do MétodoÉ preciso que exista
uma Coordenação Central que mantenha sob seu controle
o desenvolvimento executivo das etapas e da participação
eficiente de cada uma das disciplinas que intervenham
no processo global.Essa Coordenação procurará manter
os professores e tutores unidos por um comportamento
grupal, mas os trabalhos serão sugeridos pelo professor
da disciplina núcleo e operacionalizados pelo tutor.Não
se entenda essa integração grupal como uma forma
do professor abdicar de sua liberdade e individualidade
profissionais.Se não existir a integração interdisciplinar
e uma eficiente coordenação, corre-se o risco do
Método tumultuar a atividade educativa com graves
prejuízos para o próprio sistema.O que se pretende
não é uma padronização na transmissão do conhecimento,
mas uma forma cooperativa integrada para a globalização
do conhecimento a ser adquirido pelo aluno.
8.2
- Adequação à estrutura e aos objetivos do CursoEsta
dificuldade situa-se no plano estrutural da Instituição.A
introdução do Método implica numa mudança de mentalidade
não só por parte dos professores.Por se transferir
o centro de aprendizagem ao próprio aluno, interessado,
atento, observador, sujeito ativo e passivo das
práticas circunstantes, isto implica em aceitá-lo
livre para optar pelo tempo e pela forma de execução
da sua tarefa.Ele não mais faz parte de uma massa
disforme sentada na sala de aula.
8.3
- Avaliação segundo as normas regimentaisAvaliação
continuada, ao longo do processo, finalizando com
avaliação do grupo docente ( disciplina núcleo e
gravitantes auxiliares ) e somatório das unidades
do percurso.
8.4
- Possível dispersão de concentração dos programas
de disciplinasSe há liberdade do lado do aluno,
de parte do professor e tutor o regime é quase militar,
sistêmico, cartesiano, positivista e inflexível.
A aplicação inadequada, irregular, desidiosa e descomprometida
com o processo pode levar a uma dispersão de concentração
de todo o plano de ensino e os cuidados deverão
ser à enésima potência pois a proposta observadora
e presencial das Práticas, constituindo um Projeto,
é nova e quem a inaugurar com firme implantação
colherá muitos frutos. Não se trata de perpetrar
mais uma modalidade, uma moda, o Método rompe, aparentemente,
a seqüência lógica de transmissão de informações,
já que estas passam a ser exigidas em função de
dificuldades que aparecem na execução do Projeto
que em última análise é uma proposta-problema. Assim,
a necessidade que o aluno tem para a solução dos
problemas emergentes e decorrentes do Projeto, determinam
a lógica pela qual recebe as informações de que
necessita. O plexo a ser alcançado é sem erro um
enorme acervo resultante de muita observação, muita
prática conduzida e colhida no Projeto.
C
O N C L U S Ã O
É EVIDENTE QUE A PROPOSTA ORA APRESENTADA SUSCITA
DIFICULDADES QUE, SE NÃO FORAM PREVISTAS NESTE TRABALHO,
DEVERÃO SURGIR DE FUTURAS DISCUSSÕES.
É
CLARO QUE ESTE DESAFIO SOMENTE PODE SER LEVADO ADIANTE
SE OS PROFESSORES SE SENTIREM IDENTIFICADOS COM
A INSTITUIÇÃO, CONFIANDO NOS SEUS PROPÓSITOS E ENGAJANDO-SE
NOS SEUS OBJETIVOS. A SIMPLES ADESÃO NÃO É SUFICIENTE
PARA A MAGNITUDE DA OBRA QUE SE PROPÕE.
A
PRESENTE PROPOSTA É UM “TOUCHÉ” PARA O ENFRENTAMENTO
DA APLICAÇÃO DAS 400 HORAS DESTINADAS ÀS PRÁTICAS
PELA RESOLUÇÃO CNE/CP 02/2002.
A
MISSÃO EDUCATIVA QUE NOS CABE NÃO SE EXAURE NO PLANO
SIMPLES DO FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES.
ESTAMOS
COMPROMETIDOS EM FAZER DE CADA ESCOLA UMA CASA DIGNA
DESSE NOME, UM LABORATÓRIO ONDE O PENSAMENTO ESPECULATIVO
POSSA PREDOMINAR COM LIBERDADE, PARA INTERPRETAR
E EXPLICAR A REALIDADE COMPLEXA NA QUAL ESTAMOS
INSERIDOS.
NOSSO
PAPEL HISTÓRICO É O DE FORMAR PROFISSIONAIS PARA
O MAGISTÉRIO DE ACORDO COM AS POSSIBILIDADES QUE
SE OFERECEM, MAS COMPROMETIDOS COM O PROCESSO DE
CRESCIMENTO INTELECTUAL PERMANENTE.
“Non
Scholae Sed Vitae Discimus” -- Não ensinamos para
a escola mas para a vida
|